302 - V.PTA.: CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS DA MANIFESTAÇÃO - Parte II

23/03/2014 09:24

  Os eleitores instintivamente demonstram ter concluído que os políticos não estão mostrando capacidade de liderança. Ao eleitorado que quer “tudo”, foi sinalizado que poderiam ter. O prefeito sinalizou atenção para quase todas as reivindicações – sem informar quais os gastos a serem reduzidos, os compromissos a serem assumidos e quem pagaria a conta. Deixou de responder a questões fundamentais, como, por exemplo, o desperdício do governo poderia ser reduzido e os impostos cortados, ao mesmo tempo que teriam de ser feitos novos investimentos. Nunca mostrou claramente as dificuldades na implementação das mudanças prometidas, mas sempre dizendo que não tem dinheiro sem convencer ninguem. Apesar de semanas de enormes manifestações criticando o funcionamento do governo, não desmentiu nem propôs a renúncia de um único representante da administração. 

  Mas o prefeito não é o único culpado pelas falhas. Vereadores não apresentam propostas melhores, nem os líderes da oposição ou a comunidade empresarial. Até os manifestantes irem às ruas, parecia que existia a certeza de reeleger-se para um segundo mandato. Embora continue liderando em várias pesquisas, as eleições de 2016 tornaram-se uma incógnita. Se o apoio do eleitorado cair de vez, seu predecessor, a figura política demonizada durante a campanha 2012, que já começa gerar saudade, é provável que volte a se candidatar. E se candidatar deve ganhar. A indicação deverá vir da esfera federal e não do diretório local. Por enquanto, porém, a eleição 2016 pressupõe o ex-prefeito do PT na disputa. 

 O prefeito atual precisa mostrar na prática que está traçando um novo curso para Várzea Paulista e que tem a capacidade de realizar efetivamente as promessas que fez para se eleger, não importando quão amorfas sejam. Se ele começar as cumprir e demonstrar capacidade de liderança, poderá ter chance de se reeleger. Decisões erradas, adiadas ou falta de decisão poderão acabar com sua carreira política. Por exemplo, talvez esteja na hora de considerar a nomeação de um novo gabinete, assinalando um compromisso com a mudança e estabelecendo sua independência da influência do PT e da base aliada. Mas conseguiria ? 

 Hoje o mais importante é talvez o fato de que os cidadãos assumiram um novo papel – o de fiscais do governo. Como contribuintes, eles têm o direito e a responsabilidade de supervisionar o uso que o governo faz do dinheiro público.

 Evidentemente, muitas vezes a mudança acaba provocando conflitos partidários e ideológicos, e isso poderá ocorrer, a começar pela reivindicação dos invasores de terras na cidade. Será difícil planejar e implementar as reformas necessárias – políticas, econômicas e sociais. Talvez o governo não tenha um secretariado suficientemente forte e que funcionem na prática. Os varzinos deram uma extraordinária oportunidade à mudança prometida pelo partido verde: presidir um momento histórico de mudanças políticas e econômicas de grande envergadura na história da cidade. Os manifestantes legitimaram uma necessidade de transformação municipal e mostraram a exigência de serem ouvidos.

  E então sr. prefeito ?

 

 

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