137 - DEMOCRACIA 2.0

06/01/2013 09:31

    Adaptação do artigo de Armando Vieira

    Fonte: http://armandosvieira.wordpress.com/2011/03/14/democracia-2-0/ 

   Estamos vivendo tempos extraordinários. Comunicar, criar comunidades, partilhar notícias, pensamentos e ideias nunca foi tão fácil. Fazer revoluções também não.

   O mundo está mudando a uma velocidade estonteante, criando conflitos e rupturas próprias de um período revolucionário. Sinal dessas rupturas é o fosso que existe entre as possibilidades da tecnologia e a realidade da política. No mundo da web, sobretudo na web 2.0, os internautas são reis: os seus comentários são cruciais na avaliação de um produto ou serviço, as respostas às suas questões imediatas, as reclamações ouvidas.

   Porém, quando nos voltamos para a nossa realidade política, o fosso não podia ser maior: as pessoas não são ouvidas, os representantes eleitos acabam por ser uns desconhecidos, o dinheiro gasto sem prestar contas, decisões importantes apresentadas como fatos consumados. A única coisa que nos deixam fazer é apertar uma tecla de urna a cada 4 anos, como se fossemos retardados mentais.

   Vivemos num mundo largamente diferente da realidade na qual nasceu o modelo político atual. As pessoas não se identificam com os partidos e os seus representantes e  poucos se acertam no modelo político-parlamentar. Mais do que ideologias, o mundo hoje rege-se por um desejo incontido de liberdade, criatividade, individualismo e interatividade. As pessoas procuram espaços de afirmação da sua individualidade, de expressar as suas ideias, a sua força criativa.

   A geração atual não vive presa aos meios de comunicação em massa e os seus iluminados formadores de opinião. Vivemos numa sociedade diversificada, fragmentada de micro-sociedades, onde cada pessoa é um mundo, cada consumidor um mercado. Assim como a era da produção de produtos em massa teve o seu fim, também a era da informação em massa está prestes a terminar.

   E revolução na política também tem os seus dias contados. As forças mono-bloco representadas por partidos, sindicatos ou federações para organizar manifestações. Este é o tempo da multidão terceirizada. Os formadores de opinião não tem o monopólio. Democracia 2.0

   Podemos escrever o que quisermos, mas o mundo mudou. Hoje o poder está diretamente nas pessoas e a mensagem não é mais controlada nem filtrada por canais externos.

   Esta não é uma manifestação da geração, ou gerações. É um grito de revolta de um país que se sente triste, enganado e deprimido. É foi um movimento genuíno de pessoas que estão cansadas, desiludidas e sem esperança e que querem fazer ouvir a sua voz a um regime autista. O que estamos assistindo não é só um grito de revolta. São as sementes de uma nova realidade organizativa da sociedade. A Internet, e em particular as redes sociais, a designada web 2.0, está revolucionando a forma como as pessoas se relacionam e comunicam. Depois de transformar o comércio e os negócios, ela chegou à política. Bem vindos ao mundo da Democracia 2.0. Auto-organizada, apartidária, feita pelas pessoas e não pelos “lideres de opinião”, baseada no movimento da multidão, a democracia 2.0 veio para ficar.

   Os governantes que se preparem pois o mundo nunca mais vai ser o mesmo.

 

 

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