5c - Convenções - 3ª parte: Pesquisas eleitorais não oficiais e Coligações

12/06/2012 12:38

5c - Convenções partidárias 2012 - Várzea Paulista

       3ª parte: Pesquisas eleitorais não oficiais e Coligações 

         12.06.12

    Observando que estas eleições 2012 promete ser muito interessante aqui em Várzea Paulista, nada mais compreensível que todas as atenções internas dos partidos se voltem para os prognósticos produzidos a partir dos dados colhidos, extra-oficialmente, junto aos eleitores. Ao contrário do que se espera, os resultados apresentados nas pesquisas são ainda primários, sugerem realidades distintas e permitem interpretações variadas e contraditórias. Quando os números indicam que o candidato A está liderando a disputa, dependendo da pesquisa e de como ela é analisada, o candidato B também pode surgir ao lado na ponta. Contemplando ainda um terceiro cenário, um empate não é descartado. Mesmo assim essas hipóteses podem não demonstrar a realidade.

   O que isso significa? Primeiro que, claramente, quando questionados, há mais eleitores dizendo agora que votariam em A do que em B. Fora isso, todo o resto é incerto, começando pelo "dizer", que é bem diferente de "votar". Se os dois se equivalessem, as eleições no Brasil poderiam ser decididas por pesquisas de intenção. Em nenhuma democracia avançada essa possibilidade seria sequer aventada. Os números são ainda menos definidores do quadro político por uma razão adicional: o que se "diz" agora pode não ser o que se "fará" em outubro. Por quê? Principalmente porque a maioria dos eleitores simplesmente não está pensando em eleições e candidatos agora e só vai fazer isso quando a campanha na televisão tiver começado, e quando estiver mais próximo das eleições. Mas, do ponto de vista metodológico, a verdadeira questão das pesquisas de intenção de votos é a margem de erro. Ela é um desvio estatístico inerente à pesquisa – que não existe no voto, que é contado um a um. De modo geral, os institutos de pesquisa assumem que seus resultados são corretos apenas quando considerados dentro de uma faixa que varia 2 pontos para cima ou para baixo. Ou seja, o candidato que aparece com 30 pontos em uma pesquisa pode ter, na margem superior, 32 pontos ou, na margem inferior, 28 pontos. Quando se imagina que um concorrente mais próximo tem sua pontuação submetida ao mesmo sistema, quem aparece em primeiro pode estar em segundo – ou ambos podem estar empatados. Não se fala aqui de A ou B, mas de candidatos hipotéticos.

   Portanto, não deveria haver, a rigor, motivação para flutuação de ânimos em torno das pesquisas de agora. Mas os bastidores políticos estão fervendo. É natural e compreensível que seja assim. Afinal, como a eleição deste ano promete ser mais disputada que as anteriores, e como o cenário político anda suspeito sobre quem está levando realmente vantagem, é de se perguntar se existe mesmo confiabilidade nos números, porque as pesquisas eleitorais têm efeitos e consequências peculiares conforme o estágio da disputa. No momento, por exemplo, as pesquisas estão voltadas para a definição de candidatos e suas coligações, que também deve apontar o peso de rejeições na pergunta ao entrevistado: “Em qual candidato você não votaria?”

   Divergências entre pesquisas não devem, em princípio, causar grandes preocupações. Uma das razões é que o porcentual do eleitorado que acaba utilizando as pesquisas para orientar seu voto é muito baixo, inferior a 10%. Além disso, as divergências estatísticas diminuem, quase sempre flutuando dentro da margem de erro, com a proximidade da eleição – quando as pesquisas ficam mais frequentes e a volatilidade do eleitorado diminui. Apesar de preocupantes, as divergências podem ser usadas como uma ferramenta aliada da democracia – supondo, é claro, que todos os institutos ajam com correção.

 

 

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