624 - O HORIZONTE POLÍTICO DE VÁRZEA PAULISTA ANTES E AGORA... E DEPOIS?

21/07/2016 08:51

   Em 07/01/2013 o Blog publicou no Opinião 138 a matéria abaixo, que revisamos, antevendo como seria o atual governo e câmara municipal municipal neste atual mandato, que termina dia 31/12/2016. Se acertamos ou não na avaliação, os eleitores e opinião pública podem responder com o que se viu nestes 3,5 anos na admnistração pública aqui de Várzea Paulista, com o "novo" governo eleito para promover a MUDANÇA PROMETIDA NA CAMPANHA ELEITORAL DE 2012. Então, a pergunta hoje é: alguma mudança aconteceu na política aqui da cidade ou ainda se vê a mesma políticagem de sempre?

    Baseado em texto de Fernando Gabeira, para o jornal O Estado de S.Paulo

  Um traço perceptível da visão política é a perda da linha do horizonte. Nesse sentido, a política tem deixado a desejar nos últimos tempos, pois seus principais movimentos aparentemente não apontam para lugar algum, exceto a disputa por espaço no governo.

   Políticos afirmam que coexistem unidade e disputa na base do governo. Numa visão consensual na esquerda/centro/direita, esses elementos existem em qualquer estrutura política e, para alguns, até materialmente falando. Mesmo adotando a visão de unidade e disputa para explicar o que se passa aqui em Várzea Paulista, não se consegue explicar o sentido dessas disputas, mesmo porque política é o que menos interessa aos políticos hoje, e Ideologia só existe no Estatuto do partido, o que eles querem é poder, prestigio e permanecer no poder.

  Em outros momentos históricos os confrontos se davam em torno de ideias e os protagonistas tratavam de divulgá-las para ganhar apoio. A simpatia popular era vista como essencial para definir o vencedor. Com o naufrágio da política, as lutas tornaram-se subterrâneas, quase clandestinas. A imprensa, que no passado difundia as ideias dos atores, hoje se conforma em descrever seus movimentos e analisar os resultados.

 Querem mudar as relações de forças. Logo após eleito, o governo entra em cena dizendo-se confiante e promete fazer tudo para manter um bom diálogo. Mas, em muito pouco tempo os políticos competem entre si, mas nunca fica claro o que cada parte quer.

  Por trás de tudo, nada mais é que cargos, poder e dinheiro. Os rumos da cidade parece que não interessam nem estiveram na mesa de debates. Ninguém ascende ao governo porque teve ideias específicas, ninguém sai porque discordou politicamente dele. Ao sair um vereador, entra outro para reafirmar que a mudança das peças não altera o rígido jogo de xadrez. E o barco vai, mas para onde se horizonte não está claro ?

  São poucas as ações práticas, quase nenhum projeto, ainda que polêmico, emerge desse barco à deriva. Poucos munícipes vão no plenário da câmara municipal: não acontece quase nada lá. Há sempre uma ou outra gafe, uma intervenção intempestiva, mas isso acaba repercutindo logo; é fácil recuperar as imagens nas gravações oficiais, mas a questão é ter acesso a elas.

   Grande parte das energias são gastas nos conchavos, nos corredores, onde circulam queixas, ameaças e recados. Não e possível saber que conjunto de ideias está em jogo, porque simplesmente não há conjunto, só uma ideia fixa de ocupar espaços rentáveis.

  A política local dá mostras de fechar-se nela mesma, despojou-se de suas características sociais e virou um negócio que cuida dos próprios interesses. Sua única vulnerabilidade é ser descoberto, que se revele alguns episódios de corrupção e as vezes desata um drama cujo andamento todos suspeitamos. Pergunta-se se o presente político não é tão desolador a ponto de termos de esperar terminar o mandato dos eleitos e todos os atores que se movem no palco para voltarmos a nos interessar pela cena política.

   O cenário político demora mais para mudar se nós, os eleitores, não promovermos a mudança. As coisas não mudam rapidamente sem disposição, não o tipo de disposição interna no governo e na Camara, mas a que tenta levar adiante algumas ideias que parecem corretas a seus defensores. É uma ilusão achar também que as coisas não mudam de maneira alguma.

  Várzea Paulista nunca realmente viveu uma boa fase, com crescimento sustentável, distribuição de renda e qualidade de vida. Isso não significa ausência de desafios. Uma disputa centrada em cargos e dinheiro não é resposta adequada. Os políticos envolvidos na disputa por poder e dinheiro não percebem o mundo mudando, as táticas evoluindo, o profissionalismo se impondo.

  Se é verdade ou não as especulações dos bastidores, onde a base do governo já negociou com a maior parte dos vereadores garantias de apoio em troca de cargos e outras benesses, incluindo mudanças de partidos e as alianças anunciadas, devem o Sr. Prefeito e Srs. Vereadores considerar que a dinâmica da mudança das coisas acabará sacudindo uma vida política naufragada na ausência de um horizonte claramente democrático. Portanto, durante este fim de mandato o pequeno mundo particular em que estão parece mesmo estar encaminhado para ser implodido nas ondas eleitorais das próximas eleições, já que parece que nada ou muito pouco foi feito, lembrando que foram eleitos para mudar. Então... como vai ser o horizonte político aqui e Várzea Paulista DEPOIS das eleições 2016 se o atual governo for reeleito? E se um novo governo for eleito?

 

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