15 - O USO POLÍTICO DA RELIGIÃO NA CAMPANHA ELEITORAL

18/07/2012 09:04

15 - O USO POLÍTICO DA RELIGIÃO NA CAMPANHA ELEITORAL

       18.07.2012

         Adaptação do artigo de Tiago Luís

         Fonte: http://estadonoetico.blogspot.com.br/2010/10/o-uso-politico-da-religiao-nas-eleicoes.html

   Mais uma vez estamos vendo, desde o início da campanha eleitoral 2012, o uso da religião em alguns discursos, que deviam ser tão somente político, de alguns conhecidos candidatos das igrejas cristãs de Várzea Paulista. Como, na medida em que a campanha for se desenvolvendo e se intensificando, e os discursos tendendo a ficarem mais e mais contundentes e apelativos, com certos candidatos se fazendo representantes do Bem (o Eleitor, que diz "defender") contra o Mal (os adversários, de quem o eleitor precisa ser "protegido"), principalmente da parte dos ditos "fervorosos", "defensores" e "praticantes" da fé. Portanto, é oportuna a reflexão abaixo:

   É lamentável, e deveras preocupante, que o futuro político de nossa cidade seja discutido nas bases de questões do foro íntimo cuja discussão, embora necessária, não parece relevante para definir o melhor projeto governamental em disputa. Alguns candidatos usam da Religião em seus contatos na busca de votos junto aos eleitores, isso é assunto sério, diz respeito a crenças fundamentais e que dão sentido à vida de muitas pessoas. Por essa mesma razão deve ser considerado desrespeito usar de assuntos religiosos para adquirir vantagens eleitorais. Qualquer candidato que faça isso age maquiavelicamente sob o lema de que os fins justificam os meios. 

   O meio, no caso é a religião, utilizada como arsenal contra uns, como trampolim para outros. O receio é que as pessoas religiosas não percebam que estão sendo usadas e tratadas como incapazes de pensar por si mesmas quanto às decisões políticas. 

 

   Na abordagem, por exemplo, do aborto (que não opinamos a respeito) e uniões homossexuais, devem ser entendidas como questões políticas e devem ser discutidas na sociedade. Na posição pessoal dos candidatos, entretanto, não deveria ser assunto eleitoral, porque um ocupante de cargo executivo, ou de representante na câmara municipal, não está no comando para impor suas crenças, mas para fazer cumprir os direitos e aspirações de todos os cidadãos, sem distinção de classe, raça, condição social, credo e/ou preferencias pessoais.

   É completamente possível que uma pessoa seja heterossexual, mas ainda assim, reconheça o direito de muitos homossexuais legalizarem sua união. Não importa aqui se a Bíblia diz que é uma abominação, importa que grande parte dos brasileiros não têm reconhecimento de seus direitos por que o assunto não é tratado como questão política de representatividade.

 

   Também é possível que um candidato seja pessoalmente contra a prática do aborto, mas entenda que a descriminalização é pensar na saúde das mães que, por diversos motivos, não pretendem levar adiante a gravidez e vão procurar profissionais clandestinos. Ninguém vai alterar por decreto o posicionamento das igrejas cristãs sobre o assunto.

   Vivemos numa democracia representativa, num estado laico. Isso significa que não há uma religião oficial e o governo deve pensar em representar de fato a população e não somente um grupo, mesmo que majoritário. O uso da religião pelos candidatos deveria ser muito bem pensado pelos eleitores. Não podemos confundir a esfera do público e do privado. No âmbito público o que deve ser pesado é a cidade, sua população, a melhor política econômica e os maiores benefícios sociais. No âmbito privado estão as crenças religiosas, os preconceitos pessoais.

   O pior que pode acontecer na campanha eleitoral é que alguns discursos sejam pautados com base nas questões privadas da religião. Esse uso da religião, além de tratar os eleitores religiosos como sendo incapazes de pensarem por si só, serve para esconder a falta de projetos e uma política que pode ser (religiosamente falando) tão condenável quanto qualquer pecado.

 

   Tomemos cuidado com quem usa a religião para chegar ao poder!

   Cuidado principalmente com os muitos candidatos que dizem defender a população com discursos usando da religião, insinuando que Deus está a seu lado e a seu favor, e fazendo promessas como se fosse o salvador dos desfavorecidos, necessitados e até mesmo da cidade.

   Se isso é ser a favor do eleitor, o que seria ser contra?

 

 

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