475 - OS IMPASSES DO PSDB NA OPOSIÇÃO

02/07/2015 10:48

   Enquanto aparentemente o ex-presidente Lula faz o trabalho de oposição contra Dilma, vamos ver um artigo muito interessante sob o PSDB hoje:

    Artigo de Francisco Ferraz
    Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

  O exercício da oposição ao PT e ao governo Dilma por parte do PSDB tornou-se matéria altamente controvertida. Há uma generalizada insatisfação e mesmo decepção com o estilo de oposição do PSDB por parte de eleitores que, desde a eleição presidencial de 2014, se posicionaram contra o governo.

   Esta insatisfação se refere às lideranças do partido, Aécio Neves, Fernando Henrique, Alkmin, Serra e, mais recentemente, contra o senador Álvaro Dias. Ela ocorre interna e externamente ao partido e é atribuída a três principais razões: “murismo”, “esquerdismo enrustido” e covardia.

   A insatisfação e decepção correspondem à expectativa frustrada, com uma oposição mais moderada que o esperado, sobretudo quando as condições de fragilidade do PT e do governo estariam a recomendar.

   Há muito de emoção nessas queixas que pode obscurecer a compreensão das condições estratégicas do PSDB e dos demais players do jogo político nacional.

    Cada ator político persegue sua estratégia política, constrangido e limitado por suas reais condições de poder. Nem todas as alternativas estão ao alcance de todos os atores políticos. Cada um terá seu elenco de alternativas próprio e peculiar.

   O PSDB, por seu expressivo desempenho eleitoral na eleição para a presidência, adquiriu a condição de favorito para candidato de oposição por antecipação.

Entretanto, precisa manter esta posição por três anos e meio, o que implica em um conjunto de cuidados e cautelas que outros partidos, sem as mesmas chances dele, embora mais radicais no seu oposicionismo neste momento, não precisam adotar.

   Além disso, a cada nova rodada, o PT, Lula e o governo Dilma caem mais nas pesquisas, enquanto Aécio Neves cresce mais. Este resultado por si só já legitimaria o atual estilo de oposição do partido.

   Em situações como esta, a sabedoria política tem uma expressão consagrada para ilustrá-la: “Nunca interfira com seu adversário quando ele estiver ocupado em se autodestruir”.

   A frase indica que as tentativas de explorar as dificuldades do adversário para benefício político precisam ser muito bem avaliadas, já que, se forem julgadas excessivas, exageradas ou mesmo injustas pelos eleitores, podem ter o condão de restaurar a unidade comprometida do adversário e ajuda-lo a sair da crise de confiança e popularidade em que se encontra.

   Foi sobretudo na questão da campanha pelo impeachment que essa controvérsia adquiriu volume e intensidade.

   Os líderes e membros dos movimentos que organizaram as passeatas pelo impeachment da presidente Dilma, parte expressiva dos blogueiros e analistas políticos da oposição não perdoavam a ausência dos políticos do PSDB, atribuindo-as àquelas causas (murismo, covardia ou esquerdismo enrustido).

   O comportamento moderado nas votações do Congresso por parte dos parlamentares do PSDB foi logo agregado como evidência adicional daquelas atitudes.

   Não me satisfaço com tais explicações por sua natureza emocional.

   As mesmas ações políticas, desempenhadas por diferentes atores políticos, possuem muitas conseqüências diferentes. A título de exemplo, o ato de apoiar o impeachment da Presidente, neste momento, se não resultar efetivamente em impeachment, pode ter consequências desastrosas para a candidatura presidencial do PSDB, enquanto que em nada afetaria uma candidatura presidencial do DEM, ou do PP, ou do PSD.

   Ora, neste momento, o PSDB é o partido com melhores condições para disputar a presidência em 2018. Conta com quatro candidatos potenciais à presidência, Aécio, Serra, Alkmin e Fernando Henrique, enquanto os demais partidos – PT e PMDB – ou não têm candidatos potenciais dessa expressão, como o PMDB, ou seus candidatos estão muito desgastados, como é o caso do PT.

   Cada gesto do PSDB, portanto, implica em riscos que precisam ser bem avaliados para que não resultem em perda de credibilidade política ou em desgaste.

   Aécio não hesitou em liderar a viagem de cobrança ao governo da Venezuela e solidariedade aos presos políticos. Atente-se, entretanto, que em nenhuma hipótese podia se dar mal.

   Se o governo de Maduro recebesse bem os senadores e os pusesse em contato com os presos seria uma vitória; se os recebesse mal (como ocorreu) e não autorizasse a vitória aos presos políticos, seria uma vitória talvez ainda maior. Essas são as situações em que os políticos gostam de agir: se o resultado for X - BOM; se o resultado for Y - MELHOR.

   Para vencer a eleição, a cautela neste momento é fundamental.

   Não é o PT quem pode derrotar Aécio neste período antes da campanha, é a besteira que o PSDB vier a fazer. Se há uma princesa que pode transformar o sapo em príncipe na política brasileira atual, essa princesa é o PSDB. O erro grave do PSDB pode vir a ser o beijo mágico que transforma o sapo em príncipe.

 

 

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