644 - POLÍTICA POR PROFISSIONAIS E AMADORES

30/08/2016 08:04

   Em 16/07/2012 publicamos o Opinião 13 sobre Lobos, Raposas e Cordeiros, que revisamos e reproduzimos abaixo porque ainda é o que se tem na política aqui de Várzea Paulista.       

   Adaptação do artigo de Vitor Azubel

   Fonte: http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=8¬icia=50927

    

  Observando sempre com apreensão a democracia e política em Várzea Paulista, tem-se a questão de profissionais que estão conduzindo a campanha política. Com esse objetivo reproduzimos o texto abaixo, adaptado para a realidade atual da cidade, aqui e agora:

  "Relembrando, política é palavra grega (politika), vinda de polis. Polis é a cidade, entendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos (politikos). A tradução latina de polis é civitas, portanto, a cidade como ente público e coletivo, assim como Res publica é a tradução latina de politika. Seis séculos antes de Cristo os atenienses inventaram a democracia. Os cidadãos reuniam-se numa praça e deliberavam com amplos poderes sobre todas as questões importantes do Estado. Não havia representantes e nem separação entre governo e cidadãos, já que o poder de governar era da Assembléia.

  Decorridos 2.600 anos, a política e a cidadania estão de mal. Há uma enorme distância entre a política como negócio profissional, da política como instrumento de serviço público. Temos mais de 80 mil eleitores em Várzea Paulista e essas pessoas, que possuem poder suficiente para decidir os rumos do governo, talvez não tem prestado a devida atenção ao processo político em andamento na cidade. Muitos não se interessam, não gostam de política.

  Com muitos candidatos e pouca qualidade, não raro temos vontade de reduzir o número de representantes políticos, dá o que pensar sobre o processo de concentração do poder e de separação entre quem realmente governa e quem paga a conta. Como reunir todo mundo numa praça para deliberar? É impraticável. A solução, até que surja outra alternativa, tem sido investir de poderes a poucos para deliberar em nome de muitos. Com isso criamos uma nova aristocracia. Essa nova aristocracia não lega os seus títulos como propriedade da família, mas especializou-se em conservar o poder profissionalizando a política. Disso resulta que os eleitos representam cada vez menos aos seus eleitores, os quais, majoritariamente, afastam-se da política como arte de governar o interesse público, torcem o nariz para a democracia e vêem nas eleições apenas a oportunidade momentânea de ganho pessoal.
  As eleições consolidam-se, portanto, como negócio de aproveitadores, dominada pelos mais ricos e empreendedores/empresários, entre outros beneficiários de segunda linha. Essa fragilidade tem raízes na cultura política individualista e messiânica: cada um escolhe quem vai lhe salvar/conceder vantagens. Para dar o seu voto, a maioria pergunta antes o que a eleição, o eleito, o governante/governo ou o candidato vão trazer de proveito imediato para si, para a sua família, para a sua empresa, para a sua corporação.
  Como resultado dessa cultura patrimonialista e pré-republicana, na qual o governo pode dispor livremente do cofre, desde que seja para favorecer o seu cliente, prioriza-se o interesse particular e não o que é necessário. Isso nos leva à doença crônica e degenerativa da nossa democracia: o clientelismo, que torna natural a troca de favores por votos, o que, por sua vez, faz das eleições um negócio como outro qualquer, no qual se investe dinheiro pesado. Isso desemboca, por fim, em governos que precisam realimentar o ciclo do financiamento das campanhas cada vez mais caras, a fim de manter o poder, objetivo final de todo o empreendimento político. E como todo empreendimento, a política se torna cada vez mais profissional, virtual e cartelizada. 

  Por enquanto, a política é praticada desta forma. Como negócio profissional é uma degeneração do sistema que adotamos. Motivo pelo qual se costuma dizer que "política não é para amadores". Por outro lado, levando ao pé da letra a expressão grifada, pode-se deduzir que política não é para pessoas que amam. Como todos sabemos, o amor fraternal inclui respeito, dedicação, interesse pelo outro, ética, sentimento e dedicação em que o objetivo maior é prioritariamente fazer o bem.

  Desta forma, precisaríamos substituir as velhas raposas, carreiristas, oportunistas, aproveitadores, altas remunerações, que são os profissionais da política, por amadores (de amor) com conhecimento de causa, independentes economicamente, gente que esteja compromissada com o coletivo e, dedicados, cumpram a missão delegada pelos eleitores, atuando e colaborando para o interesse público. Por isso, a renovação em todos os cargos políticos é absolutamente necessária e recomendável para oportunizar a outorga de poderes a candidatos inovadores.

    Por enquanto não se vê amor verdadeiro em alguns candidatos a prefeito e vereadores, o que se vê são lobos, cordeiros e raposas, e alguns raros homos erectus (homem íntegro)homos sapiens (homem que pensa).

 

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