37 - CANDIDATO REJEITADO É CANDIDATO DERROTADO ?

24/08/2012 19:15

          Artigo de Francisco Ferraz

          Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

    Nem sempre, mas a rejeição é uma variável básica na avaliação da viabilidade de uma candidatura.

   Ela representa o polo oposto da variável adesão. Significa que, para um número determinado de eleitores, o candidato em questão está excluído da possibilidade de ser votado.

   A rejeição é sempre um problema sério para qualquer candidatura, e adversidade é maior quanto maior for a parcela do eleitorado que subscrever este sentimento.

   A rejeição, portanto, é sempre um problema sério para qualquer candidatura, e o problema é maior quanto maior for a parcela do eleitorado que subscrever este sentimento. Algumas vezes o grau de rejeição de um candidato, medido por pesquisas de intenção de voto, é tratado precipitadamente pelo partido, pelos que contribuem financeiramente e pelos comentaristas políticos como uma sentença condenatória, como um atestado final de sua inviabilidade eleitoral.

   Isto ocorre devido a uma compreensão apressada, superficial e portanto inadequada do significado deste conceito. É necessário, pois, esclarecer melhor o significado da rejeição:

 

1 - Todos os candidatos possuem algum grau de rejeição

      A própria natureza contraditória da política faz com que qualquer candidato seja rejeitado por algum setor do eleitorado. Se não o for por sua imagem pública, o será pelo partido pelo qual concorre, pelos políticos com os quais está associado e/ou pelas idéias e propostas que patrocina.

 

2 - O grau de rejeição pode variar durante a campanha

     A rejeição é um sentimento que pode se originar de um preconceito ou de uma imagem equivocada, e que podem ser alterados durante a campanha, quando o candidato tem maiores oportunidades de se fazer conhecido. O inverso também é igualmente verdadeiro. O candidato que tinha baixa rejeição antes da campanha pode ter seus índices de rejeição aumentados, à medida em que o processo eleitoral expõe sua candidatura ao conhecimento do eleitor.

 

3 - Rejeição absoluta e relativa

     A rejeição é absoluta quando o sentimento de exclusão do candidato é definitivo e irreversível.

     Normalmente, nas pesquisas de intenção de voto, ele é medido pela pergunta: "Em quem você não votaria de jeito nenhum". A rejeição é relativa quando o eleitor, que no momento da pesquisa está apoiando outro, admite a possibilidade de vir a votar no candidato, ainda que considere esta hipótese muito remota, muito difícil, quase impossível, etc . A rejeição absoluta não se reverte, a relativa pode ser reversível, pelo menos para uma parcela daqueles que a possuem.

 

4 - A rejeição varia em função das alternativas de voto

    As alternativas de voto que o processo eleitoral oferece ao eleitor podem influir decisivamente sobre o sentimento de rejeição. Muitos eleitores possuem varias rejeições numa mesma eleição, algumas mais fortes que outras. Num sistema eleitoral de dois turnos o eleitor pode, no primeiro turno, votar afirmativamente no candidato de sua preferência absoluta. Se entretanto, a eleição tiver que ser decidida num segundo turno, é muito possível que ele tenha que exercer a sua escolha entre dois candidatos que rejeita.

   Muitos eleitores possuem varias rejeições numa mesma eleição, algumas mais fortes que outras.

   Nestes casos, ele tenderá a escolher aquele que ele rejeita menos, pelo argumento do mal menor (ainda que a diferença entre os dois possa ser pequena), ou então terá que votar em branco ou anular seu voto. Portanto, em termos práticos, um candidato, que foi rejeitado por uma parcela de eleitores no primeiro turno, pode receber aqueles votos no segundo, pela singela razão de que o outro candidato é mais rejeitado do que ele.

 

5 - Rejeição pessoal, partidária, ideológica, por associação

     O sentimento de rejeição pode ter a sua origem em diferentes aspectos que circunstanciam uma candidatura, alguns dos quais podem ser revertidos enquanto outros não. Se a rejeição se sustenta numa hostilidade à pessoa do candidato, ela só será revertida se esta animosidade decorre de uma imagem destorcida ou de preconceito.

     Nestas duas situações, informações novas, verdadeiras e positivas sobre ele, podem ter o poder de corrigir a sua imagem e remover as razões para o preconceito. Se, por outro lado, o candidato for muito conhecido e muito rejeitado, dificilmente se conseguirá reverter o quadro. Já no caso de a rejeição sustentar-se numa hostilidade ao partido ou à ideologia do candidato as possibilidades de reversão são mínimas. Por outro lado, se a rejeição ocorre por associação, dirigindo-se contra pessoas ou organizações que apóiam o candidato a remoção delas, ou muitas vezes o rebaixamento de seu perfil na mídia e na campanha pode ser suficiente para a reversão.

     Para entender adequadamente o grau de rejeição: se ela é absoluta ou relativa, suas razões,seu foco (pessoa,partido,etc), sua relação com o grau de conhecimento do candidato pelos eleitores,os cenários que podem favorecer uma reversão, assim como a identificação dos eleitores que o rejeitam a pesquisa é indispensável.

     A pesquisa que pode trazer estas respostas não é, entretanto, a comum pesquisa de intenção de voto. É necessário trabalhar com um questionário que contenha uma seção com várias perguntas, especificamente destinada a medir estas dimensões da variável rejeição. A inteligente interpretação do conjunto de dados assim produzido ensejará a formulação de orientações estratégicas para a campanha e para o candidato.


 
 
 

 

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