385 - ENTÃO, 2014 VAI SER O FIM DO PSDB ?

15/09/2014 21:08

   Com Aécio Neves estacionado nos 15% das pesquisas eleitorais, uma atenção maior ao que acontece com o PSBD nesta campanha presidencial pode permitir identificar indícios de que o partido está se desmoronando. Quanto a isso, transcrevemos abaixo, na integra e com pequenos ajustes, a matéria do site Contexto Livre (http://www.contextolivre.com.br/2014/09/o-tucano-gianotti-e-o-fim-do-psdb.html), também publicado em muitos outros sites...

   "Filósofo respeitado, tucano de quatro costados, José Arthur Gianotti deu entrevista relevadora para o Estadão em que praticamente sela o fim do PSDB.

    O jornal o apresenta como “tucanoide” (simpatizante) e muito próximo a Fernando Henrique Cardoso. É muito mais que isso.

    Na verdade, sua amizade maior é com José Serra. É o que explica o fato de considerar Serra “muito à esquerda” de Geraldo Alckmin e prever que ele será um dos síndicos da falência do partido. Com um pouco de distanciamento, Gianotti aceitaria que a pá de cal no PSDB foi a campanha vergonhosa de 2010, que deixou o partido com a cara abjeta de Serra.

    Em relação aos demais pontos, seu diagnóstico é preciso.

    Aliás, o quadro que desenha é a chamada crônica de uma morte anunciada. Desde 2008 venho apontando esse quadro de deterioração intelectual do PSDB.

   Apenas por amizade, Gianotti não menciona os responsáveis. É evidente que a responsabilidade maior recai sobre a pessoa a quem o partido confiou a liderança intelectual e política: Fernando Henrique Cardoso.

    Serra não existiria sem FHC. A campanha abjeta de 2010 — que liquidou com os resquícios de legitimação do partido — não existiria sem FHC. Comandado por Serra, o estilo esgoto do jornalismo tucano foi diretamente estimulado por FHC. Assim como a debandada de intelectuais tucanos, que poderiam ter contribuído para algum arejamento do partido, mas que, a partir de um determinado momento, não tiveram estômago para permanecer na trincheira, depois que o partido deixou-se conduzir pela ultradireita escatológica.

    A partir de então, o PSDB abandonou qualquer veleidade intelectual. Sua cara ficou sendo a da agressividade mais vazia, de políticos menores atuando apenas em representações moralistas, e do jornalismo de esgoto comandado por Serra.

    Aqui, os principais pontos da entrevista de Gianotti:

 

Sobre o espaço da socialdemocracia

Quando o PT veio para o centro, roubou o discurso da socialdemocracia do PSDB. Tornou-se o grande interlocutor com as forças capitalistas e populares, que era projeto da socialdemocracia.

 

Sobre o espaço da oposição

O PSDB não conseguiu se viabilizar como oposição organizada. Quando não se tem a oposição organizada, em geral quem ocupa esse espaço é uma dissidência da própria base aliada, como ocorreu com Eduardo Campos e Marina Silva, ex-Ministros do governo Lula.

 

   Porque o PSDB falhou

   Porque não teve discurso. Restará um partido estilhaçado, mas com alguns governadores e senadores fortes. Aécio ficou com imagem meio ambígua. Agora ele precisa sair correndo para Minas Gerais para salvar a candidatura que apoia. Não conseguiu firmar uma liderança realmente decisiva,

 

   O comando do PSDB

   Aécio voltará a ser o que sempre foi: uma liderança do PSDB, mas não mais a ponta da pirâmide. Ideologicamente, o partido terá duas pontas: o Alckmin bem mais à direita e Serra bem mais à esquerda.

 

   Sobre Marina, Collor e Jânio

   Marina lembra Jânio e Collor na medida em que vem alguém religiosamente para salvar a pátria e depois tem uma enorme complicação na montagem de governo. A Marina não é um Collor, mas no sistema ela estava isolada. Não soube organizar o partido dela, a Rede, foi obrigada a se aliar a Eduardo Campos. Quando o avião cai, ela se acha predestinada a salvar a pátria e começa com esse discurso. A partir do desastre, ela lembra Jânio e Collor ao dizer que veio para salvar a pátria.

 

Sobre o antipetismo e o PSDB

O antipetismo está bem instalado na política brasileira. É hoje uma tremenda força. Aécio vai compreender que para fazer o antipetismo é preciso que ele apoie Marina.

 

   Sobre a bancada evangélica

   Quando há uma crise do Estado, os conflitos religiosos aparecem. Quando não há uma estrutura de poder central organizando a sociedade, Deus aparece como o centralizador. O avanço evangélico é um sintoma da crise do Estado.

 

   As manifestações de junho

   Não formam líderes porque movimento popular desse tipo é como fogo fátuo. Ele surge e desaparece. Essas redes sociais são extremamente importantes mas não criam líderes. As lideranças políticas são, na verdade, formadas pelo processo partidário.

 

   A crise do Estado

   Temos uma série crise de Estado. Uma crise de Estado acontece quando você decide em cima e a decisão não chega embaixo. E o Estado, desta forma, não funciona. Já vemos uma crise de decisão. Ela continua se Dilma ou Marina vencerem. Não há esse risco com Aécio, porque ele não vai ganhar."

 

 

Voltar

Pesquisar no site

BVP © 2012 Todos os direitos reservados.

VárzeaPaulista/SP