206 - GOVERNO MUNICIPAL GERANDO INQUIETAÇÃO ?

05/06/2013 09:49

 Baseado em artigo de Dora Kramer - Colunista do O Estado de São Paulo

   Ditados simplificam pensamentos, desconsideram os prós e contras de cada situação, mas convém não desprezá-los como porta-vozes das verdades contidas. Sobre os malefícios da falta de experiência, por exemplo, há vários. Vejamos três:

a) É muito fácil ser pedra, o difícil é ser vidraça,

b) A pressa é inimiga da perfeição e

c) o apressado corre o risco de comer quente, cru e ainda queimar a língua.

   Portanto, com um olhar não muito superficial, vê-se o atual prefeito parecendo ignorar tais questões quando, no início do ano, decidiu adotar o argumento que iria ter muita dificuldade para administrar porque o governo anterior deixou a prefeitura endividada.

   Segundo alguns comentários de bastidores, a ideia era estancar o falatório sobre a possibilidade de não se conseguir realizar um bom governo por falta de experiência. Outra versão seria que sua inexperiência o colocaria nas mãos de assessores e oportunistas da base aliada com projetos e intenções pessoais.

  A motivação não tem muito peso. A questão nestes primeiros 5 meses de governo parece conter um certo efeito colateral que está começando a dar sinais de visibilidade, onde aparentemente ainda está tateando em governar sem dispor de uma suficiente experiência de governo. Deste ponto de vista, abriu as possibilidades de especularem se chegaria ao fim do mandato, com a mesma avaliação antecipada se saberia governar, e ainda considerando que ele deixa a impressão que trata tudo e a todos dentro de um contexto religioso. Ora, governar com principios religiosos é uma coisa, governar religiosamente é outra, mas isso não importa abordar aqui. 

   E acaba aí a semelhança. A situação da campanha era outra, o humor e apetite dos aliados era razoavelmente conhecido, o comandante tinha ascendência sobre a tropa, não havia oponentes visíveis internamente, exceto o de maior ou menor influência sobre o chefe e, a melhor parte, o governo do PT era vidraça.

   Nesse cenário inteiramente diverso é que a incerteza mostra suas consequências ruins. Animou a oposição a sair da toca, abriu espaço e deu justificativa às criticas da opinião pública, semeando inquietação antes do tempo entre os que deveriam estar concentrados na tarefa de garantir a realização de um governo ao menos razoável.

   Pode ter havido um erro de cálculo e já se vê em andamento disputas pela sucessão para a próxima eleição, antecipando-se algumas campanhas de bastidores e com elas a crise de aflição que atormentam os vereadores e outros pretendentes, oportunistas ou não, na busca de boas posições no jogo.

  Para fins de conveniência eleitoral, os petistas avaliam AINDA se devem ou não encarar o governo como oposição, certamente de olho nas possibilidades como partido, mas com o cuidado de não ficar mal perante o governo. Fazer de conta que quer ajudar não isenta a responsabilidade de dizer que uma coisa é uma coisa. Outra coisa é mostrar coerência política como partido, ou se é situação ou se é oposição, ficar em cima do muro onde todo mundo fica vendo que tem interesses dos dois lados, e com o povo de fora dos interesses de todos os lados, nunca foi a melhor opção. Uma coisa é certa, até o momento não se mostram como oposição. O PT deixou o governo em 31/12/2012, mas alguns petistas são do interesse da base aliada do governo, principalmente os bons de votos que não foram eleitos, e também existem comentários no partido que alguns dos eleitos (vereadores) estão considerando deixar a legenda. Ora, e porque não se posicionam claramente como oposição ? Porque no jogo dos interesses, inclusive do governo, a bancada do PT no legislativo parece ter adotado a estratégia de ficar "neutro". Isso parece ser a pior postura que o partido poderia ter, contrariando sua história em favor da população ao fingir que o que acontece no governo municipal não tem a ver com eles, principalmente na saúde pública.  

  São os sinais objetivos que os apostadores do mercado eleitoral levam em conta para avaliar as chances de uns e outros nas eleições, e estabelecer os indíces de aceitação dos políticos que atuam em favor da população. Nestes 5 primeiros meses só se viu falatórios e jogo de interesses pessoais na Câmara Municipal, e nenhuma ação concreta ou cobrança para que o governo resolva o grave problema social da saúde pública. Até parece que estão mesmo fazendo de conta que está tudo bem...

 A especulação gera fatos, alimenta profecias que se autorrealizam e leva as forças políticas à dispersão. O governo tem por enquanto um olho nas contas municipais e em mostrar alguma ação visível à população (pintar o viaduto por exemplo),  e outro na opinião pública até início de outubro, quando se encerra o prazo para mudanças e/ou filiações partidárias para as eleições 2014, e desde já avaliando apoio para deputados (federal e estadual), senadores, governador e presidente da republica.

  Entre as muitas pretensões políticas para 2014 aqui em Várzea Paulista, tem-se uma única confirmação: Dr. Damázio Sena é pré-candidato a deputado federal com o apoio da FUPESP, Federação dos Funcionários Públicos Municipais do Estado de São Paulo.

  Alguns partidos andam sondando Dr. Dámazio, para conseguir sua filiação e apoio com vistas às eleições 2016 para prefeito...

 

 

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