575 - QUEM NÃO É LEAL EM SUA HISTÓRIA NÃO PODE EXIGIR LEALDADE

30/04/2016 09:12

   Extrato do texto de Mara Paraguassu

   Fonte: http://diretodoplanalto.com/colunista-mara-paraguassu/4899-quem-nao-tem-lealdade-a-sua-historia-nao-pode-exigir-lealdade

  É de espantar como tanta gente se admira ainda do comportamento dos deputados federais que, ao microfone, anunciaram o voto no impeachment não sem antes dedicar o dia histórico à mãe, à família, aos filhos, eleitores, ao marido e a toda sorte de deferências, usando Deus como se  árbitro fosse do julgamento final da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

  A indignação nas redes sociais corre solta, mas nelas poucos lembraram que na ribalta legislativa do dia D em que as gaiatas, inusitadas e despropositadas menções deram o ar da graça, ali estavam parlamentares escolhidos pelo voto do povo como sempre foram, do quilate e do nível demonstrado, desde sempre. Piorando a cada legislatura, no que acato profecia de Ulysses Guimarães.    

 

  São eles a radiografia da sociedade brasileira, heterogênea, descalibrada   culturalmente, imperfeita na ética que aponta sem piedade o delito do próximo mas nas contradições cotidianas esbanja desregramento tal que fica difícil acreditar na sinceridade das reprimendas virtuais dos últimos dias.      

  Como também é difícil dar crédito a apoiadores da presidente Dilma, dentro e fora do PT, no meio artístico, nos movimentos sociais, que soltaram o cachorro nos parlamentares de correntes partidárias menores e graúdas, a exemplo do PMDB, com quem o governismo firmou condomínio agora rompido. 

  O que eles fizeram na última década para se apartar de políticos como Sarney, Collor, Paulo Maluf, Valdemar Costa Neto, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e muitos outros, com quem dividiram nacos de poder, fatiados com ampla generosidade graças aos recursos surrupiados da Petrobras, estatais e fundos de pensão? Como pode o PT exigir lealdade e atirar pedra na sua longeva base de sustentação política, fluída e desgovernada, com quem se acumpliciou nos esquemas de corrupção que chocam o Brasil?  

  Quem não tem lealdade a sua história não pode apelar à vitimização, dizendo-se traído por sacripantas e condenado por um golpe. Pulando cirandinha como diz o amigo Carlos Sperança com a oligarquia política e econômica do país, o PT fez a opção que sempre fizeram todos os partidos, renegando causas e abandonando os movimentos sociais. 

  É de indignar, também, ver deputados sabidamente corruptos ao microfone bradarem “pelo fim da corrupção” e “pela minha pátria e minha cidade”, delas desviando dinheiro da saúde e da educação. E o papelão de Jair Bolssonaro e Jean Willys? Pela projeção para o bem e para o mal de ambos, já alcançadas na opinião pública, contribuíram outra vez para achincalhar a imagem da Câmara dos Deputados.

  O bom de todo esse espanto é verificar a presença dos que estão tomados por honesta indignação, especialmente a juventude, ligados a cada passo da política nacional, antes prato indigesto em uma nação onde a alegria desmedida insinua alienação, imperando o gosto pelo futebol, pela mulata e carnaval.

Essa indignação que chega inclusive de forma organizada em projetos virtuais como o Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem pra Rua deve somar forças à sobriedade, felizmente existente no Congresso Nacional, nos executivos estaduais e no Judiciário, para que as paixões radicalizadas e insensatas que permeiam a disputa pelo poder não transformem o Brasil na eterna pátria do improviso e do adiamento das mudanças verdadeiras, emancipatórias, não implementadas em treze anos de petismo.  

  Indignação e sobriedade para nortear investigações que precisam ir fundo, sem interrupção sob o peso do interesse político de plantão, atingindo indistintamente todos que precisam prestar contas à população, sejam do PT, PSDB, PMDB, PP e qualquer outro partido.

  *** Nota do Blog: E, claro, na opinião dos políticos aqui de Várzea Paulista essa questão de lealdade não tem nada a ver e nem se aplica a eles... todos são de Deus, honestos, trabalhadores, gente do povo, “leais” aos eleitores, população e cidade, e “nunca” pensaram só neles e em seus próprios interesses, mesmo que na opinião pública os muitos eleitores injuriados com todos eles pensem extamente o contrário.

 

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