506 - O SUSTO DE DILMA É O NOSSO PESADELO

28/08/2015 08:24

Nos poucos comentários públicos que tem feito após as eleições 2014, Marina Silva escreveu ontem, 27/08, sobre o momento atual da presidente Dilma, que reproduzimos na integra abaixo:

"Nesta semana ficamos sabendo que a presidente Dilma Rousseff, logo após a sua reeleição, tomou um “susto” ao tomar conhecimento do quadro de degradação da economia brasileira.

Vamos partir do pressuposto de que, ao fazer esse comentário, a presidente tenha decidido abrir seu coração aos jornalistas. É estranho que alguém – que se credenciou ao principal posto da República como uma gestora competente, com domínio pleno da complexidade do Estado e de seus negócios, a quem seu antecessor apontou como a “mãe” de tudo e mais um pouco no país – revele ter sido surpreendida pela pauta que já era amplamente tratada com prioridade por empresários, acadêmicos, políticos, eleitores e por toda, toda a imprensa.

De fato, no segundo semestre do ano passado, temos de reconhecer que Dilma dedicou mais tempo à campanha para se reeleger do que para cuidar do país. Nos estúdios solertes de seu marqueteiro, é muito provável mesmo que ela não conseguisse identificar os sinais cada vez mais evidentes dos riscos que estavam sendo criados para as fantásticas conquistas econômicas e sociais dos últimos 20 anos.

Na janela dos cenários em que a então candidata posava como garota-propaganda de um Brasil que via o tsunami como marolinha, o tempo passou, e só ela não viu.

O susto de Dilma tornou-se nosso pesadelo. De 2014 para cá, já são 8,4 milhões de desempregados. O Fies minguou, a inflação passou de 6,5% para 9,56% e a dívida bruta do governo federal chegou a incríveis R$ 3,5 trilhões em junho.

Mas nem tudo na entrevista da presidente é contestado pela realidade. Ela afirma, por exemplo, que o “futuro é imprevisível”. Infelizmente, diante da dificuldade que Dilma tem em reconhecer que seus terríveis equívocos nos colocaram diante de uma das maiores crises político-econômicas de nossa história, temos de reconhecer que este é um vaticínio que vale do Planalto à planície."

 

 

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