209 - A VEZ DA POPULAÇÃO...

19/06/2013 11:45

   Adaptação de artigo de Dora Kramer, colunista do jornal O Estado de São Paulo

   Enquanto a administração pública vai bem, tudo o mais vai também, reza a norma geral dos construtores de candidaturas, instrutores de campanhas e conselheiros de imagem política.

   Prova disso é a coincidência entre os protestos que levam a opinião pública às ruas da cidade depois de um período de apatia e deterioração da capacidade do governo em atender às aspirações dos eleitores e população em geral. Do ambiente de estabilidade que deu a vitória à aliança política que hoje está no poder, deve-se aceitar, pois, que o governo tenha o condão de deflagrar as crises. Mas, é a política que dispõe dos instrumentos para construir as soluções, por meio da intermediação entre governo e oposição, oposição essa que ainda não se vê aqui em Várzea Paulista face aos interesses pessoais que move o legislativo e o próprio governo.

   Já é hora da política se fazer presente removendo práticas e conceitos que levaram a atividade e serviços públicos à degradação, deixando a população prisioneira dos interesses destes novos coronéis da vida municipal, sob risco de "decisões desastradas dos governantespolíticos" levarem a juventude a se afastar dos valores da democracia.

   O exercício da política é valor democrático. O modo como ela está sendo exercida, no entanto, levou à depreciação desse ativo. Os jovens que não viveram os tempos em que, caladas as vozes dos políticos, falava o chicote do autoritarismo, com facilidade são levados a não acreditar no sistema representativo.

  Ou se encontram formas de reconstruir as pontes entre representantes e representados, ou se reabrem os canais de comunicação entre a sociedade e os governos, com ou sem oposição, ou iremos ao beco sem saída.

   As ruas falam sobre a péssima saúde pública, os péssimos serviços dos transportes públicos, excesso de contratações pela prfeitura, etc., mas seguem falando de muito mais: de corrupção, de descaso, de desmandos, de desrespeito, de desvios de conduta. Na economia o poder público - e aqui o nome é governo do PV – arriscou a ser governo e agora chega para todos a dolorosa conta de ser administrador dos anseios de mudança da população.

   Na política abusaram do despudor, os valores parece que foram dissolvidos. As pessoas não querem apenas de volta a estabilidade na administração. Elas desejam também recuperar o respeito perdido, a dignidade desconsiderada pela vulgarização dos modos políticos e a aceitação da esperteza.

   O atual prefeito, que representou a esperança e que foi uma referência na campanha, acabou encarnando o personagem do herói sem experiência e sem norte seguro, assistido por um secretario de governo e de comunicação que a todos tenta fazer acreditar que vence mediante o uso de quaisquer meios, principalmente pela distorção da verdade ("inverdades" segundo diz).

   O prefeito não inventou a falta de ética na política, mas ao pretender construir uma unanimidade através do apoio do legislativo, aprofundou os velhos vícios. Deu aval ao que havia de mais condenável, permitiu um processo de rebaixamento dos valores políticos a níveis nunca vistos, e parece ter incorporado certa amoralidade como regra normal.

   As pessoas irão se manifestar nas ruas para dizer que não estão dispostas a ser tratadas como massa de manobra, como cordeiros passivos e submissos controlados por lobos e raposas. Seja sexta-feira, 21/06, ou depois, os protestos com o ânimo despertado voltará forte na campanha eleitoral. Os manifestantes sabem que não será fácil, e estarão sempre duvidando da qualidade da saúde pública por exemplo, e avisam que ninguém é dono do passe de seus anseios.

   A julgar pelo sentimento que é para emergir se a manifestação ocorrer, o movimento poderá ter êxito se estabelecer um diálogo amistoso com o governo, que deverá por sua vez deixar de manipular emoções e informações, e se mostrar confiável na tarefa de recuperação da política de governo como fator essencial para o exercício da democracia. E isso deve começar por quem transmite a todos a impressão que dá as cartas no governo municipal, e que manifesta o desejo de ser o próximo prefeito, pelos srs. vereadores e pelos srs. secretarios municipais.

 

 

 

 

 

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