MILAGRE

30/11/2012 06:38

  Autora: Lucinéia Oliveira

 

  Cansada da fome espiritual,

  Em meio a um deserto triste,

  Meu caminho fiz.

  E um anjo de asas veio a mim

  Num lugar onde não havia uma encruzilhada.

 

  Com dedos leves como o sono

  Tocou as pupilas de meus olhos

  E minhas proféticas pupilas abriram-se

  Como olhos de águia assustada.

 

  Quando seus dedos tocaram meus ouvidos

  Estes se encheram de rugidos e clamores.

  E ouvi o tremor do céu

  E o voo do anjo da montanha

  E animais marinhos nas profundezas

  E crescer a videira do vale.

 

  E então, pressionou-me a boca

  E arrancou-me a língua pecadora,

  E toda a sua malícia e palavras vãs,

  E tomando a língua de uma sábia ave

  Introduziu-a em minha boca gelada

  Com sua mão direita encarnada.

 

  Então, com sua espada abriu meu peito

  E arrancou-me o coração fremente

  E no vazio de meu peito colocou

  Um pedaço de carvão em chama.

 

  Fiquei como um cadáver, deitada no deserto

  E ouvi a sua voz clamar:

  Levanta, e vê e ouve,

  Sê portador da minha vontade

  Atravessa terras e mares

  E incendeia o coração deste que tanto te ama.

 

 

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