628 - O ELEITOR SE SENTE MELHOR QUANDO O POLÍTICO MENTE?

27/07/2016 20:13

   Baseado no artigo de Thomas Sowell

  O fato de que muitos políticos de carreira são mentirosos descarados e compulsivos não é apenas uma característica inerente à classe política; é também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível, somente os políticos mentirosos conseguem se aproximar de suas expectativas.  

  Porém, quando a realidade aparece e as medidas populistas começam a ser cobrada, os eleitores finalmente percebem que foram enganados. E então começam a reclamar que os políticos os enganaram e venderam ilusões.

  Essas pessoas são as mesmas que, no passado, não apenas acreditaram piamente nas promessas dos mentirosos, como também ignoraram rispidamente todos os alertas, feitos pelos mais sensatos, de que determinadas políticas populistas eram insustentáveis e seriam apenas para vencer as eleições.

  Pessoas que se recusam a aceitar verdades desagradáveis quando estas são ditas em épocas de bonança não têm direito de, no futuro, reclamar que os políticos mentiram e que elas foram enganadas.  Afinal, com essa mentalidade, que outro tipo de candidato essas pessoas elegeriam?

  Uma das principais mentiras do político populista é a de que promete dar às pessoas coisas que elas desejam, mas que não podem cumprir. Ora, se o governo não produz riqueza, não tem renda própria e se mantém por meio da arrecadação municipal, então, por uma questão de lógica, se as pessoas como um todo não podem bancar algo, tampouco pode o governo.

  Se você vota em políticos que prometeram dar a você benesses pagas com o dinheiro da arrecadação, então você não tem nenhum direito de reclamar quando esses mesmos políticos resolverem tomar o seu dinheiro para repassá-lo para terceiros, inclusive para eles próprios.

  Existe, é claro, a imortal falácia de que o governo pode simplesmente aumentar os impostos sobre "os ricos" e utilizar tal receita adicional para pagar por coisas que a maioria das pessoas gostariam na cidade. O que é incrível nesse raciocínio é a sua implícita suposição de que "os ricos" são todos tão idiotas, que não farão nada para evitar que o dinheiro deles ja tributado.

  Então, se você não confia que "os ricos" irão pagar a conta, em que você pode confiar?  Nas mentiras.

  Nada é mais fácil para um político do que prometer o que não poderá ser cumprido.

  A Saúde Pública é perfeita para essa função. As promessas são feitas com base em um dinheiro que dependerá da arrecadação municipal e de outras VERBAS A SEREM CONSEGUIDAS— sendo que, até lá, outra pessoa estará no poder com a tarefa de descobrir o que dizer e fazer quando descobrir que nunca existiu tal dinheiro e o desgosto social e eleitoral começar.

  Haverá o calote, sim, mas existem, no entanto, várias formas de adiar o dia do acerto final. O governo pode, por exemplo, começar a restringir vários benefícios daqueles grupos que são menos influentes politicamente.  Ele irá começar dando pequenos calotes naqueles grupos que têm menos poder político e pouco poder eleitoral. E daí vai começar a aprofundar.

  É apenas uma questão de tempo. O fato é que todos esses problemas de médio e longo prazo irão, eventualmente, desafiar as belas e sonoras mentiras que são a força vital das políticas de bem-estar social. Mas ainda irão ocorrer muitas eleições entre hoje e o dia do acerto final — e aqueles que são profissionais na arte da mentira ainda podem tentar conseguir vencer eleições.

  E, enquanto o dia do ajuste de contas não chega, há diversas maneiras de aparentemente superar esses problemas.  Se a arrecadação do governo não estiver conseguindo acompanhar o ritmo do seu aumento de gastos — como é o caso aqui de Várzea Paulista—, ele pode tentar buscar mais e mais dinheiro nos governos estadual e federal. 

  Será que é realmente tão surpreendente que eleitores com expectativas fantasiosas e irreais elejam políticos que mentem descaradamente sobre serem capazes de cumprir tais fantasias? 

  Promessas sublimes sobre “mais saúde”, “médicos”, “medicamentos”, “esporte”, “segurança”,  “educação de qualidade”, “melhor transporte público”, “redução de comissionados”, “asfalto”, etc., não passam de estratagemas feitos para aumentar o poder de convencimentos dos políticos, uma vez que tais belas palavras não possuem nenhuma definição concreta.  Elas nada mais são do que um cheque em branco para criar uma gigantesca disparidade de poder, o que é muito perigoso.

  Quem não entende o completo cinismo que existe na política não entende nada de política.

  As perguntas são:

  - VOCE ENTENDE DE POLÍTICA?

  - Voce ainda acredita em políticos que já estiveram, ou estão, no governo?

  - Vai reeleger os que estão hoje no governo municipal: prefeito e vereadores? Ou vai eleger gente nova para ver se acontece a mudança que todos ainda esperam?

 

 
Voltar