301 - V.PTA.: CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS DA MANIFESTAÇÃO - Parte I

21/03/2014 09:24

    Baseado em artigo de Peter Hakim, e em função da ainda Manifestação dos reivindicantes por moradia aqui em Várzea Paulista...

   Quando os mais de 2 mil manifestantes saíram às ruas em 21/06/13 para protestar aqui em Várzea Paulista, para reclamar dos abusos, do desperdício e da corrupção do governo, tudo isso visto pelos eleitores quanto aos serviços públicos – da educação e saúde aos transportes e à inércia da administração municipal e legislativa – continuam estagnados na mediocridade. Ninguém deu atenção aos preparativos dos protestos.

   Ninguém aparentemente se deu conta da profundidade da revolta e da frustração dos munícipes – nem o prefeito, nem qualquer outro político, nem a imprensa local ou seus gurus, nem os comerciantes, empresários ou informais. Os próprios organizadores ficaram espantados com o número enorme de adesões.

   Mais desconcertante ainda é, talvez, o fato de que, antes do início dos protestos, as pesquisas de opinião sugeriam que a população estava satisfeita com seus líderes. É quase como se os próprios eleitores não tivessem consciência ou tivessem esquecido seu descontentamento, até que os manifestantes tomassem as ruas e revelassem a crescente revolta contra políticos corruptos, legislativo ineficiente, funcionários incompetentes pagos com supersalários, desmazelo com os serviços públicos essenciais, persistente esbanjamento do dinheiro dos contribuintes e descaso social.
   Embora exprimissem preocupações semelhantes aos de manifestantes de outras partes do Brasil, ninguém discordou das queixas, e seus participantes não foram criticados (exceto os “vândalos” infiltrados) e não encontraram oposição.
   Além disso, os manifestantes não apresentaram prescrições concretas e fizeram poucas exigências específicas, entre as quais: redução dos salários dos vereadores, terminal municipal de onibus, solução para falta de medicamentos que perdura até hoje, poupatempo saúde, maternidade, etc., etc...

   A população, claro, está revoltada com as falhas e fracassos do governo, e profundamente empenhados em mudar a maneira como o governo usa sua autoridade. Os varzinos ainda estão fazendo suas escolhas. Foi perguntado a uma jovem, em alguma das manifestações do Brasil, que aqui não foi diferente, o que ela pretendia, ela respondeu:  “Nós queremos tudo o que é nosso direito, e queremos agora”.
  Os manifestantes comuns fizeram sua parte. Mostraram seu descontentamento e pediram amplas mudanças, quase todas razoáveis e justificadas. Mas até agora não se viu nenhuma liderança política, tanto na área pública quanto na privada, elaborar as alternativas, propor prioridades e deixar clara a necessidade de chegar a determinados compromissos. Até o momento tudo permanece nas intenções. Nem se dão ao diálogo com representantes da Manifestação no momento que ela ocorre. Ficam "mudos", executivo e legislativo, e isso a opinião pública e eleitores estão vendo... 
   O principal ônus da responsabilidade cabe ao prefeito, ele demora excessivamente para responder aos protestos e, quando finalmente parece querer fazer, transmite apenas a impressão que poderia dar um jeito nas reivindicações dos manifestantes. Ele prometeu ações para aplacar as queixas, principalmente dos políticos não arcam com suas responsabilidades, mas não há transparência no governo. Não parece ter atentado aos apelos por melhores escolas, hospitais, transporte público e moradia, com a promessa de mais recursos para obras sociais. As preocupações com os perigos das ruas e o trânsito insuportável poderiam receber maiores investimentos na segurança pública, na melhoria dos serviços de ônibus. Ao que tudo indica, os munícipes não consideram suas ações, as do prefeito (incluindo as dos srs. vereadores) aceitáveis ou convincentes...

 

 

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