98 - A ARTE DA GUERRA

07/11/2012 11:00

   Tal qual O PRINCIPE, de Maquiavel, o ARTE DA GUERRA, de Sun Tzu, é o livro dos lideres, do estrategista, do político, do empresário, do comerciante, do religioso, do gerente, do vendedor, etc, e até de si mesmo.

 

   A ARTE DA GUERRA

   Extrato de artigos na Web

   Sun Tzu, também conhecido como Sun Zi ou Sun Wu, natural do estado de Ch'i, viveu durante o período histórico da China conhecido como o dos "Reinos Combatentes" (476-221 a.C.). O primeiro registro da obra foi feito pelo famoso historiador chinês Ssu-Ma Chien por volta do ano 100 a.C.  Obra seminal entre os "clássicos marciais", A Arte da Guerra foi estudada por centenas de oficiais chineses e japoneses durante séculos a fio. Os grandes generais tinham como costume incluir notas e comentários aos versículos do livro, que foram sendo acrescentados à cada nova versão, até consolidar a considerada padrão, datada do fim do século XVIII.

   Somente em 1772, por intermédio da tradução para o francês do padre J. J. M. Amiot, o ocidente pode ter acesso ao texto integral de A Arte da Guerra e é bem possível que tal publicação tenha caído nas mãos de Napoleão. Hoje é impossível existir uma escola militar que ignore seu conteúdo. Era o "livro de cabeceira" de Mao Tse Tung.

   O autor usa como ponto de partida o importante papel que a guerra desempenha na vida social, sendo a causa da desgraça dos povos. Analisa sua influência na economia e observa o quanto ela é prejudicial ao povo; como general, sabia o quanto a manutenção das tropas custava ao Estado e como a passagem das tropas aumentava a inflação nas províncias. Assim, é do interesse de todos que o conflito, quando necessário, seja resolvido de maneira sucinta, diminuindo a extensão dos danos que invariavelmente provoca.
   A partir daí, Sun Tzu avalia que elementos devem ser levados em consideração pelo general na busca pelo êxito, salientando sempre a constante necessidade de avaliação da situação estabelecida e de planejamento do passo seguinte. O centro da estratégia é deslocado para o inimigo. Uma vez que sempre os mesmos fatores (terreno, clima, disciplina, comando e moral) devem ser examinados sob a luz das situações possíveis, cabe ao general observar o cumprimento de tais diretrizes e esperar que o inimigo deixe de realizar uma delas para atacar. Só através de toda essa preparação uma nação poderia tornar-se apta a entrar em um conflito armado e obter chances de vitória.
   É interessante notar como o general chinês e Maquiavel aproximam-se por caminhos opostos. Como gênio militar, Sun Tzu observa a necessidade da política no jogo da guerra. Já o pensador italiano parte da política para perceber o jogo da guerra. Ambos consideravam a dissimulação um elemento essencial no trato com os inimigos. Vale salientar que dificilmente Maquiavel teve acesso ao texto chinês, visto que a primeira tradução de A Arte da Guerra no Ocidente só viria a aparecer em 1772.
   A questão da espionagem, que é fortemente defendida na Arte da Guerra, tem o embasamento lógico de que numa guerra necessita-se de informações, de fontes seguras, sobre o inimigo. Sun Tzu utiliza-se do artifício maquiavélico dos "fins que justificam os meios" para poder passar por cima do forte código moral da época e legitimar o ardil. 
   Outra área que também foi explorada de maneira afim foi a Psicologia Social, através de uma série de atitudes a serem tomadas no trato com as massas, tendo em vista um efeito em particular. Se por um lado Maquiavel orienta de que maneira o governante deve lidar com os súditos, Sun Tzu preocupa-se com o que deve fazer um general para ser respeitado e temido por seus subordinados e opositores, além de ensinar a reconhecer o verdadeiro estado emocional reinante entre as tropas. 

 

   A principal lição que se tira da obra é que a primeira batalha que devemos travar é contra nós mesmos. Para atingir uma meta, o autor ensina, que é necessário agir em conjunto, conhecer o ambiente de ação, o obstáculo a ser vencido e, é claro, conhecer seus próprios pontos fortes e pontos fracos. A grande sabedoria é obter do adversário tudo o que desejar, transformando seus atos em benefícios. 
   Em relação aos comandados, é preciso manter uma disciplina rígida, ser respeitado, ter prestígio, ser temido. Para isso é preciso agir rápido à medida que as infrações ocorram. A superioridade numérica isolada não confere vantagem, mas a determinação de um líder sim. A energia deste, será fundamental para a vitória, mas não se trata uma energia cósmica ou religiosa, e sim da vontade de agir e conseguir conquistar objetivos. 
Seus princípios podem ser aplicados, por indivíduos no confronto com seus oponentes, exércitos contra exércitos e empresas contra suas concorrentes. 

 

Algumas passagens:

“Derrotar o inimigo em cem batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em vencer o inimigo sem ser preciso lutar.”

“O comandante apóia sua autoridade nestas virtudes: sabedoria, justiça, benevolência, rigor e coragem.“

“A arte da guerra se baseia no engano. Portanto, quando és capaz de atacar, deves aparentar incapacidade e, quando as tropas se movem, aparentar inatividade. Se estás perto do inimigo, deves fazê- lo crer que estás longe; se longe, aparentar que se está perto.”

“Se você conhecer o inimigo e a si mesmo, não precisa temer o resultado de uma centena de batalhas.”

“Não há mais de cinco notas musicais, entretanto as combinações das cinco dão origem a mais melodias do que as que poderão jamais ser ouvidas.”

"Lutar com um grande exército sob seu comando não é de forma alguma diferente de lutar com um grupamento reduzido: é meramente uma questão de estabelecer disposições e instituir sinas.”


   Veja a obra completa:

 

 

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