370 - QUEM TEM MEDO DE MARINA SILVA ?

19/08/2014 10:58

   Baseado e compilado de fontes diversas

   Segunda colocada na pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira, 18/08,  a prevista sucessora de Eduardo Campos na disputa presidencial pode tirar Aécio Neves (PSDB) do segundo turno e aparece mais bem posicionada para vencer Dilma Rousseff (PT) – ela está numericamente à frente da presidente com 47% contra 43% das intenções de voto.

  Tudo bem que a pesquisa foi feita durante a comoção causada pela morte de Eduardo Campos, mas isso será melhor observado na próxima pesquisa. A tendência é que, com o passar das semanas, esse clima de emoção diminua e o eleitor faça uma reflexão um pouco mais fria sobre sua intenção de voto. As campanhas do PT e do PSDB trabalham (e torcem) com essa hipótese.  

   Mas, independentemente de como o eleitor reagirá nos próximos dias, tucanos e petistas não querem dormir no ponto e já debatem como “desconstruirão” a candidatura da adversária. Se quiser chegar ao segundo turno, Aécio precisa ultrapassar  a intenção de voto na Marina Silva, capturando parte dos nulos e indecisos que migraram para ela. Também precisa evitar que o clima positivo em torno da candidata da chapa do PSB atraia aliados que fazem oposição a Dilma, tornando sua campanha desfavorável pelo País.

  Já do lado petista parece melhor para Dilma enfrentar Aécio do que enfrentar Marina num segundo turno. O PT acha que consegue vencer o PSDB no País, como faz desde 2002. Marina no segundo turno é uma variável imponderável. Para os petistas, melhor trabalhar com o conhecido, ou seja, com os tucanos como adversários.  

   Tanto do lado petista como do tucano essa tentativa de desconstrução prevê não bater de frente com Marina, mas tentar convencer o eleitor de que ela não está preparada para ocupar a Presidência e que uma eventual vitória da candidata pode trazer riscos institucionais para o País. Para isso funcionar, terão de contar com certa habilidade nos discursos eleitorais. Dizem que não poderão atacar diretamente Marina, que é a herdeira desse clima de comoção e que afirma ter sido “providência divina” não estar no jatinho com Campos. Mas certamente tentarão de colar nela o rótulo de que “não está preparada” para governar apontando o que consideram fragilidades da candidata, como posições ultrapassadas sobre determinados pontos da agenda pública e uma postura política pouco conciliadora.

   Nesse aspecto, os tucanos podem dar uma mão para o PT. Os argumentos da “falta de preparo” e do “risco para o País” foram usados tanto na campanha de 2002, contra Lula, como na de 2010, contra Dilma. Na ocasião, José Serra era apresentado para o eleitor como “o mais preparado para ser presidente da República”. O problema é que não funcionou.

   No âmbito internacional temos os destaques do Jornal inglês “Financial Time”, que diz que de qualquer forma a ex-senadora Marina Silva poderá liderar o voto de "todos contra a presidente Dilma Rousseff" em um eventual segundo turno da eleição presidencial, em editorial nesta segunda-feira (18). "A popularidade de Marina diminui a esperança de Dilma de conquistar a eleição [no primeiro turno]", diz o jornal. "No segundo turno, Marina poderá, então, liderar um voto de 'todos contra Dilma'", avaliou o jornal britânico.

    "Se Marina concorrer, a bandeira de 'renovação política', e de 'terceira via', terá um grande apelo em um país marcado pela insatisfação com os políticos, como nos grandes protestos de rua do ano passado mostraram", disse o editorial. Segundo o jornal britânico, "a morte trágica de Campos tornou a eleição em uma corrida de três cavalos" ao colocar Marina como potencial aposta para vencer as eleições. Neste caso, o jornal diz que, caso Marina concorra, ela pode ser decisiva para definir o vencedor, ou "ser uma candidata bem sucedida em seu próprio mérito".

   Ainda quanto ao novo e previsto cenário, Dilma e Aécio agora terão que lutar com uma candidata inesperada e imponderável, e que deverá fazer toda a diferença na disputa presidencial, com chances reais de vencer as eleições .

   No lado mais fraco da disputa eleitoral tem o Eduardo Jorge, candidato do PV à presidência da republica, dizendo que Marina Silva é uma concorrente como outra qualquer, provavelmente despejando a contrariedade do PV ao compreender hoje que os 20 milhões de votos na ultima campanha presidencial foi conquista dela e não do partido, e ainda  aproveita para defender a descriminalização das drogas...

 

 

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