68 - DESVIE O ADVERSÁRIO DO SEU INTERESSE E DA SUA MENSAGEM

30/09/2012 08:55

      Artigo de Francisco Ferraz

      Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

   Esta é uma regra básica de estratégia política. Ela diz respeito ao combate político. Trata-se de uma manobra diversionista, mas que pode produzir resultados muito importantes

   Seu adversário, como você, está preocupado em comunicar-se com seus eleitores potenciais, para levar a eles a sua mensagem, da melhor forma possível e pelo maior tempo que puder. No combate político, então, você sempre sai ganhando alguma coisa se consegue desviá-lo do seu rumo.

   Saindo do seu rumo o adversário fica mais vulnerável. Ele será forçado a enfrentar situações e controvérsias para as quais não está bem preparado, às vezes terá que improvisar, ou terá que dedicar parte do seu tempo e de sua assessoria para informar-se e posicionar-se na questão, tenderá a cometer erros, e, em qualquer hipótese, você vai forçá-lo a perder horas, dias ou até mesmo semanas, para enfrentar a nova situação.

   Enquanto isso, você, de um lado, alimenta a controvérsia, denúncia, acusação, e, de outro, mantém seu tempo livre para tratar de levar sua mensagem para os eleitores. Cada hora perdida numa campanha é um tempo irrecuperável. Por isto, desviar o adversário daquilo que é o seu melhor interesse, e de sua mensagem, é sempre uma ação tática de combate muito eficiente.

   Para desviar o adversário não é necessário trazer a baila uma questão muito relevante ou uma acusação de grande gravidade. O critério é fixado pelo próprio adversário. Há candidatos de elevada sensibilidade. Basta uma acusação menor para desequilibrá-los e colocá-los numa verdadeira compulsão para responder, corrigir, ou explicar a questão.

   Se surgir na mídia uma referência desairosa a ele, uma suspeita de comportamento irregular numa função pública, ou sobre um item do seu currículo, seu adversário terá que perder algum tempo para decidir se responde/explica ou não; se por fim decidir se pronunciar, vai perder tempo reunindo material para comprovar seu pronunciamento; vai gastar mais tempo preparando o que vai dizer, para quem, quando, como, etc.

   O resultado é que:

          · perdeu tempo precioso;

· teve que provocar alterações na sua agenda;

· mobilizou auxiliares para ajudá-lo;

· conforme a situação, gastou além de tempo, recursos para produzir comerciais, ou programas de TV e rádio para responder;

· teve que provocar alterações na sua estratégia, que ocorrem após muitas discussões (atacar/não atacar, responder/não responder);

· foi forçado a deixar de lado sua preocupação principal que é a de levar sua mensagem para os eleitores.

   Como se vê, desviar o adversário do seu rumo é uma ação que pode produzir resultados importantes no combate eleitoral. Se você conseguir encadear várias situações como esta em seqüência, seu adversário vai encontrar muitas dificuldades para desenvolver uma campanha como ele planejou.

   Nem todos os candidatos caem nesta armadilha, ainda que ela seja sempre perturbadora. Mesmo os mais experientes dedicarão tempo para avaliar as conseqüências e decidir o que fazer, porque, sendo experientes, sabem que, muitas vezes, o que parece sem importância para o candidato adquire importância para o eleitor.

Estas recomendações devem também funcionar como advertências, para o caso em que não é você quem desvia o adversário do seu rumo, mas, ao contrário, é ele quem está tentando isto com você.

   A primeira e principal advertência é entender o que o adversário está buscando. Você deve descobrir se esta jogada visa desviá-lo do seu rumo estratégico, ou se visa destruir sua candidatura. As respostas serão diferentes, em cada uma destas situações.

   Se o objetivo for desviá-lo, administre a situação de forma a poder voltar o mais breve possível ao foco de sua campanha. De quebra, vá preparando uma para ele. Se o objetivo for o de destruir a sua candidatura, então lute, e com a inteligência e garra de quem sabe os riscos que está correndo. Você terá que liquidar a questão e contra-atacar com igual intensidade.

   A segunda advertência é não confundir o que é importante para você com o que é importante para o eleitor. Se a matéria só é importante para você, e não lhe traz prejuízos políticos maiores, livre-se dela, ignorando, minimizando, ou respondendo de forma cabal e sucinta, mostrando o objetivo real da jogada.

   Se, ao contrário, ela for importante para o eleitor, trate-a como tal e encontre a forma de sair-se bem da situação com o mínimo possível de perdas.

 

 

 

 

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