DE BEM COM A VIDA

02/11/2012 13:24

 

   Extraído da fonte http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/viver-bem/estar-bem-vida-665001.shtml

   Gente de bem com a vida percebe que a felicidade é um estado interior que não precisa ser prejudicado pelo que acontece fora de nós. E, cuidado, a vida é pra valer. E não se engane, tem uma só.

 

   Estar de bem com a vida.

   Esse é um tema que ultrapassa o terreno estéril das frases de efeito e chega ao território fecundo da filosofia. "Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão", disse Nietzsche, para depois admitir que invejava a leveza desses seres. "Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arranca lágrimas e canções", completou. Pois até o mal-humorado filósofo alemão admitiu que há virtude em buscar a paz com o viver.
   E o que é estar de bem com a vida senão a capacidade de manter um estado de alegria a despeito das vicissitudes da própria? É claro que a vida é dura, injusta e muitas vezes cruel. Todos sofremos com as perdas e com as angústias próprias do viver, mas não é disso que estamos falando. As condições externas influem, sim, mas o tema aqui é o estado da Alma.
   Não agrada o discurso fácil da autoajuda que insiste que você tem a obrigação de ser feliz. Não, felicidade não é uma obrigação nem uma competência. Não é uma alienação. Felicidade nem sequer é um estado definitivo, e com certeza não é um lugar aonde se pode chegar. Por outro lado, não agrada também a condição das "vítimas do sistema", que se orgulham de sua amargura e a exibem como um troféu conquistado.
   Existem pessoas que souberam lidar bem com as dificuldades naturais de suas existências e também outras que se transformaram em vítimas tristes nas mesmas condições. É claro que há situações de extrema dificuldade, e negar a tristeza que vem junto é negar a própria condição humana. Mas essa não é a questão. Não estamos referindo às tragédias,  que podem, com o tempo, apagar o brilho de viver. A menos que não se deixe que isso aconteça.
   Encontramos pessoas de bem com a vida nas grandes cidades, trabalhando em imensas corporações. Encontramos também em pequenas vilas do interior ou do litoral. Em lugares pobres e em lugares ricos. Em tempos de tranquilidade e em tempos de crise. Ou seja, em todos os lugares. E também encontramos pessoas de mal com a vida. Onde? Exatamente nos mesmos lugares.
   Este talvez seja um dos grandes mistérios da psicologia humana. O que faz a diferença entre esses dois tipos de indivíduos? Será sua genética ou terá sido a educação?

   De bem com o tempo

   Qual o segredo? Para começo de conversa, estamos certos de que não existe uma fórmula para ser feliz  e, se existir, ainda que seja apenas uma pista, com certeza ela é pessoal e intransferível.
   Entretanto, pessoas de bem com a vida têm, sim, algo a nos ensinar. A primeira lição é que elas não caem na armadilha fácil da felicidade imediata, aquela que é confundida com o prazer descartável, nem transformam a felicidade em um eterno projeto futuro. Gente de bem com a vida percebe que felicidade é um estado interior que não precisa ser prejudicado pelo que acontece fora de nós, e também se dá conta que, se a única coisa que existe de fato é o presente, o futuro vai virar presente e, quando isso acontecer, ele será tão melhor ou tão pior dependendo das providências que tomarmos no presente atual.
   Há um quê de sabedoria nessa postura, e um monte de inteligência aplicada ao bem viver, pois, em síntese, quer dizer que temos que viver o presente com um olho posto no futuro, aproveitar cada instante como se fosse único e, ao mesmo tempo, organizar-se para o dia de amanhã para não ser tomado de assalto por notícias ruins nas esquinas da vida. Então é isso, estar de bem com o tempo.

 

   De bem com o básico

   É necessário equipar-se com alguns artigos de primeira necessidade para alimentar a felicidade, nada muito complicado, acredite. Algumas coisas são óbvias, mas invisíveis como o ar, que só é percebido quando falta. A saúde, por exemplo. Então é melhor cuidar da dita cuja, pois não dá para ser feliz e doente ao mesmo tempo, e não importa a fase da vida. O mesmo se dá com o dinheiro. É parecido com o ar e a saúde, só damos valor a ele quando falta. O ditado popular insiste, há séculos, que dinheiro não traz felicidade. Estamos inclinado a acreditar nisso até certo ponto, pois, se o dinheiro não o faz feliz, a falta dele, provavelmente, vai lhe tirar o sono e prejudicar sensivelmente a felicidade interna bruta.
   Resolvidos os requisitos básicos, que atrapalham a busca da felicidade se estiverem ausentes, é hora de cuidar dos ingredientes da verdadeira felicidade, aquela que dá gosto de sentir. E eles são pelo menos três: o que fazemos para viver, como gastamos nosso tempo livre e, talvez o mais importante, com quem compartilhamos tudo isso.

 

   De bem com o que se faz

   O que fazemos para viver, evidentemente, é nosso trabalho. Ele nos dá o sustento e a dignidade, mas pode nos dar mais, pode dar o verdadeiro sentido da vida. Todos os trabalhos são dignos, mas temos que ouvir nossa vocação e perceber o significado daquilo que fazemos. Assim, teremos não só um trabalho, mas uma carreira; e não realizaremos apenas tarefas, mas causas. Não que alguém, para quem o trabalho seja um peso, possa ser feliz de fato. Você se contentaria em ser feliz só depois do expediente e, ainda por cima, odiar o prenúncio da segunda-feira?
   Cuidar do tempo livre é ter disposição para se divertir. O prazer, a alegria, a diversão são tão importantes quanto seu trabalho ou o estudo. É desse equilíbrio que sai o caldo de cultura que vai alimentar a felicidade. E curtir a vida tem mais uma vantagem: quando você ficar velho, terá boas lembranças como lenitivo para a vida mais recolhida.

 

   De bem com os outros

   Muito  longe de ser menos importante, estão as relações humanas. Biologicamente, não estamos preparados para a solidão, que só é boa quando é por opção e, ainda assim, por pouco tempo. Ter amigos, curtir a família, cultivar boas relações com seus colegas de trabalhos e vizinhos do condomínio. As boas relações nos fazem felizes, sim, alimentam nosso espírito gregário, nos fazem perceber que somos queridos, geram autoestima.
   Entretanto, é bom que se diga, há uma relação humana especial, que tem um imenso poder de agregar felicidade, que transforma silêncio em música, folha em flor, distância em saudade, toque em sedução, sorriso em esperança. Estou falando da pessoa especial que está a seu lado, seu companheiro, sua companheira de jornada. Estou falando do amor verdadeiro, que existe, sim, e é bom, muito bom.

   E o incontrolável? O fator acaso existe, afinal? Claro que existe, mas seu potencial para gerar felicidade é diretamente proporcional à atenção e inversamente proporcional ao descaso. Já se disse que o acaso tem sempre a última palavra. Mas podemos rever esse conceito, afinal, a última palavra pode estar com cada um de nós, e é dita por aquilo que fazemos com o que o acaso fez conosco. É a isso que se chama estar de bem com a sorte.

 

 

 

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