9 - Eleições 2012 - INIMIGOS E ADVERSÁRIOS POLÍTICOS

10/07/2012 09:16

9 - Eleições 2012 - Várzea Paulista

     INIMIGOS E ADVERSÁRIOS POLÍTICOS

      10.07.2012

      Extrato adaptado do texto de Marco Aurélio Gonzaga
      Fonte: http://marcoaureliogonzaga-santos.blogspot.com.br/


   Estamos no inicio da campanha política para prefeito e vereadores, e observando-se alguns indícios de antipatias de algumas partes, será oportuno apreciarmos o texto abaixo, que trata de forma clara e séria a diferença entre um inimigo e um adversário político, principalmente por parte dos candidatos:


   A política, por sua natureza competitiva, e mais ainda pela publicidade que assume, é um campo de atividades onde proliferam adversários e inimigos. Só não tem adversário ou cria inimigos quem é politicamente inofensivo. Os que têm ambição e lutam por seus objetivos por certo terão adversários e talvez, ao longo da carreira, adquiram inimigos.
    Não é preciso gastar tempo para analisar os adversários: são participantes do jogo da política, competidores por vezes duros e até desleais, mas o que desejam é vencer a eleição e ocupar o cargo. Não os move o ódio pessoal, nem o desejo de destruição, que são sentimentos exclusivos dos inimigos. Já sobre estes sempre há muito o que falar e ainda mais para aprender. Inimigos podem surgir na vida pessoal e ser transportados para a política, ou podem surgir na própria política. Não importa a origem: o inimigo alimenta sempre um sentimento negativo.  
   Quando o inimigo mentir sobre as razões para hostilizá-lo, caberá  revirar as gavetas da memória e provar que a verdade é outra. Mas o eleitor não vai aprovar a rusga pública. Se a origem da animosidade é indiferente, sua razão importa, e muito.
Há inimizades cuja natureza é pessoal. Outras nas quais o porquê é estritamente político. Quando o motivo for pessoal, ele é irremovível.
   Inimigos costumam ser mais fiéis que os amigos, e quando a razão da antipatia é privada, ela é nutrida em silêncio, cultivada com o adubo da forte antipatia, cresce e cristaliza-se com o tempo. Ao migrar para o mundo da política, entretanto, a inimizade cobre-se de motivos nobres e elevados para se justificar diante da opinião pública. Deste modo, assume convenientemente a forma de um conflito de interesses e ideias. É preciso, portanto, saber distinguir com clareza a hostilidade política da inimizade pessoal travestida de argumentos ideológicos. O pior que pode acontecer é tratar um inimigo como se fosse um adversário, por um erro de julgamento.
   Não interessa desmascarar o inimigo, mostrando ao eleitorado que a razão da hostilidade não é política, mas pessoal. Porque ou convence o eleitor, ou não. E, nas duas hipóteses, o resultado é desastroso. Se  fizer crer que a razão é pessoal, as conseqüências atingem a ambos. Afinal, como provar que os motivos não são igualmente pessoais? Ao eleitor ficará a sensação de estar sendo envolvido num conflito que não lhe interessa, lhe é irrelevante e ainda depõe contra os políticos que usam eleições para resolver diferenças pessoais.
    Também não pense que será fácil convencer o eleitor. O inimigo vai insistir que nada há de pessoal na desavença: as diferenças entre ambos, por mais profundas e radicais que sejam, pelo menos da parte dele, são exclusivamente políticas. Então, é você quem fica na obrigação de comprovar que a razão é, sim, pessoal. Em outras palavras, caberá a você a tarefa de remexer baús, buscar lembranças de agravos. Enfim, arrastar o debate político para o campo das desavenças pessoais. De novo, exatamente no que não interessa ao eleitor. Portanto, não lhe resta outra alternativa que não seja tratar politicamente o conflito, embora saiba que a razão é pessoal. Nada a fazer senão vencer a eleição estando antecipadamente ciente de que, derrotado, o inimigo poderá ficar ainda mais ressentido e revoltado.
    Qual a diferença entre inimigo e adversário político?
    É absolutamente vital saber distinguir o inimigo do adversário. Os dois são muito diferentes entre si. Enquanto o adversário contenta-se em derrotá-lo, o inimigo só encontra paz derrotando-o.
    Evite o "faz-de-conta"
    A tarefa de derrotar politicamente o inimigo deve ter o mesmo zelo dedicado à conquista de metas. Em síntese, lidar com um conflito pessoal irremovível "fazendo de conta" que se trata de um mero conflito político é exasperante, psicologicamente oneroso e estrategicamente complicado. A cada crítica recebida, poderá ser  decodificado os significados implícitos.
    Os sentimentos obscuros que a animaram, sendo desconhecidos pelos demais, parecerão meras críticas políticas. Mas elas atingirão mais profundamente, despertando o desejo de devolver a agressão e, até, partir para o confronto pessoal e físico. Viverá permanentemente a sensação de estar sendo vigiado e perseguido e, diante do menor erro, o outro estará pronto a explorá-lo impiedosamente. Você precisará conviver com a plena consciência de que, para vencer, seu inimigo é capaz de agir contra os próprios interesses. Se ele for verdadeiramente um inimigo duro e irreconciliável, aquele cujas razões têm origem pessoal, pouco ou nada terá a perder, já que seu objetivo é derrotá-lo a qualquer custo.
    Trata-se, pois, de uma destruição política, não pessoal, pela falta de meios necessários para participar do jogo político.      Então é imperativo dedicar-se a esta tarefa com o mesmo zelo que dedicaria à conquista de suas metas.
    Os feitos de César Bórgia inspiraram Maquiavel, que identificou um único, porém fatal, erro estratégico: iludir-se com os inimigos. Por fim, não caia no engodo de tentar mudar seus inimigos e de, se não conseguir torná-los amigos, pelo menos neutralizá-los. Será pior. Se eles forem verdadeiramente inimigos, interpretarão o gesto como fraqueza, algo revelador do medo que você tem deles. Poderão fingir que aceitam a aproximação para conhecer melhor seus pontos fracos, segredos e carências, para atacá-lo no momento em que estiver mais vulnerável. Já os adversários você pode tentar modificar e até transformar em amigos, principalmente se os procurar quando os tiver vencido.
  Quanto aos inimigos, a melhor política é mantê-los à distância e bem vigiados. Saiba sempre onde estão, com quem se encontram, o que dizem, em quem confiam e, se possível, quais são seus planos. Tais cuidados são necessários porque os inimigos nunca esquecem. Em
O Príncipe, o clássico do poder cuja inspiração foram as realizações do governante e duque italiano César Bórgia (1475/1507), Maquiavel vaticina, sobre o que classificou como o "único erro" cometido pelo líder renascentista, notório por seu calculismo, sua ambição e truculência: "Quem pensa que, entre personagens importantes, novos benefícios fazem esquecer antigas injúrias, se engana." (Francisco Ferraz)


 
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