182 - 100 DIAS DO NOVO GOVERNO EM V.PTA.

11/04/2013 08:04

   Com os bastidores recheado de "sustos", desconcertos, irritações, "vazamento" do que se queria manter atrás das cortinas, desinformações e até algumas contradições, o novo governo municipal do PV, e seus aliados, já teve tempo mais que suficiente para entender, se posicionar com o que encontrou na prefeitura e começar a mostrar a que veio.

   A decepção inicial, e que realmente pesou no ânimo do novo governo, foi encontrar um cofre vazio e uma lista de pagamentos atrasados a serem feitos. Mas não deveria ser "surpresa", pois durante a campanha divulgaram insistemente que a prefeitura estava endividada, quebrada, entre outras coisas que hoje pesam sobre eles como a falta de medicamentos nos Postos de Saúde, etc. Então qual foi a surpresa, se já se sabia muito antes de assumir que os cofres estavam vazios e com muitas contas a pagar ?

   O novo governo parece estar no "centro do vulcão", e seus agentes ainda confusos e sem saber muito bem o que fazer. Desejam produzir efeitos, mas uma nítida falta de experiência têm complicado as decisões e até entrando no folclore político da cidade. Nestes 100 dias de governo o que mais se ouviu do governo foi que o anterior deixou dividas, com muitas desculpas e pouca ou nenhuma solução.

   Vamos relembrar algumas decisões do governo contraditórias, mal aplicadas, desgastantes, etc.:

- a intenção de desconto de 10% na quitação da demissão dos comissionados do governo anterior - tiveram que voltar atrás,

- a forma como foi feito a proibição das merendas aos professores e funcionários, incluindo que os alunos não podiam repetir - precisou desmentir, mas a TV mostrou que estava proibido mesmo repetir a merenda,

- Lei de Anistia Fiscal, enviada à Câmara e aprovada em regime de urgência, mas que até agora inexplicavelmente não foi publicada,

- a questão do Transporte Escolar, que precisou de reunião na Câmara com o prefeito para ser solucionado,

- a insatisfação dos participantes o futebol amador do Jd. Diana, e que envolveu vereador lider do governo,

- funcionário da secretaria da comunicação usando carro da prefeitura para ir de casa ao trabalho, e ameaçando o Blog por ter sido "denunciado",

- redução/eliminação de horas extras aos funcionários públicos,

- "conciliação" do governo com o PT, que tanto criticou e acusou intensamente durante a campanha, sob suspeita de favorecimento com cargos em troca de apoio,

- realização da "feirinha da madrugada" contra a vontade de alguns comerciantes, que era para ser no Baco e foi transferida às pressas para o Clube Periquito, levando o Secretario de Desenvolvimento a dar explicações na Câmara. Mesmo com o conhecimento de todos os vereadores, prefeito, secretários e uma população satisfeita, a feirinha foi "condenada" mesmo tendo sido elogiada por todos que acorreram a ela, e demonstrando uma fragilidade e falta de tato do governo no trato com questão que envolve a opinião pública e comércio. Aqui cabe reflexão mais apurada, sabendo-se que as pessoas de baixa renda, e que é a grande maioria da população, cosntuma fazer suas compras de vestuário nas lojas populares de Jundiaí e/ou pegam o trem e vão para o Brás, inclusive comerciantes formais e informais (maioria),

- e outras

   O que se ainda vê:

- contratações que parece já estar maior que o governo anterior, a maioria sem critérios técnicos e parecendo ser "compensações" por ajuda na campanha eleitoral,

- comentários insistentes de contratação de "funcionários fantasmas",

- aumento da falta de medicamentos nas UBS, e reclamações por falta de material de limpeza,

- dificuldade do governo em lidar com as situações adversas por falta de experiência e tato,

- Câmara Municipal confinada nas mesmas formas de atuação de sempre, com discursos "inflamados" conforme humor da opinião pública, apresentação de moções de aplausos, indicações de tapar buracos em ruas, limpeza de vielas, etc., mas não se vê cobranças sérias de responsabilidades do governo quanto aos serviços públicos essenciais, uso do dinheiro público e outras questões de real importância, mas vindo a tona envolvimentos em malfeitos como o caso da devolução do dinheiro usado para pagar plano de saúde particular, "sumiço" de IPad e TV, pressões por cargos, instalação e remoção de vidro blindado no plenário da Câmara, etc.

- agentes do governo e legislativo apresentando desculpas constantes por falta de dinheiro para fazer o que precisa ser feito, mas as contratações continuam,

- e, entre outras coisas que muitos estão observando, temos o novo governo preocupado com aparências e imagem perante a opinião pública, e uma secretaria de governo e de comunicação apagando 'incendios" por falta de experiência na administração pública, e até mesmo por prepotência e falta de tato.

 

   Somado a tudo isso, temos a opinião pública assistindo a um governo com dificuldades na balança do equilibrio financeiro, com o fogo visível de algumas vaidades e suspeitas de malfeitos. Estancar a corrupção parece que passou a ser uma missão impossível se o próprio governo a estiver alimentando através de seus representantes, que ficam em silêncio, não questionam ou, se falam, dizem ser "inverdades". 

  Comentários circulam pela cidade e desviam os problemas reais do foco para ater-se a disputa pelo poder , tanto para conquista quanto para preservação, e se vê que a "velha política" mostra toda sua capacidade de agarrar-se no governo e dali contaminar toda a administração pública, com contradições e explicações sem consistência e sem se importarem com a opinião pública.

  Mas há quem especule com as expectativas do novo governo para se criar um novo futuro. Mas em um ambiente de política em "tempo de divída" não parece caber ideais sinceros. Portanto, um filme onde não se distingue o que está dentro e o que está fora, dar ou negar apoio ao governo e legislativo, qualquer palavra ou ação pode ser interpretada como parte do jogo para ocupar espaço, firmar-se e garantir-se na disputa pelo poder com uma oposição que se mostra frágil e desarticulada, já cpom vistas para as próximas eleições.

  Por outro lado, ainda que indefinida e aparentemente sem muita força, uma parte criativa e livre da oposição pode manter a esperança de uma politica limpa, participativa e democratica. A grandeza da alma do cidadão verdadeiro pode demonstrar uma ética que não se vê nos politícos que temos hoje na cidade, e que se apoia na esperança da superação das limitações da falta de cultura e condições sociais impostas pelos que estão no poder.

  Os representantes públicos deveriam parar de sofrer de "amnésia" e começar a cumprir as promessas de campanha e, muito mais que isso, trabalhar e respeitar os eleitores que os colocaram no poder e atender suas expectativas nas mudanças que foram "vendidas" a toda a população no decorrer da campanha eleitoral. Hoje, fazer de conta que estão trabalhando e fingindo que fazendo tudo direitinho não funciona mais, a população está atenta e todos estão sendo fiscalizados.

 

 

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