28c - A MENTIRA E A VERDADE NA POLÍTICA - 3 (Final)

11/08/2012 08:59

        Parte 3: MEIA-VERDADE, ou, não mentir e não dizer a verdade

          Baseado no artigo de Tom Gjelten

          Fonte:http://www.npr.org/2012/08/08/158433077/finding-the-truth-in-politics

             11.08.2012

          Na arte de não mentir, mas também não dizer a verdade, temos o ápice da astucia do verdadeiro político. É uma arte dominada por poucos, bem poucos, que chega até a ser folclórico. É uma rara combinação de inteligencia e esperteza. Eficaz para sair de situações onde a verdade pura e simples pode causar mais danos do que deveria, e sem precisar mentir. É a meia verdade, uma arma eficaz como poucas na comunicação, principalmente política, mas se mal aplicada pode ter efeito contrário devastador a quem a usa. Para encerrar o tema A MENTIRA E A VERDADE NA POLÍTICA, apresentamos uma abordagem  simples sobre essa questão.

 

   A maioria dos políticos insistem que nunca mentem. A maioria dos eleitores, por outro lado, entendem que os políticos mentem. Essa é a triste condição do nosso cenário político atual, ou seja: "entre a idéia e a realidade está a sombra."

   Como é possível se livrar disso ? Pode ser dito que "isso depende do significado da palavra verdade". Mas não parece ser uma eficiente assertiva nos tribunais jurar dizer "a verdade, toda a verdade, e nada além da verdade", essencial para a justiça funcionar. Depois, há a definição de uma mentira: "uma mentira intencional é uma falsidade."  Se estes dois pólos opostos fossem tudo o que temos de enfrentar, levando as pessoas a dizer a verdade, e saber se eles as dizem, poderia mais fácil do que parece ser.

   Mas na vida política, muitas vezes nos confundem em ouvir uma mentira ou em ouvir a verdade. Isso porque é possível usar de maneiras de não dizer a verdade sem ter que mentir, ou não mentir sem dizer a verdade, ou seja: meia-verdade. Vejamos algumas:

Informação parcial, ou meia-verdade: que pode conter informações verdadeiras e, assim, dizer apenas parte da verdade. Podemos selecionar somente os dados que nós gostamos. Isto é usado, por exemplo, para discutir sobre o aquecimento global, onde alguns cientistas costumam reter dados e onde muitos políticos deixam de mencionar muito das informações que existem, tudo para deixar uma boa impressão na opinião pública.

Informações eliminando o contraditório: que pode impedir a expressão de pontos de vista que nós não gostamos. Quantas vezes em um comício político, os que não concordam com o candidato são vistos como contraditório ?

Desviando do assunto ou ficando em silêncio: ao se recusar a discutir ou responder questões ou pontos de vista que queremos ignorar. "Sem comentários" é a palavra de passe que se usa, a pedra de toque do político astuto.

Mudando a história: pode-se dar qualquer informação e criar um significado que dê apoio ao nosso ponto de vista e desandar outros pontos aceitáveis dos adversários. Abordagens políticas contam histórias, geralmente negativas, mas às vezes positiva. Essas histórias são muitas vezes tão fictícias quanto histórias infantis, especialmente quando eles empregam as táticas dos outros.

Vazamento de informações selecionadas: pode-se fazer “vazar” certas informações confidenciais, ou não. Isso é comum para estar nas manchetes, muitas vezes para criar constrangimentos para outra pessoa ou explicar nossas próprias falhas.

Ser vago: pode-se fazer declarações generalizadas para esconder as verdadeiras crenças ou intenções. Ao se comprometer em reduzir a dívida pública, quantos candidatos disse exatamente o que seus programas iriam resolver ou reduzir ?

Usando uma falsa analogia: pode-se comparar um ponto de vista, que nós gostamos ou o adversário detesta, a uma analogia histórica, ou outra, mesmo que a comparação não se aplique ao que eles prometem e não cumprem, rotulando os adversários. Mas esses rótulos as vezes sugerem analogias que constrangem, e que pode ser injusto ou ilógico.

Exagero: exagerar sobre um assunto para fazer um ponto. A questão da Saúde Pública é um tema onde mais se vê essa tática sendo aplicada.

Negação aceitável: pode-se agir como se não tivesse conhecimento de fatos ou ações que venham lançar dúvida, uma luz negativa, sobre nossa veracidade ou comportamento.

   A maioria dos candidatos não consideram essas táticas. Na verdade, a maioria não considera nem mesmo aplicá-las, mas, se bem utilizada por um político que todos admiram, pode ser eficaz. No entanto, todos nós temos um sentimento de inquietação sobre esses métodos. Caso contrário, não se iria encontrar políticos para se defender quando este é acusado de empregá-los, e nós mesmos ficamos tão indignados quando eles ao serem usados ​​contra os políticos que nós gostamos.

   O resultado mais preocupante, porém, é que a proliferação da "mentira não", faz a verdade se tornar tanto mais difícil de encontrar e mais difícil de aceitar quando encontrá-la. Perdemos nossa confiança na verdade, pode acabar até mesmo a possibilidade de haver "a verdade".

   Quando não podemos concordar com a verdade, ou confiar nela, o que resta para construir nossas vidas? Se jogarmos sem pensar ou displicente com a verdade, jogamos perigosamente com o nosso futuro.


 
 
 
 

 

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