46 - O VALE TUDO ELEITORAL

05/09/2012 07:08

   A campanha eleitoral está entrando na reta final, está muito tensa e é notável o nervosismo que já tomou conta de alguns grupos políticos, sobretudo daqueles que no início vaticinaram uma boa colheita, mas que agora têm a real percepção de que a sua sobrevivência está mesmo em queda anunciada.

   Nesta fase já está delineado e em ação o “vale-tudo”, marcado por denúncias, mentiras, meias-verdades, acusações, etc.. Diz uma máxima que quem acusa deve ao mesmo tempo apresentar provas para sustentar a acusação. Não deve esperar que seja o acusado a apresentar prova para desmentir afirmações que, quando não sustentadas com documentos, só podem ser tidas como difamação e calúnia. E isso é tentar atirar areia nos olhos do eleitor, é procurar criar confusão na mente de pessoas distraídas ou desavisadas.

   Mas em democracia é assim mesmo. As campanhas eleitorais proporcionam momentos sérios, mas também momentos de entretenimento e destinados a desfilar cenas de humor. Mas isso não significa que em política impere a irresponsabilidade total, que o vento leva as palavras e fica tudo assim. Por isso é que um Código de Conduta Eleitoral não isenta os agentes eleitorais da responsabilidade penal e civil. 

   Hoje, para se apresentar ao eleitor, um candidato se ampara em três grandes mídias: TV, rádio e internet. E precisa adotar uma estratégia diferente em cada uma delas.

   Rádio: "purgatório" mais ameno do que as redes sociais, é necessário ser mais direto, ou não prenderá a atenção do ouvinte. Como não tem imagem, há dificuldade maior na compreensão do eleitor ouvinte. Por isso, deve-se simplificar a linguagem. É o veículo mais popular e mais acessível para a população mais humilde e, sem poder apelar às imagens, os assessores apostam em linguagem mais simples, tentam ir direto ao ponto e uma das táticas é criar "personagens do povo", adotando a informalidade de uma conversa no balcão da padaria.

   TV: não se deve subestimar o "fator emoção". Aqui, valem imagens e cenas otimistas para construir a "Várzea Paulista dos sonhos". A campanha eleitoral na TV é uma arena importantíssima para os candidatos disputarem a preferência dos eleitores. É a partir do horário na televisão que os candidatos novos passarão a ser conhecidos, e até mesmo aqueles que não têm interesse nas eleições são atingidos pela propaganda eleitoral.

   Internet: Para muitos a internet é o "inferno", o espaço do vale-tudo eleitoral, onde as pancadas são intensas para levar logo o adversário à lona, e onde saem as maiores alfinetadas e provocações entre as  campanhas. Mas essa sessão de acupuntura eleitoral ainda está longe de revolucionar a cena política da cidade. A rede social é um ambiente completamente descomprometido de valores e princípios. Militantes com ânimos acirrados todos os dias fazem “guerrilhas” nas redes sociais, principalmente no Facebook. O problema todo é que o debate de idéias não ocorre em mais de 90% dos casos. São apenas provocações, chacotas e ironias, nada de comentário com conteúdo intelectual ou de propostas. O pior é que tem candidatos e assessores de políticos incentivando o nível baixo de discussão. 
   Verifica-se a existência de um processo de "agressão" recíproca. Um post ou comentário tenta detonar o outro. Ou seja, os ataques mútuos, multiplicados pela militância, acabam se anulando. Portanto, esse exército político pode ser chamados de “robozinhos” que só replicam a informação, pela facilidade de publicação e o anonimato.
  Parece que as redes sociais é mais um teste de tentativa e erro. Se der 10 tiros para testar uma tática, e se acertar ao menos uma, pode valer a pena levá-la para o rádio e a TV, e até mesmo para propaganda paga. Não dá para arriscar tanto num horário mais nobre. 

   Finalizando: Dia 08 de outubro a guerra acaba. Passadas as eleições, os comandantes guardarão as armas e celebrarão a paz. Sobrará para os guerreiros contratados, que poderão ter sua imagem manchada indelevelmente. E, especialmente, para quem trabalha com comunicação.

 

 

 

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