487 - O QUE É MELHOR PARA SE ELEGER: PROPOR OU ATACAR? - Parte II

23/07/2015 06:56

   Artigo de Francisco Ferraz

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

   Embora as pesquisas de ciência política comprovem a existência de uma base científica, que pode explicar as razões para a adoção da campanha negativa por parte dos eleitores, é fundamental salientar que o eleitor não aceita uma campanha totalmente negativa.

   O que ele, o eleitor, busca acima de tudo numa eleição é descobrir qual, dentre os candidatos em disputa, se eleito, provocará mudanças que afetarão positivamente sua vida pessoal, familiar e de sua comunidade. Para chegar a essa decisão ele lança mão de dois processos: exclusão e escolha.

   Confrontado com vários candidatos para a mesma função, dentre os quais deverá escolher um, ele primeiro reduz o campo da decisão pela exclusão e, num segundo momento, escolhe um entre os que sobreviveram politicamente à exclusão.

  Pode-se então perceber porque o eleitor aceita ambos os tipos de campanha. Ele usa as informações da campanha negativa para excluir e a seguir, usa as informações da campanha propositiva para escolher o candidato em que votará.

   Em outras palavras, ele usa a exclusão como um instrumento que lhe permite reduzir a margem de erro de sua escolha. Não há pois, uma regra geral determinando qual a combinação ideal de propaganda positiva e negativa. 
   Cada campanha deverá encontrar a combinação que mais lhe convém estrategicamente. Além disso, esta combinação varia de eleição a eleição, de candidato a candidato.

   O candidato não deve nunca perder de vista o fato de que a grande maioria dos eleitores busca na eleição um resultado positivo para suas vidas. Por isto é fundamental entender que campanha negativa não é a mesma coisa que campanha do ódio.

   O eleitor não quer ser envolvido num conflito pessoal entre candidatos. O que lhe interessa é a informação que o ajuda a escolher, seja ela negativa ou positiva.

   Há que pensar muito, portanto, antes de ingressar no terreno da campanha negativa.

   • Em primeiro lugar é fundamental assegurar-se de que o ataque ao adversário ampara-se em fatos e não em opiniões;
  • Em segundo lugar é preciso ter condições de apresentar a documentação do fato, isto é dispor de elementos para provar que o fato imputado verdadeiramente ocorreu e da forma como está sendo divulgado pela campanha; 
   • Em terceiro lugar a documentação do fato tem que ser inatacável na sua veracidade e isenção; 
   • Em quarto lugar, o fato deve poder servir como indicador de uma deficiência ou de uma falha grave (pessoal, técnica ou política) que inabilita o candidato para exercer o cargo que pleiteia.

   O desrespeito destas regras básicas, pela precipitação ou pelo descontrole emocional, é fatal. Acusar o adversário de uma deficiência grave sem apresentar elementos de prova consistentes, desqualifica o acusador perante o eleitorado.

   Toda campanha possui informações negativas sobre os adversários, a maioria das quais nunca chega a ser utilizada, porque não preenche aqueles quatro requisitos para a sua divulgação.

   Propaganda negativa, não se pode esquecer nunca, só é eficiente se for informação verídica e fundamentada sobre atributos pessoais, técnicos ou políticos, que inabilitam o adversário a exercer a função que pleiteia. A campanha negativa que o eleitor aceita é, portanto, a que lhe aparece como informação sobre os candidatos, não aquela que assume a forma de uma guerra aberta onde o que se busca é destruir o adversário.

 

 

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