66 - EM BUSCA DA INFORMAÇÃO CONFIÁVEL

28/09/2012 08:04

   Artigo de Francisco Ferraz

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

   Nada é mais necessário e mais valioso numa campanha eleitoral do que a informação confiável.

   Na realidade uma campanha pode ser encarada como um esforço coordenado para :

   (1) coletar informações (sobre eleitores, projetos, realidade local, apoios, recursos, adversários, e uma multidão de outros itens que facilmente podem ser imaginados.)

   (2) processar informações (avaliar,combinar, separar o que vai ser usado do que não será, priorizar, listar, quantificar, etc)

   (3) interpretar informações (extrair o significado dos dados, identificar tendências, construir cenários, descobrir novas possibilidades e perspectivas, confirmar hipóteses etc)

   (4) formatar informações (em projetos a serem propostos, em estratégias a serem seguidas, em atividades de campanha, na estratégia de comunicação e marketing, como por exemplo, peças)

   (5) comunicar informações (na publicidade de campanha, no discurso do candidato, nos debates, nas entrevistas, nos programas de rádio e TV etc)

   A qualidade de uma campanha depende diretamente da qualidade da informação com a qual trabalha. Informação de má qualidade (imprecisa, incompleta, incorreta) empurra a campanha para o perigoso território do “palpitismo”, da intuição e do ativismo voluntarista.

   O candidato e sua equipe estão sempre fazendo estimativas. Há entretanto uma enorme diferença entre fazer estimativas com base em informações confiáveis (ainda que insuficientes) e fazer estimativas com base em informações não confiáveis, de baixa qualidade.

   Foi o entendimento do papel decisivo e insubstituível da informação confiável, para subsidiar as decisões do candidato numa disputa eleitoral, que provocou a mais importante das transformações ocorridas nas campanhas eleitorais no século XX: a inclusão da pesquisa política no seu núcleo central de estratégia e decisão.

   Hoje não mais se concebe uma campanha feita às cegas, baseada apenas na sempre discutível “experiência”, na intuição e na improvisação. Não é possível construir uma campanha eleitoral eficiente sem informações precisas e confiáveis sobre o eleitorado, suas disposições, avaliações, interesses e prioridades. São as pesquisas (quantitativas, qualitativas, censitárias de conteúdo etc), realizadas por organizações ou pessoas experientes e qualificadas, o instrumento mais adequado para produzir e organizar as informações indispensáveis à concepção de uma estratégia vitoriosa para a campanha.

   Informação confiável, entretanto, não se limita apenas àquelas produzidas por pesquisas. Refere-se também a toda informação que circula na campanha, que é objeto de discussão nas reuniões, e que é julgada suficientemente importante para subsidiar decisões.

   A informação confiável também não está só nas pesquisas realizadas.

   Muitas vezes a campanha não dispõe de recursos e/ou tempo para realizar uma pesquisa antes de tomar uma decisão de grande importância para a candidatura. Isto não significa que se deve abandonar a busca pela informação confiável. Muito ao contrário. Nessas situações o esforço para confirmar as informações necessárias para subsidiar a decisão deve ser ainda maior.

   Procedimentos como múltipla checagem; avaliação da sua coerência com outras informações confirmadas, relativas ao mesmo assunto; conversa com analistas e comentaristas políticos; consistência com resultados de outras pesquisas,(realizadas pela campanha ou por rádios,jornais,TV, instituições); e, sobretudo, a interpretação do seu significado e da sua lógica, em função do conhecimento que se possui sobre o assunto, podem reduzir significativamente a margem de incerteza.

   Em política, fatos ou informações sobre fatos (ocorridos ou por ocorrer) que não se revelam como auto-explicáveis devem sempre ser analisados pela ótica dos seus resultados e não da intenção.

   A pergunta clássica que deve ser respondida é: a quem interessa? A quem beneficia? A ocorrência ou produção daquele fato. Em mais de 90% destes casos a identificação do beneficiado vai esclarecer as razões do fato.

   A busca da informação confiável, portanto, deve tornar-se um hábito e uma regra compartilhada por toda equipe, inclusive o candidato, está ao alcance de qualquer campanha (pobre ou rica), e da qual decorrem alguns corolários:

   (1) Quando a informação existe e está disponível (por exemplo, dados do censo, pesquisas já publicadas), não há desculpa para não possuí-la;

   (2) Quem apresenta informações deve deixar explicitado o grau de confiabilidade delas (muita, razoável, pouca, nenhuma);

   (3) O candidato tem que saber combinar confiabilidade e tempo. De nada adianta buscar uma confiabilidade que demore tanto para ser obtida que faça com que se perca o momento de usá-la. Nestes casos, é melhor decidir com base em informações razoavelmente seguras, ou até precárias, para não perder o momento e as oportunidades;

   (4) Há decisões que, por sua importância e premência de tempo, precisam ser tomadas com poucas informações confiáveis ou com informações contraditórias. O candidato, nestes casos, não deve hesitar. Deve tomar as decisões necessárias, fazendo uso do seu melhor julgamento, e correndo os inevitáveis riscos. É aconselhável porém que prepare, por antecipação, uma alternativa de correção, para o caso de erro.

 

 

 

 

 

 

 

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