342 - V.PTA.: O DEPOIS DA GREVE DOS SERVIDORES MUNICIPAIS

14/06/2014 08:50

   Foram 17 dias de paralisação, criando um mal estar de ambas as partes: governo e funcionalismo público. Registre-se a atitude dos grevistas que paralisaram grande parte das atividades dos serviços públicos, e apresentando suas próprias reivindicações.

  A greve teve um pouco de tudo de cada lado, principalmente lições, mas quem se mostrou mais forte foi o governo que manteve sua proposta para, no fim das contas e no jogo dos números, a fazer prevalecer ante os grevistas. Os grevistas perderam no entender deles, mas o governo pode ter perdido mais ainda... perde o principal: a simpatia dos funcionários públicos efetivos, que são a maioria esmagadora d quadro de pessoal, e isso faz um diferença sem medida e sem preço. Principalmente nas próximas eleições.

   As concessões feitas pelo governo ficaram muito aquém do reivindicado pelos grevistas. É preciso registrar que, para muitos setores, o reajuste conquistado não repõe a perda inflacionária do período considerado (2013). No caso dos professores a situação é ainda mais acentuada, pois estes não se sentem valorizados, e ainda deixa a sensação entre eles de desmonte das reivindicações dos docentes, impondo acordo aprovado pela maioria, o que reforça o conceito de desatenção na educação, como se educar fosse uma atividade qualquer.

   Assim o movimento pode ser visto no seu conjunto, por muito forte que tenha sido – e  foi - não teve forças para impor ao governo o atendimento pleno de suas reivindicações. O que valoriza o pouco da conquista alcançada é o contexto em que ela se deu: a situação em que ocorreu a greve estava marcada pela ofensiva do governo municipal nos argumentos de que não tinha como atender os grevistas.

   O resultado da greve, visto por esta ótica, expressa o superficial compromisso do governo com o serviço público e com a valorização dos servidores. O argumento da falta de recursos pode não resistir a cinco minutos de contra argumentação, pois o que se observa é o governo defendendo com unhas e dentes os cargos comissionados, conforme se comenta hoje dentro e fora dos bastidores. Dessa forma, tem quem entende que quem se deu bem mesmo foram estes, e ainda levam o que foi concedido a quem participou da greve, e um pouco mais por não participado.

   De qualquer forma, o governo deveria dispor de condições políticas e de instrumentos financeiros para examinar a avaliar criteriosamente o que estava em jogo. Faltou vontade política. Como faltou vontade política também para dialogar com os servidores, para considerar as reivindicações da categoria. Sobrou inflexibilidade.  Mas seria um equivoco muito grande se a análise desta greve, e suas consequências, ficassem nesta primeira leitura superficial da questão.

   A greve certamente impôs uma derrota política importante ao governo. Mostrou que, na verdade, é a falta de tato que caracteriza a atitude do governo para com a educação, a saúde, e os serviços públicos que são tão necessários ao munícipe. Isso gerou um desgaste político grande no governo, que se sentiu na obrigação de dialogar com os grevistas e atender, ainda que muito parcialmente, suas reivindicações. É certo que o que foi concedido não era o que os servidores queriam. Mas tampouco era o que o governo queria dar.

   Assim, a greve dos servidores obteve uma vitória política importante. Contribuiu para desgastar e desmistificar os argumentos da administração municipal de que o governo está muito bem ante o funcionalismo público e nos serviços públicos, expondo e enfraquecendo o governo para os próximos embates.

   Mas, para dentro do movimento é que vamos encontrar consequências ainda mais importantes. Qualquer trabalhador, com mediana experiência de vida, sabe que o recurso à greve é importante para pressionar seu empregador a atender suas reivindicações. Esta convicção vinha se enfraquecendo em setores da categoria. Foram muitas derrotas sofridas nos últimos anos, e em muitos momentos a negociação foi desastrosa. Esta greve pode estar mudando sensivelmente este cenário. O governo começou, em maio, dizendo que não haveria negociação nem. Depois foi obrigado a anunciar que não tinha como dar o aumento reivindicado. Terminou como vimos.

   A avaliação é muito importante. Primeiro porque vai ser referência e vai animar a construção das lutas futuras do funcionalismo municipal. Segundo porque durante todos os anos e gestões anteriores, repetiu-se os meios do governo para desarticular e fragmentar a luta do funcionalismo, tornando-o presa fácil das políticas do governo. Não há como olhar para esta greve sem ver que isto já pode estar mudando.

   Tudo isso deve alentar a continuidade do esforço da greve, pois mostra que é ainda possível vencer obstáculos no futuro, que antes pareciam intransponíveis. E há ainda um terceiro fator a reforçar a importância das lições da greve do funcionalismo: a próxima negociação em 2015 não deverá ser menos complicada, e a um ano antes das eleições 2016. Claro, quem vencer para presidente as eleições de outubro vai ser determinante no jogo político nacional, estadual e, principalmente, municipal. Mas... tem os servidores públicos que podem muito bem fazer a diferença... E ELES SABEM DISSO, pois fizeram na eleição 2012...

 

 

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