A ESCRAVIDÃO PSICOLÓGICA

05/02/2013 05:21

 

    Extrato do livro “A Revolução da Dialética”

   A escravidão psicológica destrói a convivência. Depender psicologicamente de alguém é escravidão. 

   Se nossa maneira de pensar, sentir e atuar depende da maneira de pensar, sentir e atuar daquelas pessoas que convivem conosco, então estamos escravizados. 
   Pobres pessoas... seus tormentos são seus pares. Naturalmente, essas pessoas não aprenderam a ser livres, sua conduta depende da conduta alheia. 
   Temos de ter nossa própria conduta e não depender de ninguém. 
   Nossos pensamentos, sentimentos e ações devem fluir independentemente de dentro para fora. 
   As piores dificuldades nos oferecem as melhores oportunidades. 
   Nas situações difíceis, temos oportunidades formidáveis para estudar nossos impulsos internos e externos, nossos pensamentos, sentimentos, ações, nossas reações, volições, etc. 
   A convivência é um espelho de corpo inteiro onde nos podemos ver tal como somos e não como aparentemente somos. 
   A convivência é uma maravilha. Se estivermos bem atentos, poderemos descobrir a cada instante nossos defeitos mais secretos. Eles afloram, saltam fora, quando menos esperamos. 
   Necessitamos ser livres de verdade se é que realmente queremos estar de bem com a vida. Não é livre quem depende da conduta alheia. 
   Só aquele que se faz livre de verdade sabe o que é o amor. O escravo não sabe o que é o verdadeiro amor. 
   Se somos escravos do pensar, do sentir e do fazer dos demais, nunca saberemos o que é o amor. 
   O amor existe em nós quando acabamos com a escravidão psicológica. 
   Temos de compreender profundamente e em todos os terrenos da mente esse complicado mecanismo da escravidão psicológica. 

   Existem muitas formas de escravidão psicológica. É necessário estudar-se todas elas se é que realmente queremos ser livres. 
   Existe escravidão psicológica não só no interno como também no externo. Existe a escravidão íntima, a secreta, a oculta, da qual não suspeitamos sequer remotamente. 
   O escravo pensa que ama quando na verdade só está temendo. O escravo não sabe o que é o verdadeiro amor. 

   A mulher que teme a seu marido pensa que o respeita quando na verdade só o está temendo. 
   O marido que teme a sua mulher pensa que a ama quando na realidade o que acontece é que a teme. 
   Pode ser que tema que se vá com outro, que seu caráter se torne azedo, que o recuse sexualmente, etc. 
   O trabalhador que teme ao patrão pensa que o ama, que o respeita, que vela por seus interesses, etc. 
   Nenhum escravo psicológico sabe o que é amor; a escravidão psicológica é incompatível com o amor. 

   Existem duas espécies de conduta: a primeira é a que vem de fora para dentro e a segunda é a que sai de dentro para fora. 
  A primeira é o resultado da escravidão psicológica e se origina por reação. Nos pegam e pegamos, nos insultam e respondemos com grosserias. O segundo tipo de conduta é o melhor, é o tipo de conduta daquele que já não é escravo, daquele que nada mais tem que ver com o pensar, o sentir e o fazer dos demais. Tal tipo de conduta é independente, é conduta justa. 
   Se nos pegam, respondemos abençoando. Se nos insultam, guardamos silêncio. 

   Só a liberdade psicológica traz isso que se chama amor.” 

   Algumas dificuldades que nós mesmos colocamos em nosso caminho, e que são um sério obstáculo para a mudança interior:

· Ter um comportamento que depende da vontade dos outros e não de nossos próprios princípios. 
Ora, se queremos mudar temos que seguir nossos princípios, fazer o que achamos ser o correto. 
Porém é muito comum que algumas pessoas que vivem ao nosso redor e que não estão interessadas em mudar a si mesmas, incomodem-se quando nós deixamos de ser o que éramos, querem que não mudemos também, que continuemos a ser os mesmos de antes, que voltemos a fazer as mesmas coisas. 
A nós, como sempre, nos resta escolher entre as duas conhecidas opções: Ser ou não Ser? 

· Fugir das situações difíceis que ocorrem em nossa vida, e que são importantes para o autoconhecimento e a mudança interior. 
Este provavelmente seja um dos maiores obstáculos para a mudança desejada. 
Evidentemente ninguém gosta de passar por situações desagradáveis, no entanto são nestas situações em que descobrimos nossos maiores defeitos, os defeitos que precisamos eliminar com maior urgência para elevarmos nosso nível do Ser. 

   Se nos habituamos a fugir das situações difíceis seremos sempre escravos psicológicos, e não poderemos provocar em nós mesmos uma verdadeira mudança. 
   Ante as situações desagradáveis teremos que escolher entre enfrentar a nós mesmos ou simplesmente fugir de nós mesmos. 
   Mais uma vez existem apenas duas opções: Ser ou não Ser. 

   Por isso escreveu Nietzsche: “O pior inimigo que você poderá encontrar será sempre você mesmo”.

 

 

Voltar