634 - SR. CANDIDATO, NUNCA SUBESTIME A INTELIGÊNCIA DO ELEITOR

15/08/2016 09:27

  Amanhã começa a campanha eleitoral 2016 propriamente dita com a duração de 45 dias até dia 01/09, e os eleitores começarão a ter contato oficial e mais direto com os candidatos à vereadores e prefeito. Uma das coisas que os candidatos devem ter em mente é os eleitores estão muito mais preocupados com seu bem-estar que com os políticos. Vejamos o artigo abaixo, que trata exatamente disso...

    Artigo de Francisco Ferraz

    Fonte: www.politicaparapolíticos.com.br

  A política não é a principal prioridade na vida do eleitor. Como consequência, o acompanhamento que o eleitor médio faz da política e das eleições, é superficial, inconstante, e irregular.

  Cabe ao candidato opor à esta inconstância e superficialidade um eixo ordenador para a sua candidatura, que chamamos de "foco" e que permite ao eleitor identificá-lo, por sua mensagem, imagem e propostas principais.

  Não se deve confundir eleitor desatento e pouco informado com eleitor intelectualmente desqualificado

  Este "foco" deve ser capaz de estabelecer também um "vinculo emocional" entre o candidato e o eleitor, na medida em que corresponde a um sentimento forte e prioritário do eleitorado. Nós prestamos a atenção naquilo que nos interessa e ficamos impacientes e desatentos com assuntos que não nos tocam. O mesmo ocorre com o eleitorado.

  O "vinculo emocional" desperta o interesse do eleitor, faz com que ele preste atenção no que está vendo e ouvindo, e retenha na memória a imagem e as idéias daquele que está falando o que lhe interessa. A repetição, sob formas diferentes, das idéias e propostas básicas (mensagem) é fundamental para o processo de identificação e fixação da candidatura.

  Não se deve, entretanto, confundir eleitor desatento e pouco informado com eleitor intelectualmente desqualificado. O eleitor médio possui seus "sensores", onde armazena e organiza, seletivamente, informações sobre os candidatos. A palavra chave é seletivamente.

  Os critérios de seletividade são variados, mas certamente incluem:

  · Seu sentimento genérico de que as coisas vão bem/mal

  · A imagem que possuem de candidatos conhecidos

  · Suas prioridades pessoais e familiares

  · Sua simpatia/hostilidade em relação a partidos

  · Sua experiência pessoal com serviços públicos

  · Seu voto na eleição passada: satisfação/decepção

  · Associação de obras/realizações que os beneficiaram com o político/governante que as realizou

  · Decepção com promessas não cumpridas

  Estes e outros critérios análogos são reduzidos a "rótulos", isto é, expressões, frases e relatos, que, de maneira econômica, resumem seu pensamento sobre os candidatos, partidos ou propostas. É por meio destes sensores e rótulos que as informações fragmentadas que recolhem são armazenadas e organizadas.

  A opinião inicial do eleitor, filtrada pelos sensores, não é muito diferente, no seu grau de cristalização, da que possui o eleitorado mais participante e mais informado. Haverá os que já têm uma opinião cristalizada e decidida, mas a maioria vai formar a sua convicção ao longo da campanha.

 O importante é ter em mente que não se deve esperar que este eleitor se empenhe em buscar informações para decidir seu voto. A responsabilidade de informá-lo é do candidato. Se ao fim da campanha, os eleitores ainda não entenderam o que o candidato está tentando comunicar-lhes, o erro é do candidato e não do eleitor. Nunca subestime, portanto, a inteligência do eleitor.

  Ao fim da campanha o eleitor chegará a uma decisão de voto, processando as informações que lhe disponibilizaram. Encare o eleitor médio como um território a ser mapeado. Dispa-se de seus preconceitos e procure entender como ele pensa, como ele raciocina, como ele julga. A pesquisa (quantitativa e qualitativa) vai permitir conhecer os principais sensores dos diferentes segmentos do eleitorado, para qual direção estão apontando, o que fazer para desfazer equívocos, para corrigir a imagem, identificar prioridades, decepções, rejeições e expectativas. A comunicação eficiente, construída sobre os conhecimentos produzidos pelas pesquisas, poderá então conquistar a atenção, e, pela repetição criativa, fazer com que o eleitor retenha a mensagem.

 

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