31 - COMO O CANDIDATO PODE SE TORNAR CONHECIDO ?

14/08/2012 10:05

          Adaptação do artigo de Francisco Ferraz

          Fonte: http://www.politicaparapoliticos.com.br

   Ser conhecido é obrigação de todo político, mas como apresentar sua história de vida ao eleitores?

   Um candidato, para se eleger, precisa superar quatro desafios:

• Ser conhecido

• Ser identificado

• Ser comparado

• Ser votado

   Ninguém vota num candidato que não conhece e precisa ser capaz de identificá-lo com sua mensagem, imagem, e publicidade, para poder compará-lo com os concorrentes.

O conceito "ser conhecido" presta-se a muitas confusões.

   Como regra o candidato parte do pressuposto de que é muito conhecido. Basta uma pesquisa para mostrar que, na grande maioria dos casos, o grau de conhecimento do eleitor fica muito, mas muito aquém das expectativas do candidato. Mesmo candidatos conhecidos, descobrem que a parcela do eleitorado que os conhecem é reduzida, em geral concentrada no seu bairro e região.

   "Ser conhecido" somente significa conhecer mesmo o candidato, dominar informações importantes sobre ele, para um número muito reduzido de eleitores. Os demais declaram conhecer "alguma coisa" ou "só de ouvir falar", ou ainda "não sabem nada". O conceito "ser conhecido" então, precisa sempre ser avaliado em função do eleitorado total. O fato de aparecer na mídia, de ser reconhecido nas ruas, de ter disputado outras eleições, não garante que o candidato seja efetivamente conhecido dos eleitores.

   Nunca é demais repetir que a política não é o interesse maior da maioria das pessoas e que o acompanhamento que fazem da política é superficial e desorganizado. Além do grau de conhecimento, entretanto, é preciso ainda saber "como" o candidato é conhecido.

   Qual a sua imagem para aqueles que dizem conhecê-lo? Ser muito conhecido por uma imagem negativa é fatal. Por outro lado, ser pouco conhecido pode vir a ser uma oportunidade de tornar -se conhecido com uma imagem positiva.

   A propaganda é a peça publicitária fundamental para a "construção" de uma imagem positiva para aqueles que conhecem pouco ou nada do candidato, e para sustentar aquela imagem para os que já conhecem o candidato.

   A propaganda possui a estrutura narrativa de uma estória, cujo tema é a vida do candidato desde o período de sua infância até o momento atual em que disputa a eleição. Esta história ilustra e enfatiza certos valores que o candidato diz ter.

   Na fase da infância o foco é a família, os pais e irmãos, a união e harmonia no lar; as dificuldades enfrentadas (orfandade, pobreza); a luta e o trabalho incansável para superá-las e proporcionar um futuro para os filhos, oportunidade onde pode entrar a escola, com a antiga professora, sempre disposta a dar seu depoimento de que ele era um jovem estudioso e responsável.

   Na fase da juventude e mocidade o foco é a faculdade que cursou, ou a ocupação (trabalho) que desempenhava, e com a qual ajudava a família. Nesta fase reaparece a família com o casamento e os filhos. Ainda nesta fase, usualmente se faz a conexão com a política, seja pela política sindical, estudantil ou partidária.

   A partir desta fase começa a trajetória política, os ideais, lutas, realizações, cargos ocupados, decisões difíceis que teve de tomar, as pessoas importantes e respeitadas que o apoiaram, estimularam e confiaram nele, concluindo com o momento atual e o desafio que se propõe a enfrentar, se contar com o apoio e os votos dos eleitores.

   Os comerciais biográficos seguem basicamente este roteiro, enriquecido com a trilha sonora adequada e com imagens diversas (fotos antigas, manchetes de jornais, fotos ou seqüências filmadas de obras realizadas, de pessoas importantes que o apoiaram, com a sua família, trabalhando, discursando etc).

   O objetivo da propaganda é tornar o candidato conhecido com a imagem desejada, sobretudo mostrar que sua história de vida preparou-o para a função que pleiteia. A mensagem começa nostálgica e emotiva, para, gradativamente, abandonar o tom nostálgico pelo afirmativo, enfatizando sentimentos de otimismo e confiança em torno da missão que assumiu, e da sua identidade com as esperanças e expectativas dos eleitores.

   Aparentemente fácil de realizar, é, na verdade, um dos mais difíceis, porque o eleitor já está imunizado contra. Sabe que a estória que vai ouvir/assistir é propaganda.

   Mas, assim mesmo tem curiosidade, porque, a maioria não conhece a vida do candidato. Fazer uma mensagem que consiga atingir a emoção do eleitor, e que seja interessante de assistir, informativo e persuasivo, é sem sombra de dúvida um desafio para a publicidade da campanha.

   Três últimas observações:

1. quanto mais rica for a história de vida do candidato maiores são as chances de que a mensagem tenha forte impacto no eleitorado,

2. o candidato pode omitir passagens de sua vida que seriam prejudiciais, mas não deve, em hipótese alguma, mentir sobre sua história,

3. prepare-se para defender sua versão, porque seus adversários vão procurar fatos para abalar a imagem que sua mensagem procurou passar para o eleitorado.


 
 
 

 

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