364 - MILITANTE POLITICO ?

31/07/2014 09:11

  Sem militantes políticos um partido não se consolida e um candidato dificilmente se elege.  

   Portanto, ser um militante é estar inserido numa organização política, submetido a uma linha de comando e envolvido por uma atmosfera de camaradagem e cumplicidade com os membros da mesma organização. Ser um simpatizante ou um “companheiro de viagem” é estar mergulhado nessa atmosfera, obedecendo à mesma linha de comando não por um comprometimento formal como os militantes, mas por hábito e, PRINCIPALMENTE, por expectativa de vantagens ou conivência emocional.

  Sem uma rede de militantes, simpatizantes e companheiros de viagem, não existe ação política. Com ela, a ação política, se não limitada por fatores externos consolidados historicamente – a religião e a cultura em primeiro lugar — pode estender-se a todos os domínios da vida social, mesmo os mais distantes da “política” em sentido estrito, como por exemplo a pré-escola, os consultórios de aconselhamento psicológico e sexual, as artes e espetáculos, os cultos religiosos, as campanhas de caridade, até a convivência familiar, conforme comenta Olavo de Carvalho, Jornal Zero Hora, 6 de março de 2004.

  Trata-se de estar politicamente engajado em uma causa, e deveria ser por uma boa causa e não de uma minoria política corrupta como temos hoje no Brasil todo, e em todos os níveis sociais. 

  De agora até o dia das eleições em 5 de outubro, um exército de milhares de pessoas tomará as ruas em busca do voto. Estudantes, advogados, profissionais liberais, funcionários públicos e uma penca de desempregados gastarão sola de sapato e muita saliva para vender esperança em forma de candidato. Sim, eles são os militantes políticos. Mas, ao contrário do que se via em antigas campanhas eleitorais, hoje essa gente forma batalhões remunerados. E tem os profissionais da militância política que conduzem os que realmente trabalham para o candidato, pois os tempos românticos da pura paixão já ficaram para trás. De onde vem o dinheiro para pagar isso tudo ? De quem paga impostos, e haja dinheiro...

   A profissionalização da militância, antes uma grave ofensa política, hoje é aceita como um fato natural. Nos meios partidários, os militantes costumam até ser classificados em quatro tipos:

   - os antigos,

   - os funcionários públicos comissionados;

   - os “históricos”; os “meninos”;

   - e os “diaristas”.

   Os primeiros são os antigos militantes que trocaram sindicatos, movimentos sociais e universidades por empregos públicos e salários estáveis. Eles aparecem em todos os partidos.

   Já os “históricos” são os remanescentes dos tempos heroicos, carregados de discursos ideológicos. Há anos se dedicam à causa do partido sem receber um centavo pelo trabalho. Também conhecidos como a turma de 68, de certo modo, se assemelham aos “meninos”, membros da “juventude partidária”.

  Os “meninos”, pessoas de 15 a 29 anos, juram que vão mudar o mundo no dia seguinte da chegada ao poder.

  Mas, ao contrário dos “históricos”, vários deles recebem ajuda financeira para trabalhar por determinada candidatura.

  Um dos grupos que mais cresceram é o dos “diaristas”. A militância para eles é apenas um bico. Sem nenhum alinhamento político, eles distribuem panfletos, carregam placas, contatam eleitores ou se descabelam em comícios por R$ 50,00 mais vale-transporte e lanche que recebem por dia de trabalho. Quando têm sorte ou bons contatos, trabalham para mais de um candidato – a fidelidade é um luxo ao qual não se atrevem. Esses são a maioria e são os quem realmente trabalha na campanha

  Quanto ao acompanhamento da militância pelos dois grandes partidos, as mudanças que ocorrem na mi­litância petista são acompanhadas de perto pela oposição tucana. “É fácil militar no PT: não falta dinheiro, carro e estrutura. Até os dirigentes da juventude de lá contam com salário”, acusa o presidente estadual do PSDB Jovem. “Nós do PSDB temos que nos desdobrar”, diz ele. Mas não é exatamente assim, já que é também é um militante que engorda sua conta bancária com o partido, e ele mesmo é funcionário comissionado.

 Uma pesquisa conduzida pela cientista política Hingridy Fassarella mostrou que quatro em cada dez militantes partidários são jovens. “Foi uma surpresa, pois a ideia geral é que as estruturas partidárias são preenchidas por velhos militantes”, diz ela. Mas isto não implica numa mudança radical de hábitos. Muitos desses jovens, na verdade, pouco diferem do figurino de veteranos militantes – mesmo quando atuam em partidos de pouca idade. “Nosso objetivo é transformar @ em pessoas”, dizem eles. “O problema da política é o preconceito que as pessoas têm dos políticos, mas isso está mudando. Agora é a hora de os militantes voltarem.

 Divergências e pagamentos à parte, o certo é que partidos e militantes formam uma aliança inseparável. “Não se ganha eleições sem a presença dos militantes”, avisa o deputado federal José Genoino.

 A internet vem sendo mais usada pela militância partidária. Mas mesmo nessa área as agremiações nacionais têm dado um toque peculiar: os políticos estão comprando banco de dados para atingir eleitores. Pagam aos militantes R$ 2 por cada nome com respectivo telefone, endereço fixo e eletrônico que eles conseguirem. Especialistas de marketing que assessoram os partidos calculam que cada lista desses novos bancos de dados pode render 10% de eleitores.   Rendimento e produtividade, por sinal, são metas fixas dos militantes partidários e das cúpulas das legendas. De olho nas urnas, PSDB, PT, PSB e PV resolveram inovar ainda mais este ano na corrida atrás do voto. Eles adaptaram para a política um conceito vitorioso no meio comercial, conhecido como venda direta. Assim, certamente nos próximos dias, começarão a mandar às ruas, como os vendedores da Avon, militantes que baterão de porta em porta oferecendo o seu candidato. Segundo os partidos, é isso que fará a diferença nesta eleição: "blim, blom, o candidato chama." 

  E, atenção:  40% dos militantes partidários são jovens, mostra  pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo e a maioria desses.  E quem garante que uma boa parte não participou dos protestos de junho/2013... ?

 

 

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