231 - V.PTA: DECISÕES QUE NÃO DECIDEM - 2

27/08/2013 10:10

  ... continuação da publicação 230...

  É comum que as decisões mais importantes no governo sejam tomadas de forma apressada e, invariavelmente, decisões tomadas desta forma produzem o efeito inverso: ao invés de resolver o problema, o agravam. O mesmo ocorre quando as melhores alternativas de solução são excluídas liminarmente, por razões igualmente emocionais.

  Problemas que surgem na administração devem ser resolvidos com rapidez, mas com segurança e racionalidade.

  Problemas geralmente exigem que do responsável o "corte na própria carne", isto é, tenha que abrir mão de algo que ele valoriza para resolvê-lo. Em geral, não há saída fácil e confortável. O chefe de governo deve então estar preparado para sacrificar algo em troca do encaminhamento da solução.

  Normalmente, os assessores sabem disso desde o início, mas precisam gastar muito tempo para convencer o chefe (quando o conseguem). É este tempo perdido que faz com que um governo possa perder o seu rumo, e vir a ser pautada pelos adversários. Mas há algo mais que não foi referido ainda. Se este processo de tomada de decisão já é, em si mesmo, complicado, ele de nada adianta se não for efetivamente implantado. Esta é a situação a que se refere o título desta matéria: decisões que não decidem. Não basta a decisão como manifestação de vontade, como escolha de uma alternativa. É indispensável que à decisão corresponda uma imediata adoção de ações que a tornem realidade.

  Como foi dito antes, um governo e legislativo tomam muitas decisões, mas há que avaliar quantas delas são efetivamente coerentes, práticas e executadas. Decisões devem resultar em ações. Decisões que não decidem, isto é, que não se traduzem em ações, desmoralizam quem as toma. Para que elas ocorram há que definir quem por elas se responsabiliza, qual o conteúdo exato desta responsabilidade, qual o momento e prazo para executá-la, quais os meios e recursos que precisam estar disponibilizados para sua efetivação.

  Entretanto, uma decisão política é uma decisão que representa interesses de grupos regionais, econômicos, partidários...

  Dois exemplos disso este ano são os 100% dos votos do legislativo para:

  a) O aumento imoral dos salários pelos nobres vereadores, vice-prefeito, prefeito e secretários, o maior de toda a região para uma cidade repleta de precariedades e de interesses políticos pessoais e,

  b) A votação da questão do Rodeio, onde primeiro TODOS os nobres vereadores votam a favor do projeto, e na sessão seguinte TODOS votam contra o MESMO projeto apoiando o veto do prefeito.

  Falta de coerência política, falta de pudor ou falta de não saber bem o que fazer tomando decisões controvérsas ?

  Decisão correta não é apenas aquela que racionalmente é a mais adequada, e sim aquela que, além deste atributo, consegue ser efetivamente posta em prática, com eficiência e no momento necessário. Não se trata apenas de algo que foi decidido para fazer-de-conta que vai ser colocado em prática: o nome disso é "promessa".

 

 

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Entretanto, uma decisão política é uma decisão que representa interesses de grupos regionais, econômicos...
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