354 - A COPA, O GOVERNO E A OPOSIÇÃO

11/07/2014 09:24

     Adaptado dos textos de Leopoldo Mateus e Alberto Bombig (Época-Globo), e Flávio Aguiar (Rede Brasil Atual).

   A inesperada derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha, na terça-feira, 08/07, na disputa pela semifinal da Copa do Mundo, frustrou parte dos planos eleitorais da presidente Dilma Rousseff. Sua ideia era transformar o evento esportivo num de seus principais ativos na campanha pela reeleição. Não será exatamente assim. Pior ainda para o PT: a maneira como se deu o fracasso brasileiro, com a goleada de 7 a 1 dos alemães sobre um aparentemente apático time verde-amarelo, pode ter alterado drasticamente o humor do país.

   Os governistas dizem acreditar ser possível que, mesmo sem o Brasil na final, Dilma se saia bem do turbilhão político que envolveu a Copa de 2014. Conforme a mais recente pesquisa Datafolha, Dilma ganhou fôlego ao longo de junho, mês da primeira fase da Copa. Segundo o levantamento, ela conta com 38% das intenções de voto –tinha 34%. Ainda de acordo com o Datafolha, Aécio Neves (PSDB) oscilou de 19% para 20%, seguido por Eduardo Campos (PSB) com 9%. Motivada por esses bons resultados, a presidente confirmou, em conversa com internautas, aquilo que o ministro Aldo Rebelo (Esportes) e a Fifa já haviam anunciado: ela estará no Maracanã no domingo, 13/07, para entregar o troféu ao time campeão. Sua equipe, no entanto, ainda não informou se a presidente comparecerá ou não à disputa do terceiro lugar, sábado, em Brasília, quando a Seleção Brasileira enfrentará a Holanda.

   Do outro lado, o da oposição, bom... parece, diante dos prenúncios cada vez menos desastrosos sobre a economia, apesar de dificuldades na área industrial e na balança comercial, e diante da inépcia embolada das candidaturas de oposição, que essa é a única tentativa que resta para essas oposições midiáticas ou outras.

  Ao invés de apostas programáticas – já que os verdadeiros programas de direita no Brasil são inconfessáveis pelos candidatos, embora existam, só lhes resta apostar nos anti-programas, nas catástrofes políticas e sociais possíveis e imagináveis. E nas inimagináveis também:

  - Que candidato vai fazer a loucura de dizer que vai fechar o Bolsa Família? Ou outros programas sociais? Isso se não afirmarem que foram criados por eles.

   - Que candidato terá a temeridade de dizer que vai cortar o ProUni (a não ser na extrema esquerda) e a política de cotas?

   - Que candidato vai confessar que vai esvaziar o Mercosul e voltar à velha política de privilegiar “os países que importam”, quer dizer, a velha política de subserviência aos Estados Unidos e à Europa?

   - E que candidato vai ter a coragem de dizer que, na verdade, vai acabar com essa conversa mole de meio ambiente e vai favorecer a expansão desregrada dos negócios agropecuários no Cerrado, na Amazônia Legal e ilegal ?

   - Que candidato vai declarar que a política de juros altos e de desindustrialização através da “abertura” será o norte dessa nova dependência em relação aos fortes Nortes da política global?

   - Que candidato dirá que vai retomar uma política de dependência também no campo da defesa militar, seja na Amazônia, no espaço aéreo ou na plataforma marítima (leia-se pré-sal).

   - Que candidato dirá que vai rifar os ganhos do pré-sal entre multinacionais e outros barões da indústria fóssil, em vez de destiná-los prioritariamente à educação e ao investimento tecnológico?

   - Ou que vai diminuir ainda mais as verbas da saúde pública em favor das indústrias privadas do setor? Ou que vai tocar do país os médicos cubanos e outros que vieram auxiliar as regiões desassistidas?

   - Ou que voltarão a criminalizar os movimentos sociais, especialmente o MST?

   E por aí vai.... mas podem crer: confessem ou não os candidatos e os arautos da velha mídia, pode ser isso tudo que nos espera e muito mais caso as oposições não sejam transparentes até a eleição em outubro. Porque as oposições hoje no Brasil têm sobretudo uma visão antiquada, provinciana e paroquial do mundo, incapazes de ver, por exemplo, que mesmo dentro do sistema capitalista a melhor tendência dominante é a da formação de blocos regionais, da Europa desenvolvida à África subdesenvolvida.

   A campanha começa de fato dia 14/07, segunda feira, a todo vapor, os candidatos estão munidos de seus argumentos e a “guerra” pelo poder pode ser umas das mais dramáticas e piores das ultimas décadas. Isso importa para o eleitor ? Importa sim... ele vai pagar a conta, junto com a da Copa 2014...

Mas... e se os eleitores, cansados e conscientes,

resolverem "surrar" os políticos de sempre ?

 

 

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