351 - O ELEITOR-TORCEDOR

04/07/2014 07:14

    Adaptação do texto de Louremberg Alves 

    Fonte: http://www.odocumento.com.br/artigo.php?id=4110

   O eleitorado, em linhas gerais, divide-se em três segmentos, a saber:

- o primeiro e maior deles, o do eleitor que “não quer perder o seu voto”, e, por isso, sempre digita o número do candidato que aparece à frente das pesquisas. O que é um erro, pois o votante jamais perde o seu voto - o perdedor, na verdade, é o postulante que não obteve a votação suficiente para sua eleição.

- o segundo, o do eleitor crítico, cujo índice percentual não ultrapassa a 9% do total dos votantes do país, constituindo assim o menor dos três segmentos, mesmo tendo crescido significativamente nas últimas décadas. Já o terceiro é a do eleitor-torcedor. Este faz do cenário político-eleitoral um estádio ou arena de futebol, onde as pessoas se dividem entre torcedores do time “A” e os do “B”.

   Nenhum destes torcedores aceita que o seu time seja criticado, e chega a ponto de culpar o árbitro pela derrota e pela desorganização do próprio time em campo, além de justificar os gols perdidos com a frase antiga, porém ainda bastante utilizada: “não foi este o dia” e a “sorte” do adversário.

- e, terceiro, o votante-torcedor. O político que ele torce é perfeito, não comete desacerto algum e está acima do bem e do mal. Quando o dito cujo é pego “com a mão na massa”, ele rapidamente diz: “todo mundo faz isso”, e, portanto, não se pode “malhá-lo” por isso. “Regra” que, curiosamente, não vale para o político adversário, certamente porque este, no entender daquele, seja “ator menor”.

   Tanto que o “desrespeito” a tal “regra”, leva o eleitor-torcedor a atacar a pessoa do crítico, estranhamente não ao conteúdo da crítica. Age dessa forma como estratégia, com o fim de desviar-se do teor da discussão, e isso de algum modo “salva” a pele do criticado, e também por lhe faltar bagagem suficiente para o debate.

   Comportamento reprovável, ainda que bastante frequente, por exemplo, nas redes sociais, sites e blogs. Reprovável, sobretudo, para quem tem no debate um dos grandes nomes da democracia, pois esta não se sustenta com o discurso uniforme, nem com a música de uma nota só. A pluralidade é, na verdade, o seu motor e, ao mesmo tempo, a garantia da sua existência.

   Mostrar desconhecimento disso é perder o real sentido das palavras política e democracia. Estas duas, não sinônimas, é claro, caminham sempre de mãos dadas e entrelaçadas, sem se desgrudarem de uma terceira, a liberdade. Liberdade que, por certo, jamais terá o eleitor-torcedor. Certamente porque este segmento do eleitorado defende a figura do “coronel intocável”, que nunca deve ser “molestado” ou, sequer, criticado.

   De todo modo, vale dizer: não se deve, em hipótese alguma, ser votante-torcedor, nem simplesmente eleitor, mas sim CIDADÃO.

 

 

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