CUMPRA AS SUAS OBRIGAÇÕES

16/12/2012 07:29

 

   Ao avançar pela vida uma pessoa incorre inevitavelmente em obrigações. De fato, ela já nasce com certas obrigações e estas tendem a acumular–se daí em diante. Isto não é nada de novo, nem se trata de uma ideia nova o fato de uma pessoa ter uma dívida para com os pais por estes a terem trazido ao mundo e por a terem criado. É um ponto a favor dos pais que eles não façam valer esse fato mais do que já fazem. Mas, mesmo assim, esta é uma obrigação: até a criança sente isso. E à medida que a vida segue o seu curso, a pessoa acumula outras obrigações – para com outras pessoas, amigos, a sociedade e até mesmo para com o mundo.

   É um grande desserviço para uma pessoa não lhe permitir que cumpra as suas obrigações, ou que pague o que deve. Uma boa parte da “revolta da infância” é causada pela recusa dos outros em aceitar a única “moeda” que um bebe, uma criança ou um jovem pode usar para aliviar o “peso das obrigações”: os sorrisos do bebe, os esforços desastrados da criança para ajudar, os conselhos que o adolescente pode dar ou simplesmente os esforços dele para ser um bom filho, geralmente passam despercebidos ou não são aceites; estes esforços podem ser mal dirigidos, muitas vezes são mal planeados; desvanecem–se rapidamente. Quando, com esses esforços, eles falham em diminuir a enormidade da dívida, essas tentativas podem ser substituídas por um grande número de mecanismos ou racionalizações: “Na verdade, não estou a dever nada”, “Para começar, eles deviam–me tudo isso”, “Não pedi para nascer”, “Os meus pais ou tutores não prestam” e “De qualquer maneira, a vida não vale a pena ser vivida”, só para indicar alguns. E, no entanto, as obrigações continuam a amontoar–se.

   O “peso das obrigações” pode ser um fardo esmagador, se uma pessoa não vê maneira de o descarregar. Isto pode causar todo o tipo de confusões e perturbações a nível individual ou social. Quando este fardo não pode ser descarregado, as pessoas a quem se deve tornam–se o alvo, muitas vezes sem o saberem, das reações mais inesperadas.

   Pode–se ajudar uma pessoa que se encontre no dilema das obrigações e dívidas por pagar, simplesmente revendo com ela todas as obrigações que ela incorreu e que não cumpriu – morais, sociais e financeiras – e arranjando alguma maneira para descarregar todas aquelas que a pessoa sente que ainda estão em dívida.

   Deve–se aceitar os esforços de uma criança ou de um adulto para pagar as obrigações de ordem não financeira que eles sintam que poderão estar a dever: deve–se ajudar a arranjar uma solução mutuamente aceitável para o pagamento de dívidas financeiras.

   Desencoraje uma pessoa de incorrer em mais obrigações do que aquelas que ela pode realmente cumprir ou pagar.

   O caminho para a felicidade é muito difícil de percorrer quando se está carregado com o peso de obrigações 
que nos são devidas ou que não foram pagas.

 

 

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