571 - POLÍTICO TAMBÉM TEM “PRAZO DE VALIDADE"

22/04/2016 07:47

    Baseado em artigo de Francisco Ferraz

   Fonte: www.políticaparapoliticos.com.br  

  Os eleitores, cansados de promessas nunca cumpridas, do interesse municipal estando sempre em último lugar e o distanciamento em relação aos interesses dos cidadãos, hoje pensam em novos tempos e novos outros líderes. Na síndrome de desejarem MUDANÇA, os eleitores querem líderes identificados com prioridades sociais e outras políticas que atendam os munícipes. Ora, os eleitores sempre estiveram à espera, prontos por razões sociais, políticas e ideológicas por aquelas expectativas e desejos.

  A incapacidade de ler o pensamento do cidadão, quando o político goza de popularidade como no caso do ex-prefeito Clemente, é muito comum na política se produzir desfechos inesperados. Os políticos vitoriosos têm dificuldade de entender uma sutil mudança que ocorre nos sentimentos dos eleitores.  Alguns tendem a confundir a popularidade que gozam com a mesma disposição que pensam que os eleitores tem para mantê-los no poder.

  O fato é que todo o político, por menor que tenha sido a rejeição que alcançou no seu período de governo, tem um “prazo de validade para o cargo que ocupa”, seja o prefeito seja o vereador.

  Este prazo está escrito na cabeça do eleitor que, por estimá-lo, esconde, no princípio até de si mesmo aquele sentimento. O povo grato ao seu governante não quer magoá-lo, mas também não quer mais mantê-lo se não corresponde mais às suas expectativas. Pode até parecer a si mesmo que está sendo ingrato, principalmente porque, mesmo para o político com grande aprovação popular, em muitos casos, é muito difícil reconhecer que há uma hora de sair, imagine os com rejeição que sonham em continuar no poder.

  A insistência do político em continuar no poder constrange o eleitor. Mas ao fim prevalece o fato de que a própria tentativa de permanecer no poder dá origem a um profundo desejo de mudança!

  Numa eleição democrática, por definição, a grande maioria das pretensões eleitorais é derrotada. Disputa-se, portanto, não apenas para ganhar o cargo, mas também para conquistar posições, tornar-se conhecido, formar ou preservar seu patrimônio político.

 Há derrotas que parecem definitivas, quando acontecem. Os próprios líderes derrotados as recebem como finais e definitivas, como o fim de uma carreira.

  Não obstante, e independentemente dos que pensaram e sentiram, há um fator com o qual os políticos não contam no momento da derrota, mas que opera em seu favor: o tempo.

  Se um político conseguiu ser conhecido na maioria do eleitorado, por suas obras e realizações, e também por suas ideias, e se sua passagem pela vida pública foi intensa e produtiva, ele continuará sendo uma referência política e, conforme as circunstâncias, uma alternativa política, como ainda é o caso dos ex-prefeitos Clemente M. Almeida e Eduardo T. Pereira. O tempo e o momento histórico têm o “mágico” poder de ressuscitar carreiras políticas que pareciam mortas, quando na verdade estavam em repouso.

  O tempo e o momento histórico têm o “mágico” poder de ressuscitar carreiras políticas que pareciam mortas. O tempo e as circunstâncias políticas podem operar este feito. A passagem do tempo e a decepção com as novas experiências fazem com que arestas deixadas sejam aparadas e se reconstrua uma imagem predominantemente positiva do líder. As circunstâncias políticas podem buscá-lo da hibernação e reposicioná-lo como uma alternativa para um determinado momento.

  Que a vitória também não é definitiva é mais fácil de entender. Numa democracia, a eleição é sempre um chamado à renovação e à mudança. A reeleição, ocorre com maior frequência em duas situações:

   1 - quando há uma rejeição acentuada sendo enfrentada energicamente pelo governante e governo;

  2 - quando o governo em exercício tem sucesso no seu desempenho, sobretudo naquelas questões mais priorizadas pela população, como saúde pública, transporte urbano, segurança, educação, etc.

  No primeiro caso, forma-se uma “proteção” em torno do governo para tentar barrar as divisões políticas para depois combater a rejeição popular. Primeiro há que resolver a crise, que é percebida como um desafio supra político. 

   No segundo caso, é o temor de não ter feito aquilo que estaria atendendo as necessidades da população. 

   Fora destas duas situações, a regra é a mudança de governo.

   Esses dois exemplos confirmam o princípio político que afirma:

“Na política, nem a vitória nem a derrota são definitivas”

 

 

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