144 - O DESCASO DO DIÁLOGO POLÍTICO

17/01/2013 08:20

    Extrato do artigo de Daniel Ribeiro da SIlva

    Fonte: http://www.urutagua.uem.br/03silva.htm

   Existe, atualmente, um grande preconceito com relação à política. Uns falam que sobre política, não se discute; outros dizem que, a política é somente um mecanismo de se crescer economicamente; há outros que acreditam que política é sinônimo de algo ruim; e têm, também, aqueles que nem pensam sobre política, por achar que é perda de tempo. Mas, por que existe tanto conceito mal formado com relação à política? Será a educação que falha neste sentido? Ou, será a forma que nos apresenta a política atual?

   Para não cairmos, também, num conceito errado de política, é preciso que voltemos a sua origem, isto é, aos antigos. Aristóteles dirá, por exemplo, que a política é a ciência que visa o bem comum dos cidadãos. Pois, segundo ele, ela nasce da necessidade de se ter leis que organizem as atitudes das pessoas perante o público e o privado, e todo aquele que exerce esse poder, exerce em função de todos os cidadãos, e terá o tempo integral para trabalhar em função disto. Por isso, devera ser quem conhece as leis e tenha condições de colocá-las em pratica. Trazendo isso para os dias de hoje, perceberemos algumas semelhanças e algumas diferenças. A primeira grande semelhança está relacionada ao tempo que o individuo, que tem um poder político, dispõe para trabalhar. e, também, um tempo integral. A diferença está na maneira de se trabalhar. São também, na maioria das vezes, homens que conhecem as leis, mas, nem sempre as põem em pratica.

   Primeiramente, devemos fazer o que estamos fazendo: discutindo a política. Sem querer subestimar o cidadão, mas já subestimando, discutir neste caso significa questionar, ou melhor, ir a raiz do problema, procurar as causas. Durante a discussão, perceber-se-a que as dúvidas vão sendo sanadas, e, conseqüentemente, o conhecimento enriquecido. Existem várias maneiras de discutir sobre o assunto. Pode ser verbalmente em reuniões, encontros, salas de aula, ou por escrito em jornais, revistas e outros meios de comunicação. Afinal, o importante é colocar as questões humanas, neste caso, a política, no centro das discussões.

   Para que isso torne um hábito entre as pessoas, é preciso, segundo Aristóteles, educá-lo. Para ele, é a educação que torna o homem virtuoso, apto a pensar nas questões fundamentais do homem. Segundo ele, a virtude já está no homem, e a educação irá fazer o papel de extrair dele, isto é, colocar em prática essa virtude no seu dia-a-dia. Além do costume de praticar o bem, a educação terá a incumbência de exercitar a dimensão racional, ou seja, proporcionar a consciência dos seus atos. Portanto, a educação tem uma função importantíssima no caminho do homem. E, digo mais, a educação, como afirma Aristóteles, é responsabilidade do Estado.

   Mas, alguém poderia me dizer: concordo com o que dizes, mas a realidade não permite que isso aconteça, pois, ao invés de estudar, o individuo precisa trabalhar para não morrer de fome. Sem dizer que existe um grande meio para se manipular as pessoas, dizendo como agir e no que pensar. Em partes, eu concordaria com meu interlocutor, em partes não. Dizer que a ideologia atual é forte, isso é verdade. Mas, ser pessimista, isso não.

   Confesso é dificil mudar a situação, estando nela. Mas, como já disse, tenhamos um ideal político, mesmo que seja um ideal pensado a mais de dois mil anos, para juntos, eu com o meu ideal, e você, com o seu ideal, pensarmos em como mudar o real.  Pois, se conseguirmos, pelo menos, acabar com o descaso do diálogo político, já estaremos dando um grande passo.

 

 

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