333 - AS QUESTOES DE UMA GREVE

29/05/2014 08:53

   Dentre os instrumentos de reivindicação trabalhista a greve, em suas diversas modalidade desde a operação padrão a greve geral, passando pela operação tartaruga, etc., configura-se uma situação de considerável impacto sobre o empregador, com prejuízos tais como:

   - Prejuízos de ordem material:

   - Parada de atividade

   - Redução drástica da atividade

   - Perda de clientes

   - Prejuízos de natureza institucional:

   - Imagem institucional junto à população

 Apesar dos esforços que devam ser feitos na negociação entre empresa, empregados, sindicatos e associações de classe com a finalidade de evitar-se uma greve, nem sempre os acordos são possíveis e não raramente instala-se um movimento grevista que deve ser administrado.

  Condição fundamental para administrar-se um conflito desta espécie é o conhecimento mais exatamente possível das verdadeiras causas do movimento. As questões centrais geradoras do conflito que podem ser:

   -Situação salarial

  -Condições de trabalho, como insalubridade, acidentes, falta de recursos de trabalho, etc...

  -Retrocesso em vantagens e benefícios existentes

  -Demissões

   -Não cumprimento de promessas

   -Greve de solidariedade

   -Greves de origem política

   -Outras causas

  Cada motivo deve ser administrado de maneira a resolver o conflito principal com suas abordagens em busca de soluções específicas visando atingir o núcleo gerador da insatisfação.

   A prevenção é sempre o melhor remédio. Uma vez que iniciado o movimento generalizado de greve, por vezes o retorno ao trabalho pode vir a ser problemático, especialmente se houver perda do controle do movimento por parte de seus líderes. Aliada ao agravo do risco de não haver possibilidade real de atendimento da expectativas dos trabalhadores, além do ânimo exaltado de participantes que podem leva-los à radicalização durante as manifestações.

  Vincula-se a prevenção a dois aspectos principais: prevenir a ocorrência da greve em si e minimizar os efeitos quando da sua ocorrência que se apresentam em momentos diversos:

a) Ao longo da existência da organização:

   - manter política de salários compatíveis com o mercado, benefícios e participação na organização;

   - manter um clima organizacional satisfatório ao corpo funcional;

   - manter uma boa imagem institucional;

   - manter um bom relacionamento com os sindicatos e com as lideranças internas, como gerências, comissões, grupos de auto-gestão, círculos de qualidade, etc.

b) Nas proximidades da data-base dos dissídios:

   - intensificar o contato com os usuários da organização, suprindo suas necessidades,

   - avaliar a necessidade de ações estratégicos,

   - criar um plano de contingência para a eventualidade de uma greve duradoura, mantendo áreas estratégicas para a sobrevivência organizacional funcionando, mesmo que de maneira precária, inclusive o setor de comunicação social e/ou de imprensa,

   - manter contato com outras organizações afins para a eventualidade de alguma ação conjunta e para conhecer suas disposições de atendimento às pautas reivindicatórias,

   - procurar conhecer antecipadamente as possíveis reivindicações dos empregados funcionários,

   - intensificar o contato com os líderes da categoria procurando estabelecer um clima propício ao desenvolvimento das negociações e também para inteira-los da situação da organização, do setor e do mercado, e os planos para o futuro.

   Dependendo da organização, algumas ações devem ser adotadas durante o período de paralisação das atividades:

   - manter os canais de informação aos empregados atualizando-os a respeito de todos os passos da negociação em tempo real,

  - procurar manter os canais de negociação abertos e esforçar-se ao máximo para reabri-los em casos de impasse durante as negociações,

   - desarmar o pessoal da segurança institucional,

   - no caso de piquetes intensos manter os portões principais fechados,

   - negociar o acesso de empregados essenciais que se dispuserem a trabalhar por portões secundários,

   - solicitar a presença de reforço policial nas imediações, com fins preventivos de conflito grave,

   - esclarecer os empregados e órgãos de classe sobre os prejuízos que podem decorrer da greve e seus efeitos,

   - enfatizar os avanços e as concessões já feitas, assim como as vantagens que ela já oferece,

   - esclarecer que o término da greve não significa o final das negociações,

   - se possível fazer alguma concessão vinculada ao retorno das atividades,

   - utilizar sempre negociadores bem informados, experientes e capazes na condução do processo de saída da greve,

   - avaliar a possibilidade de ajudar nas pretensões pessoais dos líderes do movimento,

   - promover reuniões constantes da alta administração em local alternativo;

   - disponibilizar meios de contato para os principais usuários e procurar supri-los de forma alternativa.

   Concluindo: apesar de ser um direito dos trabalhadores, a greve ainda é vista como um grande inimigo das empresas e organizações, embora possa ter seus efeitos minimizados e até mesmo sua deflagração evitada pelos administradores com ações ponderadas e inteligentes: além das já citadas, outras mais podem ser aplicadas no pós-greve imediato, entre elas a conclamação do corpo funcional à união e ao esforço de produtividade a fim de reparar perdas que possam ter advindo da paralisação. Não se deve fazer nenhum tipo de  retaliação logo após o encerramento da greve. Cabe ao corpo dirigente aproveitar o movimento havido como oportunidade de aprendizado com a finalidade de aprimorar as políticas de recursos humanos e as relações trabalhistas da organização, tentando fazer com que instituição e trabalho de tornem parceiros num jogo de ganha-ganha.

 

 

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