392 - NA RETA FINAL, MARINA PEGA NA MÃO DE ALCKMIN

26/09/2014 10:53

   Reproduzimos abaixo, NA INTEGRA, o texto de Julia Duailibi, de 25/09, publicado no jornal O Estado de São Paulo, que retrata mais um momento "estratégico" desta campanha eleitoral 2014. Para bom entendedor...

   A candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva, resolveu “aceitar” o candidato à reeleição em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), como aliado político. Na reta final da eleição, Marina deixou de torcer o nariz para os tucanos, como vinha fazendo nos primórdios da campanha. Endossou, ainda que de maneira tímida, a aliança paulista PSDB-PSB, que pode lhe trazer benefícios eleitorais.

   Enquanto era vice de Eduardo Campos, sem a responsabilidade de carregar a chapa presidencial, Marina rogava para si o título de guardiã da moralidade política e se dava ao luxo de apontar o dedo para dizer o que podia e o que não podia ser feito em termos de aliança. As costuras com o PSDB, por exemplo, foram alvo de crise entre o partido e ela, que resistiu à indicação do deputado Marcio França como vice de Alckmin.

   Depois se tornar candidata, Marina flexibilizou aos poucos os seus conceitos. O seu vice, Beto Albuquerque (RS), apareceu nas campanhas de Alckmin e Serra na televisão pedindo votos para os tucanos. E a própria candidata guardou a resistência a Alckmin na gaveta e passou a autorizar a circulação de panfletos com imagens dos dois – isso sem contar no pedido de votos ao candidato ao Senado Paulo Bornhausen (PSB-SC), filho do ex-senador Jorge Bornhausen.

   Alckmin tem boa popularidade em São Paulo e pode vencer a eleição já no primeiro turno. A aliança com Marina, que liderava a corrida presidencial no Estado com 40% dos votos em pesquisa do começo do mês, pode ajudar o tucano a aniquilar a eleição já no próximo dia 5. Essa dobradinha sempre foi estimulada por Alckmin e por seus aliados, que mantiveram os pés nas canoas de Marina e do candidato oficial do PSDB, Aécio Neves. Marina parece ter percebido isso só agora, depois de oscilar negativamente nas pesquisas no Estado, e ver Dilma Rousseff (PT) ganhar terreno nas trincheiras paulistas.

   Apesar dessa “guinada” pragmática de Marina, vez em quando ainda aparece no PSB alguém que quer empunhar a bandeira da moralidade partidária, ignorando o posicionamento político do PSB nos últimos anos. Ontem, o coordenador do programa de governo do partido, Mauricio Rands, disse que a administração de Alckmin em São Paulo enfrenta “problemas” e “sinais de esgotamento”. Não é de hoje que o PSB faz parte dessa administração que enfrenta “problemas” e “sinais de esgotamento”.

   Esse tipo de discurso pretende ganhar o eleitor mais desavisado. Tenta colocar embaixo do tapete o pragmatismo eleitoral comum no PSB, mas que agora, no final da eleição, começa a sair com mais desenvoltura do armário.

 

 

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