113 - O BULLYING NA POLÍTICA

29/11/2012 07:47

 

   Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully = valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender. Também se refere ao assédio em suas diversas formas, principalmente sexual, moral e contra a mulher. Na política, essa prática se caracteriza quando um agente político tenta impor sua vontade a outro ou outros, ameaçando não dar apoio ou não permitindo que alguns grupos ofereçam ou concedam ajuda aos outros e outras formas de intimidação. Esse é o bullying político.

   Essa ação é vista nos políticos que se mostram insensíveis aos compromissos com os que os elegeram e para com a população, se ocupando apenas de suas vantagens pessoais e tratando a todos com desprezo e/ou indiferença. Legislam em causa própria e da classe, não se importam com as criticas às suas ações e muito raramente voltam atrás. A opinião pública só é levada em conta quando criar embaraço a ponto de comprometer a reeleição, mas ainda assim não muda o comportamento. Apenas troca de “roupa” e continua a fazer o sempre faz. Se julga acima de tudo e todos, ignorando que tem o mandato para representar quem os elegeu.

   O estilo é a marca principal do político, a estética de sua ação. Age no estilo montaria de batalha. São muitos os episódios em que políticos aparecem dando vazão a um repertório de manifestações, gestos e atitudes que dão realce a um ator cujo desempenho poderia surpreender qualquer renomado mestre da arte teatral.  ”Vive" intensamente o papel político, não fica na mera interpretação. SE esforça para parecer autêntico, sem meias palavras, despachado, um cabra da peste. Chama a atenção pelo prazer de surpreender as mais distintas platéias. Cultiva o hábito de guerrear com palavras e acaba borrando a própria imagem com tintas da polêmica.

   Acusações à imprensa de publicarem "inverdades" seria mero artifício para justificar a "perda de paciência", caracterizada pelo gesto de arrancar o gravador das mãos do repórter (e depois devolvê-lo sem a gravação), ou está mesmo convencido de que jornalistas e programas, como os citados CQC e Pânico, invadem a esfera pessoal de entrevistados com "doses de provocação", praticando, por conseguinte, violência psicológica? Programas humorísticos não são eixos centrais da imprensa. Suas funções essenciais são as de informar, interpretar e opinar. Entreter é uma função secundária. Quando um jornalista questiona um mandatário sobre patrimônio, proventos, benesses, prêmios, viagens, ações, gestos e atitudes, ele o faz porque tal acervo é de interesse daqueles que ele representa. O homem público precisa prestar contas de todos os atos que, de forma direta ou indireta, têm relação com os bens e valores da República.

   Na provocação e opressão - com derrapadas pelo terreno da infâmia - e consequentes conflitos entre as partes. Não raro ocorre interpenetração dos espaços dos verbos "zoar, gozar, tirar sarro, brincar, ironizar" e dos corredores dos verbos "discriminar, humilhar, ofender, agredir, perseguir, ameaçar".

   O bullying político estaria no segundo território. Para se caracterizar como tal, porém, a violência psicológica deveria conter o elemento repetição, ou seja, a vítima deveria ser submetida a frequente assédio pelos provocadores. E mais, no bullying os indivíduos intimidados ou agredidos pelo valentão (bully) não são capazes de se defender. Se alguém não desejar responder às "provocações", o silêncio é também uma forma de expressão.

   Quem se sente atingido na honra pode apelar à Justiça. São inúmeros os casos de pessoas que recorrem à Justiça para se defenderem de calúnia, injúria e difamação. Já o bullying nas escolas de nosso país deve ser matéria prioritária de educadores, governantes e políticos. A humilhação infligida a milhares de crianças ensombrece nosso amanhã pela ameaça de termos parcela de uma geração atrofiada pela violência física e psicológica.

 

 

  

 

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