157 - POLITICO HONESTO

17/02/2013 10:59
      Extraído e adaptado do artigo de Welton Oda

   O cinismo é a única forma sob a qual as almas vulgares se aproximam do que seja a honestidade (Nietzsche)

   Iniciemos esta reflexão explicitando a questão central, o fio condutor deste texto: a compreensão segundo a qual todo político é corrupto é equivocada, imobilizadora e favorece a proliferação dos vigaristas e batedores de carteira do erário.
     Apesar disso, político, partido político, deputado, Congresso Nacional, etc. são termos que causam ojeriza à grande parte da população brasileira. Mas quem seriam, de fato, os políticos? Segundo Aristóteles, o ser humano, a quem denominou de zoon politikon ou animal político.
   Ainda que algumas criaturas humanas se declarem apolíticos, apartidários, nenhuma delas está isenta das decisões coletivas, embora alguns possam estar, por decisão pessoal, alienadas. Por este motivo, jogar a responsabilidade nos políticos profissionais pela corrupção funciona como uma desculpa esfarrapada para a falta de ação política da maioria das pessoas.
   E o que seria honestidade? O aforismo nietzscheano dá o tom, ao indicar que ao falarmos de honestidade não estamos lidando com algo que, digamos assim, está dado, é consensual e claro.
 “Honestidade” é comumente compreendida nos dias atuais, em sua vinculação com a veracidade da palavra, com o senso de justiça e o cumprimento das leis. Seria fácil constatar que, mesmo nesta compreensão simplista, já deveríamos excluir uma lista infindável de parlamentares, governadores e prefeitos, condenados em processos envolvendo o furto do dinheiro público.
   Mas... como assim “compreensão simplista”? Explico: não basta o cumprimento das leis para garantir a correta aplicação dos recursos, já que é possível furtar dinheiro público legalmente. A serviço dos ladrões do erário encontram-se dispositivos legais como a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar no. 101, de 4 de maio de 2.000), que torna o pagamento à bancos prioritário em relação ao investimento em educação e saúde, por exemplo. Outro dispositivo que legaliza a rapinagem é a Lei 11.079 de 2004, que institui normas para a contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública. Como já acontece em diversos setores, como educação, segurança e saúde, a referida lei dá guarida a relações escusas, nas quais o dinheiro público financia a iniciativa privada.
   Assim, muitos políticos podem posar de honestos, simplesmente porque drenam milhões e milhões em verbas públicas para suas empresas privadas, mas o fazem de modo “legal”. De qualquer modo, como o objetivo deste texto não é tratar de ladrões, ao invés de listar uma infinidade de políticos que assim procedem, tratemos de falar dos que, ao contrário, buscam combater esta prática.
   É provável que mesmo que muitos dos que dizem duvidar da honestidade dos bons políticos não acreditam na desonestidade dos apontados por corrupção. É um contrasenso. 
  Existindo os honestos, é uma minoria, claro, no quadro nacional, esta lista preliminar, é pequena, simplesmente pelo fato de que, por enquanto, estamos falando de partidos financiados pelo empresariado, partidos que, majoritariamente, não se opõe à presença nefasta do grande capital na administração dos recursos públicos.
   Quando, por outro lado, passamos a nos referir a partidos que se opõe a estas negociatas, a lista é bem mais numerosa. Se ainda não conhece, pergunte a opinião de quem acompanha a atuação dos parlamentares. Muitos dos que conhecem ao menos seus parlamentares nacionais poderão testemunhar e dizer que a bancada deste partido não é somente honesta, mas também a mais qualificada no Legislativo.
   Passemos ao que interessa no âmbito municipal: já que temos novo governo, como vai ser ? Deste modo, fica dispensado divergências ideológicas de outra natureza, deixando esta avaliação crítica para cada um dos eleitores-leitores quanto ao que temos na Camara Municipal e no comando da prefeitura.

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