147 - A BOA E A MÁ POLÍTICA

23/01/2013 13:31

      A política, se bem praticada dentro da Democracia, pode modificar, ou não, o destino de uma sociedade. Entretanto, pode constituir-se também num instrumento nocivo e desagregador de um povo.

    A pluralidade democrática, pode abrigar indivíduos das classes humildes aos intelectuais, desde que se proponham a atuar como verdadeiros homens públicos, comprometidos com a sua honra e o bem-estar daqueles que lhe confiam o voto. Muitos atraídos pelo Poder, descobrem-se verdadeiros "salvadores da pátria", para depois verificarem, que não é bem assim, e seu verdadeiro adversário é a incapacidade de administrar, representar e dar melhores condições de vida a tantos que neles acreditaram e deles dependem.

    Por exemplo, o que pensar de um prefeito que passa às vezes, de 4 a 8 anos no poder e não consegue (ou não quer) pagar as contas municipais? Que pensar daqueles que nada fazem e ainda deixam rombos colossais nos cofres públicos ? O que pensar daqueles que não exercem com eficácia as suas atribuições, tornando-se nulidades e um desserviço à sociedade?

   O resultado de tudo isso, não pode ser outro: uma região carente em todos os sentidos, e que não lhe foi dada a oportunidade de desenvolver-se, é um povo que espera e sonha com um melhor futuro - embora saiba que pode estar em suas próprias mãos pelo poder do voto.

   A boa e a má política

   Devemos ser daqueles que acreditam na existência da boa e da má política.

   A boa política é aquela que respeita a realidade e, a partir dela, estimula o debate, faz críticas, manifesta discordâncias e propõe soluções viáveis.

   A má política é a que ignora a realidade e tende a ver, em qualquer situação, apenas uma oportunidade de fortalecer a sua própria posição. Ela manipula dados e explora a falta de informação das pessoas. 

   Devemos enxergar em parte das discussões em torno das delegações de poder um exemplo do exercício da má política, onde pode-se perfeitamente observar algumas pessoas do governo se mobilizando para beneficiar “amigos” em cargos públicos. Não precisariam fazer isso se o objetivo fosse realmente o serviço público compentente. Bastaria um pouco de boa-fé e interesse genuíno no serviço público de qualidade, e não apenas retribuir “favor ou amizade”.

   Ora, se essa ação de “ajudar” os “amigos” tem essa finalidade. No campo respeitável e democrático das manifestações de opinião, vejo críticas que vêm sendo repetidas e sobre as quais gostaria também de registrar minha opinião.

   Aos que consideram o instrumento da regra de delegação como o meio para o exercicio ilegal de favorecimentos, vendo nele uma forma/brecha do uso do poder como representantes eleitos, ignoram conscientemente as Leis que ordenam toda a nossa vida Municipal e Democrática.

   Não se trata de uma invenção do governo como, às vezes, querem fazer parecer. Como pode ser, então, ilegal ou autoritário um instrumento previsto nas Leis do Municipio, votado e aprovado pela Camara Municipal ?

   Também é bom lembrar que as leis de delegação e nomeações sempre foram utilizadas nas administrações dos governadores, deputados, prefeitos e vereadores sem que tenham suscitado, em todos os casos, exagerada controvérsia.

   Por outro lado, o governo não "implanta" as leis de delegação. Reconhecendo e respeitando o Poder Legislativo e obedecendo à Constituição, o governo vai à Assembleia Legislativa solicitar autorização para utilizá-las. Ou seja, as leis não acontecem à revelia do Poder Legislativo, mas a partir da manifestação dele. Nesse sentido, como pode ser um desrespeito a ele ?

   As leis são um assunto importante, que merece ser discutido. Há quem seja a favor e quem seja contra. Isso faz parte da vida democrática. Mas é importante que todas as manifestações se deem com respeito. Com respeito à realidade e àqueles que defendem um ponto de vista diferente.

   Portanto, delegar poderes ou nomear seja quem for, para o cargo que for, dentro da Lei, implica sobretudo na moral, interesse e razões de quem estiver utilizando dessa prerrogativa. E é aqui que também temos um parametro da boa ou má política, e onde observamos a aplicação dos recursos públicos a favor de uns e outros. 

   E o povo, entra nessa conta ? Bom, o povo...

 

 

 

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