163 - O MELHOR REMÉDIO ?

13/03/2013 11:10

    Adaptação do texto de Dora Kramer (O Estado de S.Paulo)

   As pessoas que se espantam e reclamam que vereadores, alguns alvos de denúncias ou de algum tipo de desconfiança, recebem algum tipo de favorecimento do executivo, devem ter em mente que, uma vez eleitos, todos eles dispõem dos mesmos direitos. 

   Em tese, têm os mesmos deveres para com as pessoas - espantadas ou não -, mas esta é outra parte da história. 
   Se a realidade não combina com nossas expectativas, de duas, uma: ou aceitamos ou nos movimentamos para evitar tais dissabores. Estressar, insultar, esbravejar contra os absurdos alivia, mas não resolve.
   Manifestos via internet fora do período eleitoral, tampouco. Vale lembrar que o projeto que resultou na Lei da Ficha Limpa para candidatos chegou ao Congresso em setembro de 2009, e dormiu em berço esplêndido até abril de 2010, quando suas excelências foram instadas a acordar devido à proximidade das eleições gerais de outubro, boa parte confiando que a lei seria declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 

   O trabalho, portanto, é mais árduo. Começa pela consciência de que quanto mais longe da política o cidadão estiver, quanto mais rejeição ele manifestar por esse ambiente, acreditando que a exibição de repúdio o exime de responsabilidades, pior ficará. 
   O historiador britânico Arnold Toynbee resume isso em uma frase: "O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam". 

   É isso. Se as pessoas ficarem no conforto inconsequente e sem compromisso com coisa alguma a não ser com a conversa que se joga fora, vale pouco ou quase nada. Uma vez eleitos, legitimada a eleição, mandatos empossados, não tem mais o que fazer. 
  O jeito que se pode dar é antes. Votando bem? Fundamental, mas não suficiente. O interesse pelo que se passa no município é o primeiro passo. O hábito de usar de discernimento para avaliar o que se vê e ouve é o outro passo.

  Informar-se é essencial. Chamar o parente, o amigo, o colega de trabalho e perceber que juntando forças individuais é que se movimenta o coletivo. 
  Compreender o básico sobre a importância e o funcionamento das instituições é indispensável.
  É difícil? O cidadão tem mais o que fazer? O assunto não é interessante? Pois, então, os que se interessam por ele desde já, e para sempre, são muito gratos por terem chegado no poder com a ajuda do voto, inclusive do seu.

 

 

 

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