3 - O PODER DA REJEIÇÃO DOS ELEITORES

24/05/2012 12:20

3 - O PODER DA REJEIÇÃO DOS ELEITORES

      24.05.2012

       Texto enviado por visitante, modificado a partir do publicado por José Roberto de Toledo, 21/05/2012

       Fonte: http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/

 

"Boa dose das decisões políticas é em função dos indecisos e da rejeição. Para muitos eleitores, mais grave do que não eleger seu candidato preferido é ver um político que ele rejeita ganhar a eleição. Votam em adversário “menos pior” pensando evitar mal maior. A decisão é baseada na ordem prática de escolha, mas é difícil precisar onde termina o raciocínio e começa a racionalização. O voto útil nasce assim.

É mais comum do que gostamos de admitir. Basta lembrar das tardes de domingo. Quantas vezes cada um de nós ouviu um grito de prazer escapar da janela do vizinho – as vezes da nossa - quando o time adversário toma um gol ? Entusiastas fazem coro com os que saturam o ar de animosidade. O futebol se alimenta de paixões devotas e ódios consagrados. Com a política é igual. Saem as janelas e estádios, entram as redes sociais em particular.

Por isso não convém menosprezar o poder da antipatia nas eleições. De tão decisivo, tornou-se presença obrigatória nas pesquisas de intenção de voto. Foi revestido de situações para soar menos cru. A pergunta clássica nos questionários é: “Em quais destes candidatos você não votaria de jeito nenhum?”. O motivo oculto na pergunta identifica a repulsa, antipatia, mas pode chamar de rejeição.

É muito difícil um candidato ganhar as graças do eleitorado. Mais difícil do que isso é livrar-se da rejeição eleitoral. Uma vez impregnada, não sai nem lavando. A rejeição é persistente como um pernilongo. Podemos não lembrar por que votamos neste, mas não esquecemos a razão pela qual não votamos naquele. O eleitor amadurece e envelhece abraçado à sua rejeição.

A rejeição pode inviabilizar políticos famosos e populares. Em São Paulo há casos notórios. A eleição presidencial de 2010 mostra isso, quando o preferido ao longo das pesquisas não venceu as eleições.

Outro bom exemplo é Paulo Maluf. Até desencantar nos pleitos majoritários, Maluf tentou ser prefeito, presidente, governador. Por mais eleitores que tivesse, sempre era barrado pela rejeição dos demais. Em 1992, quando conseguiu vencer um segundo turno, pareceu ter iniciado um novo ciclo. Mas a maré não durou e o ex-prefeito nunca mais ganhou um mata-mata. A rejeição voltou dobrada.

Portanto, um candidato que é reconhecido pelas suas posições, honestidade,etc., pode sofrer um revés apenas porque passou a ser rejeitado pela opinião pública, muito das vezes pela falta de sensibilidade dos assessores políticos e de campanha.  Mas isso cabe a cada candidato identificar, avaliar e corrigir antes que seja usado a favor do time adversário."

 

 

 

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