2 - OPINIÃO PÚBLICA, PESQUISAS ELEITORAIS E A INTERNET

20/05/2012 12:17

2 - OPINIÃO PÚBLICA, PESQUISAS ELEITORAIS E A INTERNET

     20.05.2012

     Adaptado e condensado pelo Blog, do texto de Marcelo Coutinho - FGV

     Fonte: http://www.opiniaopublica.ufmg.br/emdebate/coutinho9.pdf

 

 

Com o indiscutível crescimento e influências das Redes Sociais, destaque para Twitter e Facebook, que trocam  informações e tendências e a difundem em velocidade praticamente imediata, inclusive mobilizando internautas em torno de uma causa ou questão política, ou não, vamos nos utilizar do estudo no texto abaixo, de Marcelo Coutinho,  adaptado e condensado, para procurar entender melhor o impacto que a internet pode causar nas eleições 2012, que também aciona a opinião que se reflete nas pesquisas eleitorais:

 

“A popularização da Web em nosso país e a visibilidade alcançada pelo uso da rede na última campanha presidencial criaram uma grande expectativa sobre o impacto da Internet nas eleições de outubro. Com base em trabalhos desenvolvidos nos pleitos anteriores, além de observações mais recentes baseadas no uso das redes sociais digitais por parte de alguns partidos e pré-candidatos, acreditamos que embora a Internet tenha um impacto reduzido na conquista de votos para eleições majoritárias no Brasil, sua utilização no ciclo de produção de notícias e como instrumento auxiliar das pesquisas de intenção de voto não pode ser subestimado, e vai se constituir em um diferencial importante desta eleição em relação às disputas passadas.

 

Mídia Digital, Mídias Sociais: Possíveis Impactos

A verdadeira influência da rede nas eleições deverá acontecer em outros dois elementos da dinâmica eleitoral: a cobertura da mídia “tradicional” e as possibilidades de sua utilização para acompanhar os sentimentos dos eleitores de classe média e os mais jovens, se constituindo em um importante complemento das pesquisas de intenção de voto.

Em relação a sua combinação com a mídia tradicional, os estudos que já realizados demonstrou que boa parte dos eleitores que não se “reconhecia” nos veículos de comunicação tradicional buscou nos blogs e comunidades da Internet informações que pudessem sustentar seu ponto de vista ou ao menos se contrapor ao que viam como “manipulação da imprensa”, independente da preferência partidária. O extraordinário crescimento da utilização da mídia social, e sua credibilidade próxima dos veículos tradicionais (até porque as “conversações” nas redes sociais se alimentam da mixagem do conteúdo produzido por estes mesmos veículos), nos faz prever um uso mais intenso desta forma de comunicação do que verificamos na última eleição, embora ainda torne claro se isto vai beneficiar uma ou outra candidatura.

A dinâmica entre as movimentações nas mídias sociais e pesquisas de intenção de voto é ainda mais polêmica e incerta, mas merece ser acompanhado com atenção. Os blogs, sites de redes sociais e o Twitter se tornaram um verdadeiro repositório de opiniões e comportamentos que, devidamente rastreados, podem se constituir em importante fonte de informação. Isso deve ser visto com certa cautela, pois a composição dos usuários reflete a da parcela mais jovem, com melhores condições de vida e educação da população em geral. Mas para determinadas faixas etárias (entre 16 e 35 anos), classes sociais (A, B, C) e algumas regiões, é possível que os movimentos de opinião observáveis nas redes sociais antecipem tendências que somente serão captadas posteriormente (e com um custo muito mais elevado) através das pesquisas tradicionais de intenção de voto e temas de campanha. Se e como os partidos estarão atentos a isso é outra história, mas sem dúvida o surgimento de fontes “alternativas” de informação sobre intenção de voto e desempenho de candidaturas vai tornar mais difícil a vida dos institutos.

Certamente ainda é cedo para se falar que será uma “eleição digital”. Mas com certeza será a eleição na qual as relações entre mídia, poder e formatos digitais de comunicação estarão no centro dos debates, ao menos do ponto de vista acadêmico e dos internautas.”

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