650 - ESTÁ CHEGANDO A VEZ DOS ELEITORES

09/09/2016 08:52

  Adaptação de artigo de Dora Kramer, colunista do jornal O Estado de São Paulo

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  Enquanto a administração pública vai bem, tudo o mais vai também, reza a norma geral dos construtores de candidaturas, instrutores de campanhas e conselheiros de imagem política. Prova disso é como está sendo conduzida a campanha política para estas Eleições 2016, que leva a opinião pública a pensar na cidade depois de um período de apatia e deterioração da capacidade do governo em atender às aspirações dos eleitores e população em geral, segundo se comenta na cidade. Do ambiente 2012, que deu a vitória à aliança política que hoje está no poder, deve-se aceitar, pois, que o governo tenha o condão de deflagrar as crises. Mas, é a política que dispõe dos instrumentos para construir as soluções, por meio da intermediação entre governo e oposição, oposição essa que ainda não se vê aqui em Várzea Paulista face aos interesses pessoais que move o legislativo e o próprio governo.

   Já é hora da política se fazer presente removendo práticas e conceitos que levaram a atividade e serviços públicos à degradação, deixando a população prisioneira dos interesses destes novos coronéis da vida municipal, sob risco de "decisões desastradas dos governantes e políticos" levarem a juventude e população, eleitores, a se afastar dos valores da democracia que não está sendo vista e nem praticada nesta campanha eleitoral.

   O exercício da política é valor democrático. O modo como ela está sendo exercida, no entanto, levou à depreciação desse ativo. Os eleitores que não viveram os tempos em que, caladas as vozes dos políticos, falava o chicote do autoritarismo, com facilidade são levados a não acreditar no sistema representativo. Ou se encontram formas de reconstruir as pontes entre representantes e representados, ou se reabrem os canais de comunicação entre a sociedade e os governos, com ou sem oposição, ou iremos ao beco sem saída.

  Nas ruas falam sobre a péssima qualidade da saúde pública E FALTA DE MEDICAMENTOS, os péssimos serviços dos transportes públicos, excesso de contratações pela prefeitura, etc., mas seguem falando de muito mais: de corrupção, de descaso, de desmandos, de desrespeito, de desvios de conduta. Na economia o poder público - e aqui o nome do governo é PV – arriscou a ser governo e agora chega para todos a dolorosa conta de ser administrador dos anseios de mudança da população.

 Na política abusaram do despudor, os valores parecem que foram dissolvidos. As pessoas não querem apenas de volta a estabilidade na administração. Elas desejam também recuperar o respeito perdido, a dignidade desconsiderada pela vulgarização dos modos políticos e a aceitação da esperteza. O atual prefeito, que representou a esperança e que foi uma referência na campanha 2012, acabou encarnando o personagem do herói sem experiência e sem norte seguro, assistido por um secretariado de governo que a todos tenta fazer acreditar que será reeleito mediante o uso de quaisquer meios, principalmente usando de "verdades" que o governo pretende sejam as verdadeiras, só as deles.

  O prefeito não inventou a falta de ética na política, mas ao pretender construir uma unanimidade através do apoio do legislativo, aprofundou os velhos vícios. Deu aval ao que havia de mais condenável, permitiu um processo de rebaixamento dos valores políticos a níveis nunca vistos e parece ter incorporado certa amoralidade como regra normal.

 Os eleitores sabem que não será fácil escolher bons representantes, e estarão sempre duvidando da qualidade dos políticos, e avisam que ninguém é dono do passe de seus anseios. A julgar pelo sentimento que é para emergir quando a eleição ocorrer, o eleitorado poderá ter êxito em promover a mudança desejada para estabelecer um diálogo amistoso com o governo, que deverá por sua vez deixar de manipular emoções e informações, e se mostrar confiável na tarefa de recuperação da política de governo como fator essencial para o exercício da democracia. E isso deve começar por quem transmite a todos a impressão que dá as cartas no governo municipal, mas que são os eleitores que irão manifestar o desejo de quem deve ser o próximo prefeito, vereadores, e ter secretários municipais com competência para fazer o que a população ainda aguarda a ser feito: 

FAZER POLÍTICA PARA A CIDADE E POPULAÇÃO 

NÃO FAZER POLÍTICA PARA OS DE SEMPRE FICAREM NO PODER

MUDANÇA ainda é a palavra chave para estas Eleições 2016

 

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