Entrevista com JAIME G. NOGUEIRA

17/08/2012 07:21

   O Blog entrevistou o único candidato que teve seu registro impugnado pela Justiça Eleitoral de Várzea Paulista, para ouvir do mesmo o que e o porque ocorreu o fato. Como foi uma entrevista longa, a dividimos em 2 partes para facilitar a edição.

   JAIME GONÇALVES NOGUEIRA, ou Jaime da GM como é conhecido, 35 anos, casado, 3 filhos, curso superior em Gestão Ambiental pela Faccamp, diretor de ensino e geral de trânsito, foi funcionário público concursado, foi exonerado da GM pelos motivos que vai explicar na entrevista. Demonstrou muita tranqüilidade, concedeu a entrevista ao Blog sem reservas, respondendo com firmeza e seriedade as questões apresentadas.

 

Vejamos a entrevista:

 

1 – Como recebeu a noticia da impugnação da sua candidatura a vereador ?

      Foi através do advogado da coligação PSC+PMN dA base majoritária do PSDB “Compromisso com Várzea Paulista”. Como já havia rumores circulando, a notícia não foi surpresa, mas certamente não boa notícia. A decepção maior ficou em função dos amigos, ex-candidatos e para com as pessoas em geral que me apoiavam, sobretudo as da minha região. Olha, me preparei nestes últimos 4 anos para disputar esta eleições, com um projeto político pessoal destinado à cidade, conversando com o povo, diagnosticando prioridades e necessidades. Ainda neste período me dediquei a construir uma base política sólida e consistente.

     Quando registrei a candidatura, já estava com a campanha toda pronto para sair às ruas, inclusive com material de divulgação, carros de som, etc.. O prejuízo não foi só material, mas sobretudo político. É difícil explicar aos amigos e simpatizantes o que realmente está por trás disso tudo. Mas aconteceu comigo.

 

2 – Como explica sua impugnação ?

      A partir do momento em que é feito uma opção política, deve-se ter em conta que isso inclui você mesmo, sua família, seu patrimônio e até sua moral. É inevitável a exposição.

     No caso da impugnação, tudo começou na campanha política de 2008. Eu fazia parte da Guarda Municipal e participava do projeto político do DEM, onde disputei para vereador nas eleições. Ao dar inicio à minha campanha na época, passei a observar algumas indisposições da parte do partido da situação. No decorrer da campanha recebi 2 ligações do prefeito, candidato à reeleição, me convidando para uma conversa pessoal. Fui recebido no gabinete e nesta oportunidade fui questionado porque estava na oposição, respondi que me sentia em desacordo seu projeto de governo, principalmente com relação a GM. Então me foi proposto ajudá-lo na campanha da situação, que não aceitei por uma questão de princípios, mesmo porque já havia firmado compromisso com minha coligação e não iria desrespeitar.

    A partir de então voltou a insistir ligando novamente. Voltei ao gabinete para conversar com ele, mas não houve entendimento/acordo, e saí com a impressão de que iria ter dificuldades futuras. E assim foi.

 

3 – Como atuou na GM até sua saída ?

      Terminada as eleições 2008 sem ser eleito, voltei a atuar na GM, e logo a seguir fui cedido à Polícia Civil, onde me dediquei a fazer um trabalho que muito contribuiu ao Judiciário e, sobretudo, para a população. Fique na Polícia Civil por cerca de 3 anos seguidos, e, neste período fiz um curso Superior à Distância. Após a conclusão deste curso protocolei um pedido de adicional do nível superior, de 10%, aos vencimentos, ao qual todos que possuem formação superior tem direito. Para minha surpresa fui notificado de que estava sendo instaurado um processo administrativo, onde fui citado por apresentação de documento falso.

     Isso me fez procurar de pronto a Escola e, nova surpresa, ela havia mudado de endereço e ninguém soube informar o novo. Com isso, me restou procurar a Delegacia do Consumidor que imediatamente me colocou na presença do Delegado, que me informou existir mais de uma dezena de vitimas da mesma Escola. Fiquei desolado, mas a delegacia se colocou à disposição para ajudar no que fosse preciso e, após isso, fui procurar a matriz da escola em São Bernardo do Campo que informou não existir nenhum registro meu.

    Retornando ao trabalho, fui intimado pelo jurídico da prefeitura a dar explicações sobre o fato, onde informei tudo o que ocorreu e o que pude fazer para resolver a questão. A seguir, o jurídico contatou a escola a partir das minhas próprias informações, e esta ficou de verificar dando inicio ao um jogo de empurra que virou inquérito policial e foi para a Justiça decidir. O jurídico também contatou a Delegacia do Consumidor, que ainda estava a fase de diligências.

   Independente de todo o processo em andamento, fui exonerado baseado somente nas avaliações do jurídico da prefeitura. Entre atenuantes e agravantes, eles optaram pelo agravante imposto pelo processo interno, sem levar em conta os atenuantes apresentados pelos serviçoes prestados enquanto estive na GM, que não são poucos.

   O que mais me deprimiu foi o episódio ter entrado na minha família quando, certo dia, tive que explicar para meu filho de 12 anos o porque deixei a GM. Não foi fácil.

 

4 – Espera voltar para a GM ?

       Sim, acredito plenamente na Justiça, mesmo porque não existe razão para ser vitima 2 vezes, uma vez da escola e outra da prefeitura.

       Minha saída foi baque, e não esperava tanto. Afinal conheci a GM desde a fundação, sempre tive orgulho de estar na corporação, sempre fui movido por sonhos, de servir tanto na GM quanto na política. Minha atenção sempre foi voltada para os desfavorecidos, que merecem respeito do governo no que diz respeito a um tratamento igualitário, principalmente da prefeitura.

     Se houve alguma intenção de sufocar meus sonhos não me deixei abater, fui fazer faculdade mantendo meus sonhos vivos, e sei que posso contribuir muito com a sociedade, e vou contribuir.

    De certa forma, esse episódio todo me fortaleceu e me trouxe mais maturidade.

 

5 - Como está atuando politicamente hoje ?

      Apesar da impugnação ter me acarretado prejuízo moral, político e até financeiro, continuo atuante como uma das lideranças do PSC, optando em trabalhar junto com o partido no projeto político do PSDB, onde nos identificamos com o plano de governo do candidato a prefeito, que entendemos ser o indicado para assumir a prefeitura e promover as mudanças que todos desejam.

 

6 – Que espera do futuro, a contar de hoje ?

      Espero estar de volta na GM, pois antes de ser feito Justiça há também a questão da honra. Como tenho bom conhecimento, hoje sou empreendedor na área de auto-escola, formando condutores.

  

  

 

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