324 - O ESCANDALO POLÍTICO

08/05/2014 07:28

Artigo de Francisco Ferraz 

Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

As denúncias e acusações de ilegalidades e corrupção, que com tanta frequência são divulgadas pelos veículos de comunicação, trouxeram  novamente para o primeiro plano a temática do escândalo político.

Mais uma vez são gravações, documentos, declarações e fotos os elementos que determinam o grau de gravidade dos fatos e, se eles possuem combustível suficiente, para criar um escândalo político.

Sem elementos factuais que ensejem uma forte desconfiança  sobre a culpabilidade dos acusados, dificilmente um escândalo político toma corpo. É esta desconfiança que atrai a curiosidade dos leitores/expectadores e o interesse dos veículos de comunicação.

A política então, como é praticada pelos políticos e relatada pelos jornais, revistas e TV, adotou as características de um grande espetáculo, no qual o escândalo tornou-se o seu programa de maior atração.

Dentre os desastres que podem atingir um homem público, o escândalo é um dos acontecimentos mais temidos, pelos seus efeitos  letais para a carreira política.  Nada apavora mais um político do que ver-se subitamente às voltas com um escândalo.   Sim, subitamente, pois é normalmente dessa forma que o escândalo político faz a sua aparição.

O escândalo atinge diretamente a sua reputação e imagem e se constitui numa ameaça muito real de destruição de ambos.

Escândalo político, entretanto tornou-se um conceito próprio do mundo da política. Assim, nem tudo que é escandaloso classifica-se como escândalo político.

Escândalo não é o mesmo que denúncia; também não se aplica o conceito a fatos negativos mas que são considerados pelo eleitor como de pouca relevância; ou a fatos que são percebidos como escandalosos por um segmento limitado de pessoas; ou ainda que não demandem uma ação corretiva ou punitiva da parte de órgãos políticos ou do judiciário; ou enfim que não ganhem uma expressiva exposição pública pela mídia.

Escândalo político, neste contexto, é a revelação de atos, fatos ou declarações comprometedores, apoiados em indícios e/ou elementos de prova parciais, configurando uma forte suspeita de ilegalidade ou imoralidade que, pelas declarações dos adversários e pelo tipo de cobertura da mídia, criam uma imediata presunção de culpabilidade.

Como na política, a percepção é mais importante que a realidade, os indivíduos tendem a julgar e fazer suas escolhas pelo que percebem. Daí a conhecida expressão que é uma lei para os políticos: seja, mas também pareça.

A reputação de um político, portanto, constrói-se, em grande medida sobre aparências, embora, se estas aparências não estiverem lastreadas numa razoável base de veracidade, elas tendem a ser, mais cedo ou mais tarde, desmascaradas.

Por isso, o significado da frase citada precisa  ser completado com a outra frase: pareça, mas também seja.

Desta forma o escândalo, tornado pauta obrigatória da mídia, em razão do interesse garantido do leitor/expectador, leva os jornalistas a se desdobrarem na busca de mais elementos sobre as acusações, em torno da pista que foi deixada pela denúncia inicial, e a veiculá-los com destaque.

Surge assim, em toda a sua dimensão o escândalo, e com ele o estigma que se associa à imagem e reputação do homem público, e pelo qual passará a ser identificado.

Por essas razões, o escândalo é tão temido.

A reputação é importante lembrar, pertence ao mundo das percepções e não da realidade. Por isso ela pertence aos outros e não ao político e, por isso ele pode perdê-la. 

Não há como sair de um escândalo ganhando, ou mesmo incólume, depois que a mídia decide dar-lhe cobertura privilegiada, e os adversários – externos e internos - dele se aproveitam por óbvias  razões políticas.

O objetivo dos políticos ao lidar com o escândalo, não é portanto necessariamente vencê-lo, e sim sobreviver a ele nas melhores condições possíveis, dentro das circunstâncias.

 

 

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