431 - EXPLICAÇÕES QUE NÃO EXPLICAM

26/01/2015 13:57

   Baseado no artigo de Francisco Ferraz

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

  É... às vezes se é obrigado a dar explicações. Ninguém gosta, mas em política, uma vez que a questão foi publicamente levantada e difundida não tem saída. O político tem que encontrar a melhor forma de explicar um fato, situação ou declaração incômoda.

   Muitas vezes são questões aparentemente menores. Mas elas logo se tornam grandes porque são tomadas, pelo adversário e pelo eleitor, como indicadores de uma falta de caráter e/ou de competência em um atributo considerado essencial ao cargo.

   Portanto MENTIR é “O” problema para quem se propõe a ser político e está em cargo exposto à opinião pública.

   Questões que se tornam públicas acabam por exigir do político que se explique, o que sempre é ruim, porque o coloca na defensiva. Poderá ainda ser cobrado, mas se não houver novos casos parecidos, o tema pode até morrer, porque sozinho não terá o poder de sustentar a acusação de que não é um mentiroso.

   Mas há situações em que o problema não se resolve assim tão facilmente, e pode passar a impressão de uma pessoa que não tem coragem de assumir a responsabilidade pelo que diz ou faz, e busca uma “explicação fajuta”, para escapar. E o pequeno torna-se grande, porque é visto como indicador de falha de caráter, ausência de um atributo moral indispensável ao cargo.

   O mais grave é que depois que se entra numa situação destas, sempre aparece algo ainda mais complicado, pois optar por uma explicação pobre, incompleta, meio verdade/meio mentira, expõem sua personalidade e seu caráter a uma séria dúvida. Isso ilustra o efeito negativo das explicações que não explicam, das meias verdades, como estratégia para escapar de uma questão politicamente prejudicial.

   Diante da exposição, a melhor estratégia é:

   1. Não mentir (seu adversário provavelmente vai usar contra, e, depois de mentir, ficará mais difícil ainda de justificar-se);

   2. Não usar o expediente da meia verdade, ela simplesmente não convence;

   3. Explicar da melhor maneira que puder, de forma concisa mas completa, com uma versão que possa ser sustentada, e que não seja questionada depois com novos dados;

   4. Dar à explicação a dimensão devida. Não dê importância maior do que tem, mas sobretudo, não dê importância menor do que possui;

   5. Passar para outros assuntos, que são aqueles que verdadeiramente interessam ao eleitor, e que estão em debate no governo. Mas, atenção, este último passo só será aceito pelo eleitor SOMENTE se os anteriores forem bem resolvidos.

 

 

 

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