647 - O POLÍTICO E A PERDA DE CREDIBILIDADE

03/09/2016 07:43

  Vamos rever a matéria abaixo do Opinião 166, que publicamos dia 16/03/2013, como referência para avaliação do contexto da atual campanha política 2016, com tantos candidatos se esforçando para cair nas graças do eleitor e população, principalmente aqueles "políticos de sempre" que querem chegar no poder, os que já estiveram no poder e aqueles que ainda estão no poder: prefeito e vereadores, sem esquecer os secretários municipais e os cargos de "confiança" indicados pelo prefeito.

  Adaptação da abordagem de Luiz Henrique Campos

  Fonte: http://www.opovo.com.br/app/colunas/menupolitico/2013/02/09/noticiasmenupolitico,3002513/o-senso-de-preservacao-e-a-perda-de-credibilidade.shtml

  Uma das máximas do jornalismo político é a de que o conteúdo dito vale mais, dependendo de quem diz do que propriamente do que é dito. Isso explica muitas vezes porque a mesma coisa, pronunciada por alguém importante, ganha mais notoriedade do que quando expressada por político sem tanta representatividade. É claro que para alcançar esse estágio de reconhecimento público há diversos fatores que se combinam, nem sempre implicando necessariamente o cargo que se ocupa. E aí, vale desde o talento nato para a frase dita no momento certo, até o conceito alcançado ao longo da trajetória política. É fato, ainda que, alcançado o conceito e o respeito da opinião pública, dificilmente se perde a representatividade, sendo esse político caro na hora de se ouvir sobre os mais importantes temas da atualidade.

  Manter essa representatividade perante a opinião pública, todavia, requer, além do conteúdo, algo mais, que diz respeito também a personalidade de cada um, e o senso de oportunidade para aproveitar as brechas que surgem. Um desses indicadores do algo mais é justamente saber se preservar para não virar um boneco, que tanto fala sobre tudo, que atira para todo lado sem significar que tenha competência para tal. Assim, em muitos casos, pode ser bem mais fácil chegar ao topo rapidamente, do que se manter em evidência com credibilidade e aceitação. Infelizmente, não são raros os que já estiveram lá e hoje descem a ladeira do descrédito, sendo ignorados solenemente pelo que dizem, tornando-se mais folclóricos do que propriamente formadores de opinião.

  Não que seja o caso do político que parece não ter a noção exata do que já foi na política de antes e o que representa na política de hoje. Se antes, no auge, quase chegou a conquistar seu sonho, tendo ocupado importantes funções no governo, tudo indica que caminha agora para se tornar um falastrão sem acrescentar algo novo ao debate político. Acostumado às frases de efeito, deixou ou pode deixar o governo atirando contra quem não devia, como se lhe rendesse dividendos políticos. Ora, acabou caindo no jogo dos bastidores, a quem tanto critica, mas depois o deixou de lado como se fosse uma laranja murcha após ser saboreada. De lá para cá, o esporte preferido continua sendo de ataque para tentar voltar a ter importância junto aos eleitores.

  Ataques, é bem verdade, que, na maioria das vezes, não ferem a verdade. Ao contrário, as vezes acerta no alvo. A questão, todavia, é que se o estilo de discurso é certeiro, não se coaduna com a sua prática. E aí, ao se fazer a síntese, ele tem mais a perder do que a ganhar. O resultado é que as suas falas e frases cativantes já não geram os mesmos efeitos de outrora. Da mesma forma que saem, com a rapidez de raciocínio e virulência característica, estão se perdendo ao vento, não recebendo nem mais o beneplácito da dúvida por parte de quem as escuta. Uma pena, pois muitas delas contêm verdades ferinas. Mas é a lógica da política. Como dito no início, as palavras valem mais dependendo de quem as pronuncia, e não o que propriamente significam. E quando quem diz perde a credibilidade, estas se perdem na história.

 

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